02/05/15

“Fórmula 1 vai bem, mas precisa de ajustes”

McLarenMP4-30Em reportagem deste sábado, o NY Times informa que Zak Brown, chefe da maior agência de marketing do automobilismo do mundo, através de um estudo dos Grandes Prêmios, mostra que a imagem da Fórmula 1 é positiva, mas faz um alerta claro sobre o que está errado e o que precisa ser feito para corrigir.

“Do nosso ponto de vista, o interesse é tão forte como nunca. Mas se você separar, como estamos fazendo, e olhar para o esporte como um todo…outras pessoas não estão conseguindo acordos; o carro da McLaren está completamente branco”, disse o fundador da Just Marketing Internacional, diretor-executivo da Chime Communications Sports e Entertainment, ex-piloto de corridas e apontado como provável sucessor de Bernie Ecclestone.

Brown diz que, contrariando a tendência global, o patrocínio da F1 é muito baixo:

“Isso é um fato, basta olhar para os carros. A McLaren não tem um patrocinador principal desde 2013. A Sauber tem espaços disponíveis para patrocinadores, enquanto o carro da Manor Marussia é quase uma tela em branco”, afirmou o publicitário à agência Reuters. Segundo o NY Times, esses carros se contrastam com a Lotus 98T, de Ayrton Senna, e a Benetton B191, de Michael Schumacher, exibidas na parede do escritório da Brown.

Brown diz que os desafios são solucionáveis, mas reconhece que é mais fácil dizer do que fazer, num esporte no qual as partes interessadas raramente concordam em alguma coisa.

“O potencial do esporte é inexplorado. Eu acho que ele precisa, como na indústria, ser mais bem comercializado. Os orçamentos estão fora de controle, o que obriga todo o eco-sistema do esporte a ser financeiramente tenso…o custo do esporte está fora do equilíbrio com o valor comercial do esporte. Os orçamentos são, agora, de 200, 300, 400 milhões de dólares. É uma loucura!”.

“Nós não precisamos de orçamento de 400 milhões de dólares. E, se não precisamos de orçamento de 400 milhões de dólares, não precisamos, na mesma medida, de taxas que colocam circuitos fora do negócio, o que significa que não precisamos cobrar tanto dos consumidores”.

Zak Brown diz que os patrocinadores se decepcionaram com a saída da Alemanha do calendário deste ano e haverá a mesma reação se a Itália sair e ele questiona a realização de três GPs no Oriente Médio.

“Como pode você ter três corridas lá e nenhuma na Alemanha. Eu acho que duas seriam excelentes e contribuiriam para o esporte, mas uma terceira? Eu não acho que o mercado possa suportar isso”.

Na opinião de Brown, as empresas já envolvidas com a F1 entendem essas idas e vindas naturais do esporte, mas outras podem estar se segurando:

“O que vejo é que o comparecimento é baixo, a audiência da TV cai, os carros no grid diminuem.Assim os indicadores de desempenho estão numa trajetória de queda no momento. Cada cliente que procuramos para renovar, renovou, Cada cliente que temos na F1 está feliz de estar na Fórmula 1. Mas, mesmo que o esporte seja massivo, o mercado gosta de coisas quentes e divertidas. E, agora, a F1 não temo zumbido que historicamente teve. Acho que ele pode voltar, mas eles têm de trabalhar no produto” .