24/11/18

Alonso: bandeira e ponto serão um sonho

Fernando Alonso, que é o 15º no grid do GP de Abu Dhabi, disse que ver a bandeira quadriculada, no fim da corrida, sem acidente ou problema mecânico, e terminar na zona de pontuação, na sua despedida da F1, será um sonho.

“A gente está competitivo nesse fim de semana e estávamos pessimistas a respeito das nossas chances no Q1, mas de alguma forma conseguimos ir ao Q2 e isso é bom”, disse Alonso, entrevistado pela TV britânica ‘Sky Sports’. “Minha prioridade é terminar a corrida e ver a bandeira quadriculada. Se der para pontuar, seria um sonho. Estamos cinco posições atrás disso agora”.

O piloto ainda repete declarações contraditórias sobre o seu futuro e voltou a admitir a possibilidade de retornar à F1.

“Preciso de um tempo enquanto encontro alguma outra coisa para fazer. Mas estou aberto, talvez faça mais uma temporada de F1 depois disso, ou alguma outra coisa”, afirmou em Abu Dhabi.

Para prestar homenagem a Alonso, na despedida, a McLaren produziu uma pintura especial para o carro do piloto. Ela mantém o laranja, cor principal da McLaren em 2018, como predominante, mas tem detalhes nas cores amarela, azul e vermelha, utilizadas no capacete de Alonso para homenagear sua terra natal, o principado das Astúrias, e o seu país, a Espanha.

 Fernando Alonso diz que gostaria de ser “invisível” até depois do fim de semana de Abu Dhabi, pois está envergonhado pelas homenagens que ele tem antes de sua última corrida de Fórmula 1. Além da pintura especial do carro, as homenagens ao espanhol incluem macacão e um novo design de capacete.

Uma foto de despedida com todos os membros da equipe da McLaren vestindo uma camiseta comemorativa está marcada para o domingo antes do Grande Prêmio e a equipe também formará uma guarda de honra para quando Alonso for para a garagem para a corrida.

A F1 organizou uma festa de despedida no paddock de Abu Dhabi no sábado à noite, mas Alonso admitiu que quer que tudo acabe rapidamente.

“Todos esses tributos são um pouco embaraçosos para mim – sou mais tímido do que as pessoas pensam e quero que isso passe rapidamente. Eu gostaria de ser invisível até segunda-feira, mas terei que estar aqui e conversar um pouco.”

Ricciardo se despede da Red Bull

Daniel Ricciardo, assim como Alonso, faz uma corrida de despedida em Abu Dhabi. A diferença é que ele não deixa a F1, apenas troca de equipe. Em um artigo que escreveu para o The Players ‘Tribune, plataforma inglesa que acolhe depoimentos de atletas, Daniel Ricciardo comentou sobre o relacionamento com a Red Bull Racing, desde a sua chegada. Depois de cinco anos na equipe de F1, e dez anos no total no programa da Red Bull, Ricciardo se mudará para a Renault no final da atual temporada. Mas deixa clara a sua conexão especial com a equipe

“Eu realmente quero que todos vocês ouçam isso: espero que todos entendam que a Red Bull é muito mais do que uma marca. É uma família, é uma prova do que é possível. Se um time pode fazer tudo isso: ganhar campeonatos de futebol, construir os carros mais rápidos, contratar os melhores jogadores, participar de corridas aéreas, do que todos nós somos capazes? A Red Bull faz tudo isso, e eu adorei fazer parte disso.”

Ricciardo foi contratado pela Red Bull em 2007, e fez sua estreia na F1 em 2011. Pilotou para a Toro Rosso por vários anos antes de receber a promoção da Red Bull em 2014, com Mark Webber deixando a equipe. A corrida de domingo será sua centésima para o time.

“Eu me sinto incrivelmente privilegiado por ter pilotado para a Red Bull e fazer parte da família Red Bull por 10 anos. Eles me deram o meu tempo, e sem o Dr. Marko me observando todos esses anos atrás, eu não acho que teria sido capaz de fazer o meu caminho para a F1, para o meu emprego dos sonhos. Vou me lembrar desse time, dessas pessoas maravilhosas, dessa família, para sempre”.

“E esse pensamento, ali mesmo, é quando eu encontrei clareza. Eu fiz tanto com a Red Bull… Eu me tornei quem eu sempre quis ser, bem ao lado deles. E eu sei, eu sei , que eu posso deixar de ter dado tudo a eles e ter recebido o mesmo em troca”. o.

Ricciardo revelou no texto da The Players que “não estava pronto” para chegar à F1 quando Marko, chefe da Red Bull, ligou em sua casa para avisá-lo que, em oito dias, substituiria Narain Karthikeyan, na HRT, na nona etapa da temporada.

“Eu pensei que estava pronto. Então a ligação veio. E eu não estava pronto. Eu estava na minha cozinha em Milton Keynes, no Reino Unido, com meus pais em um dia chuvoso de junho de 2011. Meu telefone tocou na mesa. Era Helmut. ‘Daniel’, disse ele, ‘você vai pilotar pela HRT na próxima semana no GP da Inglaterra’.”
“Eu quase deixei cair o maldito telefone. Voltei para a sala, e meus pais sabiam que algo estava acontecendo. Eu disse a eles que iria correr com um carro de F1 em oito dias”.

O piloto fala também da primeira entrevista coletiva, ao lado de pilotos que admirava:

“Esse fim de semana inteiro foi confuso. Eu me sentei ao lado de Rubens Barrichello na coletiva de imprensa. Tinha meu cabelo desalinhado debaixo do meu boné, eu parecia um idiota (haha). A imprensa pedia a Rubens que me desse alguns conselhos. Eu fiquei, tipo, ‘assisti esse cara toda a minha vida, e ele provavelmente nunca ouviu falar de mim. Lewis Hamilton me puxou de lado depois que acabou. ‘Você vai ficar bem. Somente olhe ao redor de vez em quando e divirta-se’. Para um campeão do mundo tirar um tempo do seu GP para vir falar comigo, na verdade me acalmou muito. Eu tomei quatro voltas no domingo, o dia foi uma bagunça total, mas foi incrível. Aprendi que o ritmo de uma volta é apenas uma pequena parte do que torna um piloto tão bom. Eu aprendi que há exatamente um milhão de botões no volante. E aprendi que pilotar um carro de F1 é que há de mais divertido que você pode ter. Esse último ponto é super importante. Sempre tem de ser divertido.”