Lewis Hamilton acha que ainda está “caçando” o campeonato, apesar de ter assumido a liderança pela primeira vez, com a vitória na Hungria.
O inglês correu atrás e lutou, saindo de onde ele chama de “fundo do poço”, para estar na frente de seu companheiro alemão por seis pontos. Mas ele disse que será inevitável ser punido com perda de posição no grid porque os problemas de confiabilidade, que no início da temporada afetaram seu psicológico, vão obrigar a pelo menos duas trocas de motor até o fim do campeonato,
“Estou muito orgulhoso de ter voltado, mas ainda há um longo caminho pela frente”, disse.
Rosberg liderou por 43 pontos durante um estágio após vencer as primeiras quatro corridas, pois Hamilton se prejudicou por largadas ruins nas duas primeiras etapas, na Austrália e no Bahrein. Depois vieram as falhas de peças do motor que o deixaram para trás no grid, na China e na Rússia.
As falhas no motor significam que ele vai usar mais do que o número permitido de peças de motor, o que vai significar uma largada lá atrás, bem provável que na Bélgica ou na Itália, após a próxima etapa na Alemanha e as férias de agosto.
Hamilton disse, em retrospectiva, que o acidente que tirou as duas Mercedes na primeira volta do GP da Espanha foi um momento crítico.
“A Espanha definitivamente terminou como sendo um momento decisivo. Não parecia ser, mas foi o fundo do poço: basicamente, daqui, para aonde vamos? O único caminho era para cima. Eu cuidei de colocar minha cabeça no lugar, mesmo pensando que tinha menos motores e todas essas coisas diferentes que não pareciam estar colaborando comigo; tive que lidar com isso”, disse o inglês.
Com dez corridas restantes, Rosberg diz não estar preocupado por perder a liderança do campeonato.
“Está bem apertado. A temporada tem sido boa até agora. A briga com Lewis tem sido boa e, como sempre digo, não estou contando os pontos, ainda temos um longo caminho pela frente. Tudo ainda é possível e só estou focado em vencer as corridas”, disse o alemão.
A pole de Rosberg ainda provoca discussão
A pole position de Nico Rosberg no GP da Hungria, no sábado, continua bastante criticada e comentada, após ser conquistada, supostamente não obedecendo a um trecho de bandeiras amarelas. Após a classificação, Rosberg foi convocado pelos comissários às 19h16, ou seja, mais de três horas depois do término do treino, para explicar o seu comportamento na pista.
Várias fontes afirmavam que Lewis Hamilton tinha mantido contato com Charlie Whiting e diferentes comissários da FIA, para tentar fazer chegar até eles novas informações, que aumentavam os motivos para punir Nico Rosberg. Depois da corrida, na coletiva de imprensa, o inglês comentou muitos detalhes sobre o assunto, afirmando que a velocidade naquela volta com bandeiras amarelas havia sido a mesma que na anterior. Isto mostraria a possibilidade de que Lewis Hamilton teria, mesmo, entrado em contato com a FIA para dar essas informações aos comissários e tentar tirar a pole do alemão.
Toto Wolff confirmou que Hamilton esteve em contato com Whiting depois da classificação, mas o diretor da Mercedes não quis dar importância a tais conversas. Na coletiva de imprensa da FIA ele comentou:
“Não acredito que o contato de Lewis Hamilton tenha tido influência na investigação dos comissários. Falei com Charlie Whiting para esclarecer tudo, porque como disse na coletiva de imprensa, na próxima vez a única coisa que se terá de fazer é perder um décimo de segundo, mesmo que exista um carro no meio da pista. Ele me disse que vai pensar nisso porque não é como tinha que ser”.
Hamilton disse que não acredita nas explicações dadas por Nico Rosberg diante dos meios de comunicação, nas quais afirmava que diminuiu a velocidade até 20 km/h no setor da bandeira amarela.
“Levantar e acelerar em uma curva é economizar combustível. Frear no mesmo ponto, acelerar cinco ou dez metros antes e chegar no ápice com a mesma velocidade, isso não é se preparar para parar. Na saída da curva 9 havia uma bandeira amarela dupla. Isso é importante”, observou.
Mas o tema “bandeira amarela” não provocou reações só de Hamilton e Wolff. Vários pilotos, entre eles Vettel, Raikkonen e Bottas se manifestaram sobre o assunto, que certamente vai continuar a provocar discussões.
Vettel diz que o pior da decisão da FIA de não punir o desrespeito à bandeira amarela é que a F1 é um exemplo, que pode ser seguido em outras categorias.
“A pior coisa dessa situação é que somos um exemplo e podemos imaginar que, na próxima semana, em uma corrida de kart, uma bandeira amarela é ignorada, mesmo que haja um piloto fora da pista. Estamos no topo do automobilismo e somos referência para muitos pilotos que estão ativos em outras categorias. Isso é que não gosto nessa história”.
Valtteri Bottas diz que na qualificação quando viu a bandeira amarela dupla retardou por seis décimos em uma curva e isso prova que ele estava pronto para parar. “Eu acho que é muito importante que, antes da próxima corrida, haja um esclarecimento sobre o que se entende por desaceleração”.
E Rosberg se defende:
“Eu reduzi 30 km/h naquele ponto, o que, na Fórmula 1, significa muito. E antecipei em 30 metros o ponto de freada. Então, definitivamente, reduziu significativamente a minha velocidade e é por isso que os comissários tomaram sua decisão. A pista foi secando e melhorei em outros setores”.
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