05/07/16

Bernie denunciado por evasão de divisas

O jornal francês L’Equipe publica hoje ter o Le Monde revelado, ontem, que Bernie Ecclestone é uma das milhares de pessoas que aparecem nos chamados Panama Papers, documentos que denunciam acordos financeiros para esconder divisas.
O L’Equipe lembra que o gerente da F1 criou, em 1987, a Fórmula One Promotions and Administration, encarregada de gerenciar as negociações e a gestão dos direitos econômicos dos Grandes Prêmios, depois de haver obtido nos anos 70, os direitos comerciais da F1.
Os sinais de do britânico nos escritórios da panamenha Mossack Fonseca, acusada de administrar os negócios escusos, apareceram em 1994, através de uma sociedade offfshore instalada nas Ilhas Virgens Britânicas, a Valper Trading Limited, embora seu nome não aparecesse oficialmente. É sua família, notadamente sua esposa da época, a ex-modelo croata Slavica Ecclestone, através de uma nova sociedade, a Petara Limitada, instalada na ilha Jersey, que é beneficiária dessa operação financeira complexa. Em 1997, a Valper Trading Limited tornou-se Valper Holding, porque, diz L’Equipe, Madame Ecclestone incorporou duas empresas que deviam “promover e organizar provas de esportes mecânicos e receber as receitas dos circuitos da F1 de Spa-Francorchamps e Hockenheim, administrados por seu marido”.
Em 2013 e 2014, Ecclestone foi processado por corrupção na justiça alemã, que o acusou de haver subornado com 44 milhões de dólares o banqueiro do BayernLB, Gerhard Gribkowsky, para favorecer os fundos de investimentos CVC Capital Partners na venda de direitos da F1, detidos pelo banco da Bavária.
O britânico explicou durante o processo que aquela soma representava, de fato, “o preço do silêncio”, para que o banqueiro não fizesse revelações sobre seu patrimônio ao fisco britânico. Agora, os Panamá Papers se encarregaram disso.