24/05/14

Bernie Ecclestone sugere que pode deixar a F1

 A maioria dos observadores acredita que, como o testemunho do banqueiro alemão Gerhard Gribkowsky é muitas vezes contraditório e inverossímil, é possível que Bernie Ecclestone possa escapar da acusação de suborno pela qual está sendo julgado em Munique. Mas corre o risco de perder o cargo de “chefão” da Fórmula e ele já estaria admitindo isso.

A revista alemã Auto Motor und Sport levanta a hipótese de a CVC, maior acionista da categoria, já teria decidido derrubá-lo, não importa o resultado do julgamento. Christian Horner, Flávio Briatore e Luca di Montezemolo são apontados como possíveis sucessores. Com a voz rouca, por causa de um resfriado, Ecclestone, ironicamente, acrescenta mais um nome à lista: “Eu ouvi o nome de Niki Lauda”.  E ele, que garantia só sair do paddock num caixão de madeira, já estaria admitindo: “Se a CVC me presentear com um sucessor, saio amanhã”.

Os boatos ecoam pelos bastidores da F1 no momento em que a categoria passa por problemas que, tradicionalmente, só Ecclestone tem conseguido, magicamente, resolver. O principal deles é a discussão sobre a pela redução de custos da corrida, defendida pelas pequenas equipes, com a oposição das quatro grandes construtoras. Há rumores de que as grandes construtoras estão felizes por verem a possibilidade de as pequenas perderem o braço de ferro e serem obrigadas a comprar carros, em vez de tentarem ser construtores.

Christian Horner, da Red Bull, diz que é “uma concorrência brutal e a sobrevivência do mais apto”. Muitos temem que, sem Ecclestone, a F1 enfrente uma ameaça existencial. E segundo a Auto Motor und Sport, “uma voz do padocck” teria lamentado:

“Nunca houve momento pior para perder Ecclestone”.

 

Prost crítica exagero de regras e regulamentos

 

Alain Prost, tricampeão mundial, acha que a Fórmula 1 tem dificuldades para conseguir novos fãs porque o número de regras e regulamentos introduzidos nos últimos anos fazem as corridas parecerem ter sido “escritas antecipadamente”.

A F1 perdeu 50 milhões de espectadores em 2013 e o novato V6 é recebido com vários graus de crítica dos fãs, promotores e pilotos. Prost, embaixador na F1 da fábrica de motores Renault, tem sido um defensor de regulamentos deste ano, mas está preocupado porque as corridas de hoje não são atraentes o suficiente para fazer uma pessoa vê-las pela primeira vez.

“Eu comentei uma corrida, no último fim de semana, pela primeira vez este ano. Você tem todos os tempos da volta e o número de voltas por pneus e combustível, tem todas as informações. Obviamente, eu conheço a F1 e com todas as informações você acha a corrida muito interessante. Mas, eu penso, se eu não conhecer a F1 muito bem e vê-la na TV, é uma algo que gostaria de assistir. Não estou muito certo disso”, disse o ex-piloto.

E acrescentou:

“Se eu tenho experiência da F1, eu realmente compreendo todas as informações que damos aos pilotos. Como quando nos ouvimos os pilotos dizerem “ele tocou em mim, chame Charlie (Charlie Whiting, diretor de corridas). É demais! Temos-nos um monte de restrições, um monte de regulamentos, um monte de coisas e talvez a gente tenha ido longe demais. As pessoas não querem ver tantas regras e regulamentos; elas buscam emoção e nós não temos grandes riscos, agora. Perdemos a grande emoção de quando você estava liderando a corrida e pensando que alguma cois poderia acontecer. Você precisa entender o que está acontecendo, não tudo o que já está escrito com antecedência. Nesse sentido é que penso que fomos longe demais. Tome como exemplo os pneus. Por que você é obrigado a parar pelos pneus? Porque não dar, em vez de dois, duro e macio, um outro mais duro, médio e macio. Você começaria a corrida com aquele da classificação e, em seguida, estaria em aberto, você teria liberdade (de escolha dos pneus). Então, haveria algo diferente e mais interesse”.