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Nome |
Nigel Ernest James Mansell |
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Nacionalidade |
Inglês |
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Nascimento |
8/08/1953 |
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Local |
Upton-upon Sevem |
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Carreira |
1980-1992 e 1994-1995 |
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Equipes |
Lotus, Williams, Ferrari, McLaren |
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Largadas |
191 (em 197 corridas) |
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1ª corrida |
GP da Áustria de 1990 |
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1ª vitória |
GP da Europa de 1985 |
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Última vitória |
GP da Austrália de 1995 |
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Última corrida |
GP da Espanha de 1995 |
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Pontos |
480 |
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Vitórias |
31 |
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Pódios |
59 |
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Poles |
32 |
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Voltas+rápidas |
30 |
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2ºs lugares |
17 |
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3ºs lugares |
11 |
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4ºs lugares |
8 |
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5ºs lugares |
6 |
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6ºs lugares |
9 |
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1ª fila |
56 |
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Voltas na liderança |
2099 |
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Km na liderança |
9642 |
Numa tarde cinzenta e gelada do outono de 1960, o garoto Nigel Mansell, então com seis anos, foi levado pelo pai a um kartodromo. Ficou encantado. Gostou tanto que virou para o velho e, decidido, decretou: “Quando crescer vou correr na Lotus”.
A Lotus, naqueles tempos, era o máximo. Tinha nos seus quadros pilotos do naipe de Stirling Moss, John Surtees e Jim Clarck. O sonho de nove entre dez crianças britânicas era sentar num daqueles carros verdes e saudar a Union Jack, ao som de “God save the Queen”. Poucos conseguiram. Nigel foi um deles.
O caminho foi espinhoso. Para começar, Mansell não parecia levar muito jeito para a coisa. Grandalhão, pesado, desajeitado e confuso de ideias, só passou a afastar a desconfiança quando o pai lhe deu um kart meia-boca e ele começou a ganhar corridas. Era rápido, o moleque.
Mas já naqueles tempos, correr de automóvel era um negócio caro. E chegou a hora em que Mansell tinha de decidir se virava piloto, com enormes chances de morrer de fome, ou comprava um guarda-chuva. Optou pela segurança, foi estudar; formou-se em engenharia mecânica e arrumou um emprego.
Só quem já foi mordido pelo bichinho da velocidade, porém, sabe o que é ter gasolina correndo nas veias. Um belo dia, Nigel chegou em casa, beijou a mulher Roseanne na s bochechas róseas e avisou: “Vendi tudo e vou comprar um carro para correr”. Assim foi, até o dia em que se arrebentou numa prova de Fórmula 2, em 1979, e ficou quase um ano no hospital. A mulher segurou as pontas; trabalhou feito louca para sustentar a casa e, pelo menos, julgou ter s e livrado das maluquices do marido.
Vã esperança. Mansell saiu do hospital direto para um autódromo e virou papagaio de pirata de Collin Chapman, o lendário dono da Lotus. Tanto fez que arranjou uma vaga para prestar serviços gerais à equipe. Um dia, num teste, faltou um piloto e Nigel pediu para guiar. “Vai lá e não me enche mais o saco”, deve ter dito Chapman, com outras palavras, certamente, mas com sentido idêntico. Mansell foi. Em 1980, já era piloto da Lotus.
Ficou na equipe até 1984, ano em que fez a primeira das suas 32 poles positions na F1, em Dallas. Já chamava a atenção por seu arrojo, seu desempenho nos treinos, pelo bigode e, especialmente, pela aparente falta de interesse pelos outros caros que dividiam a pista com ele. Frank Williams, outra lenda inglesa na história das corridas, gostou e o levou para a sua equipe, em 1985. No dia 19 de outubro, em Kyalami, na África do Sul, aos 32 anos (nasceu em 8 de agosto de 1953), Nigel finalmente ganhou a sua primeira corrida. Outras 30 viriam depois.
O carro, um Williams Honda turbo, virou a sensação da F1. Era o prenúncio de uma hegemonia japonesa que viria a ser estabelecida em 1987 e só iria ter fim em 1992, com o próprio Mansell, no mesmo time, mas com outro motor, o Renault.
De 1989 a 1991, o inglês sedimentou a fama de rápido e maluco. Foi vice-campeão três vezes (1986,87 e 91); perdeu dois títulos de maneira inacreditável e protagonizou alguns dos mais belos shows que a F1 já viu. Só conseguiu ser campeão em 1992, quando a Renault desenvolveu um motor imbatível e a Williams inaugurou a era dos carros-videogame, geringonças de uma sofisticação eletrônica até então inimaginável na F1.
Mansell foi campeão aos 39 anos, quebrando o recorde de poles numa mesma temporada (14) e de vitórias no mesmo ano (9, marca igualada por Michael Schumacher em 1995). Ganhou o título com antecedência jamais vista nos mundiais, cinco provas antes do final do campeonato. Achou-se, então, no direito de pedir uma caminhão de dinheiro para renovar coma Williams. Levou um inesquecível pontapé nos fundilhos. Foi trocado por Alain Prost e rumou para a América. Lá, como que para mostrar à F1 quanto ela pode ser injusta, ganhou o título da Indy, em 1993, e ainda entrou para a história como o primeiro estreante na categoria a fazer a pole e vencer a sua primeira corrida, na Austrália.
Ficou mais uma não na Newman-Haas, em 1994, e voltou para a mesma Williams, pelas mãos de Bernie Ecclestone, então presidente d a FOCA. Aos 41 anos, disputou quatro corridas. No início, enfrentou a mesma desconfiança demonstrada por seu pai quando seis tenras primaveras. No fim, provou mais uma vez que todos estavam enganados. A F1 encerrou aquele ano com um inglês no degrau mais alto do pódio, na Austrália. O bigodão estava ali; o olhar sonso também. Mansell foi, voltou a venceu.
Poderia ter parado por ai, saindo por cima; ido cuidar da vida. Mas Nigel se entusiasmou e aceitou convite da McLaren, da Marlboro e da Mercedes para retomar a carreira em 1995. Logo nos primeiros testes com o modelo MP4/10, no entanto, percebeu que não cabia direito no cokpit. Os cotovelos esbarravam nas laterais e ele não conseguia virar o volante com liberdade. Foi um tremendo fuzuê. Mansell não estreou em Interlagos e a McLaren teve de construir um novo carro. Ele disputou sua primeira prova , enfim, no GP de San Marino. O resultado foi discretíssimo: 9º no grid e 10º na corrida. Na prova seguinte, em Barcelona, largou em 10º, deu 18 voltas, embicou o carro nos boxes e falou: “Isso aqui é uma merda!”. Pegou o boné e foi embora. Dois dias depois, a McLaren, a Mercedes e a Marlboro e quem mais tivesse rubricado seu contrato milionário trataram de despedi-lo. Mansell disse que tudo bem, e foi jogar golfe, seu hobby predileto.
No fim do ano ainda fez um curso de policial de trânsito na Inglaterra e foi aprovado. Com 187 GPS a 300 km/h nas costas, decidiu dedicar parte do seu tempo livre a evitar que os motoristas corram demais. (Texto de Flávio Gomes)