26/11/16

Veja as decisões na última corrida do ano

sennaprostchoaueNos seus 66 anos de existência, a Fórmula 1 já teve memoráveis disputas pelo título na última corrida da temporada, como acontece, este ano, com Lewis Hamilton e Nico Rosberg. A Sky F1 fez uma rememoração dessas corridas, de 1976 até 2012, e isso que reproduzimos aqui, em tradução livre, com adaptações e acréscimos. .

 Hunt vs. Lauda – GP do Japão de 1976 – James Hunt e Niki Lauda sugeriram, nessa corrida, um enredo fantasioso para os mais criativos diretores e Hollywood, que acabou nas telas do cinema. Não só os dois protagonistas eram inimigos ferozes e personagens dramaticamente diferentes, mas a temporada teve 16 corridas de drama e controvérsias, quase paralisada na metade, após acidente com Lauda. O austríaco só perdeu duas corridas, devido as graves queimaduras sofridas, e a recuperação dele é uma das mais milagrosa da história esportiva. Graças ao seu excelente início de temporada, o piloto da Ferrari, gravemente afetado pelos ferimentos, foi para Fuji três pontos à frente da flamejante Hunt, e classificou-se atrás da McLaren, em terceiro lugar. Juntamente com outros pilotos, porém, Lauda protestou, dizendo que era muito perigoso correr com as fortes chuvas que caiam no Japão e retirou seu carro no final da segunda volta, parecendo deixar o então líder Hunt perto de selar o título. Com um pit stop no final da corrida, devido ao estouro de um pneu, Hunt pensou que tinha terminado em 4º, frustrando sonho do título, mas, na verdade, chegou em terceiro, garantindo o título por um ponto de vantagem sobre Lauda.

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Mansell vs. Mansell vs. Piquet, GP da Austrália de 1986 – É, colossal, esse é Mansell!, berrou Murray Walker, quando as esperanças do britânico de ganhar seu primeiro título mundial explodiram tão rapidamente quanto seu pneu na decisão do título em Adelaide. O piloto de Williams liderava a classificação por seis pontos no final da temporada, mas Alain Prost, da McLaren, e seu colega Nelson Piquet permaneceram na disputa matemática até a última prova. Mansell conseguiu a pole, mas caiu para 4º na primeira volta e voltava a correr em 3º, o que lhe garantiria o título, quando, na 64ª das 82 voltas, teve seu pneu traseiro esquerdo furado. Com a saída de Mansell, Piquet estava a caminho de ser campeão, mas chamado pela Williams para, por precaução, trocar pneus, saiu do box em segundo, atrás de Prost, que venceu a corrida e garantiu o título para Mansell, por dois pontos.

Prost vs. Senna, GP do Japão de 1989 – O confronto que decidiu o título de 1989 não foi a última corrida da temporada, mas em termos de uma prova memorável que marcou um campeonato, este clássico de Ayrton Senna vs. Alain Prost supera todo o lote. A rivalidade entre McLaren e Honda tinha sido fermentada ao longo de duas temporadas e, após o recente triunfo de Senna no ano anterior, Prost estava determinado a colocar seu companheiro de equipe mais jovem em seu devido lugar. Senna, que lutou com questões de confiabilidade durante o ano, precisava de duas vitórias nas últimas duas corridas, para manter sua coroa, enquanto Prost, no controle do campeonato, afirmava que não deixaria a porta aberta para um homem que ele alegava ser um piloto arriscado. Apesar de ser confortavelmente vencido pelo brasileiro na classificação, Prost atirou-se na liderança desde o início, em Suzuka. Senna, um mestre do ataque, foi persistente em sua perseguição e seguiu o francês de perto em toda a corrida, antes de, finalmente, fazer o seu movimento, na volta 46, na chicane, pouco antes da linha de partida/chegada. Prost, fiel à sua palavra, fechou a brecha. enquanto Senna tentava mergulhar por dentro e os dois McLarens colidiram antes de se arrastarem para a zona de escape. Enquanto Prost era forçado a abandonar, Senna foi empurrado de volta para a pista e, de alguma forma, conseguiu vencer a corrida. Senna foi desclassificado mais tarde, julgado por ter ignorado a chicane após sua briga anterior. A McLaren apelou da decisão, Senna alegou uma conspiração, mas Prost saiu vitorioso.

Senna vs. Prost, GP do Japão 1990 – Senna e Prost não eram companheiros de equipe no ano seguinte, depois da transferência do francês para a Ferrari, mas isso não significou que outra colisão icônica, controversa, não pudesse acontecer novamente. E no mesmo campo de batalha de Suzuka, também. Desta vez, Senna segurou todos os ases com vantagem de nove pontos sobre Prost e sabendo que seu ex-companheiro precisava superá-lo nas duas últimas corridas para ter uma chance de reivindicar o título. Mais uma vez, Senna se classificou na pole, embora tenha reclamado por sua posição no grid estar no lado sujo da pista ao lado do rival, no briefing dos pilotos, lembrando o seu acidente e desclassificação do ano anterior. Senna prometeu atacar Prost se perdesse o primeiro lugar no início novamente e atacar foi o que ele fez. Prost tinha a liderança na primeira curva e mantinha a sua linha de corrida, quando Senna acelerou para a menor das vagas por dentro. O contato foi inevitável e ambos os carros para a área de cascalho. Senna teve sua vingança e seu título de volta, embora esses nove segundos de corrida tenham sido, talvez, o mais controversos da F1.

Hill vs. Schumacher, GP da Austrália de 1994 – Apenas um ponto separava os ferozes rivais Michael Schumacher (92 pontos) e Damon Hill (91) em Adelaide, para uma batalha final de 81 voltas. Schumacher classificou-se em segundo lugar, com Hill em terceiro no grid e os dois conseguiram passar pelo Nigel Mansell na curva 1. Essa ordem se manteve até que Schumacher cometeu um erro e escapou na volta 36. O erro deu a Hill a chance de ultrapassar na curva 6, mas como ele mergulhou para dentro o alemão voltou, os dois carros fizeram contato e Schumacher foi parar nas barreiras, enquanto Hill mancava de volta aos boxes. Ambos abandonaram a corrida, o que significou a coroação de Schumacher como campeão mundial.

Villeneuve vs. Schumacher, GP da Europa de 1997 – Michael Schumacher estava um ponto à frente de Jacques Villeneuve na rodada final do campeonato, em Jerez de La Frontera, na Espanha. Mas tendo vencido mais corridas (7 a 5), tudo que o canadense precisava era terminar na zona de pontuação e à frente de Schumacher, pois se os dois tivessem o mesmo número de pontos, ele seria o campeão. Na classificação, Villeneuve, Schumacher e Heinz-Harald Frentzen fizeram o mesmo tempo, 1m21s072, mas o canadense teve direito à pole, por ter sido o primeiro a marcar esse tempo. Schumacher assumiu a liderança, mas,na volta 47, ao tentar ultrapassá-lo, Villeneuve foi atingido pelo alemão, que levou a pior e teve de deixar a pista. “Isso não funcionou, Michael. Você bateu na parte errada dele”, disse Martin Brundle, comentarista da corrida. Com um carro mais lento, Villeneuve foi incapaz de segurar a McLaren e acabou em terceiro, mas garantiu o título. Schumacher foi desclassificado por ter causado o acidente.

Raikkonen vs. Hamilton vs. Alonso – GP do Brasil de 2007 – Lewis Hamilton e Fernando Alonso, da Williams, viajaram ao Brasil, em 2007, como os favoritos do título, apesar de uma temporada tempestuosa como companheiros de equipe. Kimi Raikkonen, da Ferrari, ainda tinha chance matemática de conquistar o título, mas sete pontos atrás de Hamilton, com apenas 10 valendo para a vitória, certamente, faziam dele o outsider. Precisando de uma vitória e que Hamilton fosse o sexto ou menos (algo que só tinha ocorrido duas vezes toda a temporada), Raikkonen viu suas chances pareceram desaparecer quando ele ficou atrás do de Felipe Massa, da Ferrari, e Lewis Hamilton, da McLaren,na classificação. A única vantagem é que estava à frente da McLaren, de Fernando Alonso. Com uma boa largada, Raikkonen tomou o segundo lugar e, com Felipe Massa liderando, as ordens de equipe sempre poderiam garantir que o finlandês ganhasse outra posição.Mas, primeiro,ele precisaria de ajuda de trás. Hamilton tinha caído para oitavo na primeira volta e depois, uma falha mecânica o viu perder cerca de 30 segundos e cair para 18º. O título estava indo para Alonso, a menos que Raikkonen ultrapassasse Massa. Antes da última bateria de paradas, Raikkonen fez uma série de voltas incríveis para chegar em Massa e passar à frente dele na bandeira quadriculada, para ser campeão com um ponto de vantagem sobre Lewis Hamilton, que chegou em 7º, e Fernando Alonso, terceiro na corrida, ambos com 109 pontos, na classificação final.

Hamilton vs. Massa, GP do Brasil do 2008 – Um ano depois de sua batalha com Fernando Alonso e Kimi Raikkonen, Lewis Hamilton se viu em outra decisão de título na corrida final, de novo no Brasil, desta vez com Felipe Massa. Sua tarefa deveria ter sido mais fácil, pois só tinha que se preocupar com um carro e tinha uma boa vantagem sobre o segundo colocado (94 a 87), mas Hamilton fez isso da maneira mais difícil. Precisando de apenas de ficar entre os top 5, mesmo que Massa vencesse a corrida, Hamilton foi o 4º no grid, enquanto o brasileiro largava da pole. Em vez de tentar progredir, Hamilton preferiu defender a posição do Toro Rosso de Sebastian Vettel e a dupla acabou superada por Timo Glock, significando que Hamilton corria em quinto e na iminência de perder o título. Todavia, quando os pilotos começaram a última volta, a chuva ficou mais pesada e Glock lutava com pneus secos. Na curva final, Hamilton mergulhou por dentro para tomar o quinto lugar crucial e cortar as celebrações na garagem Ferrari, depois de Massa ter cruzado a linha em primeiro lugar e ficado a 38 segundos do título de campeão.

Vettel vs. Alonso vs. Webber vs. Hamilton – GP de Abu Dhabi de 2010 – A única decisão de titulo envolvendo quatro pilotos na F1 aconteceu em Abu Dhabi, em 2010 e não pela primeira vez, na história da categoria, uma reviravolta no final da temporada resultou em um inesperado triunfo no campeonato mundial. Lewis Hamilton, 24 pontos atrás, era o outsider e a desvantagem de sete pontos para o companheiro de equipe da Red Bull, Mark Webber, e de 15 pontos para o líder Fernando Alonso, dificilmente faria de Sebastian Vettel um candidato óbvio, embora tivesse ganhado duas das três corridas anteriores. Alonso, em sua primeira temporada na Ferrari, só precisava terminar em segundo ou apenas em quarto, se Vettel, que tomou a pole de Hamilton, vencesse. Mas o campeonato mudou quando os estrategistas da Ferrari decidiram, inexplicavelmente, chamar Alonso para trocar pneus muito mais cedo do que o necessário, liberando o espanhol atrás da Renault de Vitaly Petrov, que já havia parado sob um safety car. Um ano antes da introdução do DRS, o sétimo colocado Alonso permaneceu preso atrás do russo por 39 voltas, enquanto Vettel partia para uma vitória tranquila, que dava ao alemão seu primeiro título mundial por quatro pontos.

Vettel vs. Alonso – GP do Brasil de 2012 – Sebastian Vettel foi o campeão indiscutível da Fórmula 1 por quatro anos dominados pela Red Bull, mas quase veio a falhar em 2012. Ele se recuperou de um déficit de 44 pontos para Fernando Alonso de forma impressionante, na segunda metade da temporada, e tinha uma vantagem de 13 pontos na corrida no Brasil, onde só precisava terminar em quarto lugar. Uma colisão com Bruno Senna na primeira volta não só o fez tomar o caminho errado na curva 4, caindo para trás no campo, mas também causou danos significativos ao seu carro. Com Alonso em terceiro lugar e, portanto, à frente de Vettel na classificação, parecia que o espanhol iria conquistar mais uma coroa para a Ferrari.Todavia, apesar de que o abandono inicialmente parecesse inevitável, Vettel, o então bicampeão, apesar do baixo desempenho aerodinâmico, lutou na debaixo de chuva e acabou em sexto lugar, contra o segundo de Alonso. Isso lhe deu o título por apenas três pontos de vantagem. .