11/09/16

Regulamento, desafio para fãs e engenheiros

garagemf1

As recentes alterações tornaram o regulamento esportivo da Fórmula 1 bastante complexo e muitas vezes é um grande desafio para os fãs entenderem os sistemas de punição em relação às unidades de potência, ao mau comportamento na pista ou regulamentos para motores e pneus.
A complexidade da moderna F1, especialmente depois da reformulação técnica de 2014, pode confundir não apenas os fãs, mas, por vezes, coloca desafios também aos engenheiros. Regulamentações técnicas sutis indicam que várias partes do carro têm que trabalhar em harmonia e a necessidade dessa operação ganhou grande importância com a introdução da unidade de potência híbrida, três anos atrás.
O fato de as equipes empregarem muitos engenheiros, em vez de apenas um pequeno grupo de técnicos, significa que a maioria dos engenheiros não pode desenvolver uma visão geral do carro, mas tem de se especializar em uma determinada área. Como as principais equipes podem se dar ao luxo de empregar um exército de engenheiros, a escala da especialização é cada vez maior. Em contraste com isso, as equipes menores podem empregar menos engenheiros que os impele a trabalhar em diferentes projetos de desenvolvimento do carro.
Luca Furbatto, chefe de design da Manor, afirmou que seus engenheiros têm muitas tarefas para lidar porque a equipe é significativamente menor do que seus principais rivais. Isso significa que os projetos não são completamente separados e os engenheiros têm de trabalhar em diferentes partes do carro.
“A Manor é uma equipe muito pequena e nós temos aproximadamente 200 pessoas. Acho que a maior diferença com uma equipe de ponta é o tamanho do nosso escritório de design, que é muito menor, cerca de um terço ou um quarto de uma equipe do topo e, como resultado, os engenheiros não são, de fato, especializados e precisam lidar com diferentes partes do carro, o que eles acham muito motivador, muito gratificante”, disse Furbatto.
Aldo Costa, desenhista-chefe da Mercedes, revela que tudo mudou drasticamente, desde que ele começou a trabalhar na F1. O italiano teve a oportunidade de trabalhar em vários departamentos da Ferrari, o que lhe permitiu desenvolver uma ampla visão do problema.
“É um grande problema que todas as organizações da F1 têm no momento. Pessoas como eu, mudamos para muitos tipos diferentes de trabalho para tentar entender o máximo em todos os lugares. Agora, nos dias de hoje, os jovens rapazes conseguem emprego e tornam-se especialistas e não crescem com um conhecimento geral do carro. Nós estamos olhando para o próximo diretor técnico da Mercedes e estamos tentando fazer um programa para o desenvolvimento desses estudantes, tentando deixá-los entender um pouco mais”, afirmou Costa.
Franz Tost, chefe da Toro Rosso, considera que o processo de amadurecimento também depende da intenção e ambição de engenheiros. Aqueles que querem assumir um papel de líder têm que desenvolver uma visão geral, mas nem todo mundo precisa fazer isso.
“Os alunos são procedentes da universidade e, na maioria das vezes, pelo menos na Toro Rosso, já estão ligados a nós antes de terminar seus estudos, para obter alguma experiência. Em seguida, eles vão de um departamento para outro apenas para obter mais conhecimento do que está acontecendo, para obter mais experiência. E, então, eles ficam especializados dependendo do eles queiram fazer no futuro. Há alguns engenheiros que não querem ser um líderes, eles só querem ser envolvidos em um projeto técnico especial”, afirmou Tost.
A Toro Rosso tem muitas conexões com universidades italianas e de outros países. Isso permite que a equipe baseada em Faenza possa escolher os jovens mais talentosos e os estudantes podem ganhar experiência na última fase de seus estudos, com a oportunidade única de trabalhar em um dos departamentos tecnologicamente mais avançados.
Mattia Binotto, recém-nomeado técnico-chefe da Ferrari, aprecia a flexibilidade e talento de jovens engenheiros da Ferrari, que podem se adaptar muito rapidamente a um novo papel, se são convidados a mudar de posição ou até mesmo para outro departamento técnico dentro da organização.
“Na Ferrari, temos muitos jovens engenheiros e podemos ver que esses jovens engenheiros são muito qualificados, muito surpreendentes. A complexidade da nossa tecnologia tem aumentado, mas as pessoas são muito rápidas e estou bastante surpreendido com a velocidade que desenvolvem a sua competência e profissionalismo”, revelou Binotto.