20/11/15

Kaltenborn é contra motor independente

Monisha2Monisha Kaltenborn, chefe de equipe da Sauber, criticou o plano da FIA de introduzir na Fórmula 1 um motor padrão para a temporada de 2017 e se manifestara contra, quando a proposta for colocada em votação, nas próximas semanas.

Kaltenborn considera que a ideia de motores independentes iria criar  um sistema negativo de “duas velocidades” no esporte, enquanto há unidades de potência disponíveis a um preço mais baixo do que os turbos híbridos oferecidos pelos fabricantes.

Em entrevista à Auto Motor und Sport, a chefe da Sauber expressou suas objeções à proposta da FIA e disse que seria melhor tentar reduzir o preço dos motores atuais.

“Eu acho que não é bom para todo o esporte alterar os regulamentos novamente. Isso seria ruim para a imagem. Isso vai parecer que somos ingênuos ou fora da realidade. Nós teríamos problemas com os patrocinadores e eles não iriam querer participar. O  segundo problema é a implementação de toda a ideia. Teríamos uma sociedade de duas categorias e essa não é uma boa solução. Como se pode criar igualdade a não ser puramente pelo desempenho? Devemos, sim, focar em levar para baixo o custo dos motores atuais”, declarou Kaltenborn.

Quando perguntada se a Sauber seria tentada por um motor de 6 milhões de dólares, em 2017, Kaltenborn considerou essa hipótese muito remota e que o direito de veto da Ferrari às mudanças do regulamento tornam essas discussões inúteis.

“Seis ou sete milhões, eu acho um grande número. Espero que a Ferrari nos ofereça um motor por esse dinheiro. Eu não posso, simplesmente, imaginar que o esporte se limite ao motor. Mas sabemos que a Ferrari tem o poder de veto, então porque discutir algo quando você sabe que em algum ponto isso será derrubado”, respondeu.

A opinião de Kaltenborn é contrária a de Christian Horner, da Red Bull, que descreveu a ideia de motores independentes como uma boa solução (no-brainer, na gíria dele).

“È crucial porque estamos demonstrando claramente que não existe regulamentação determinando que os fornecedores de motores tenham que fornecer e muito menos a um preço competitivo. Então, um motor independente, para o futuro da Fórmula 1, para nós, é uma solução. Se você não pode obter motores em outro lugar, então você não pode correr, por isso é importante ter um motor econômico competitivo e se ele não pode ser o motor atual, então é preciso que haja um outro motor. Jean Todt tomou a situação muito a sério e disse muito claramente quais são seus planos”, declarou Horner.

Kaltenborn também falou da queixa que a Sauber e a Force India fizeram à União Europeia sobre a forma como a Fórmula 1 é administrada. A austríaca nascida na India explicou que a equipes estão preocupadas com os privilégios concedidos às grandes esquadras na negociação de contratos e decidiram tomar uma atitude.

“Não concordamos com os privilégios que foram concedidos a algumas equipes, seja por questões  monetárias ou em relação aos direitos de tomada de decisão. Nos tentamos o tempo todo falar com os outros. Mas se você percebe que não há nenhuma resposta e esse é o caminho, deve ir em frente”.