12/01/22

A FIA tira Masi e Tombazis de organograma

O site da Federação Internacional de Automobilismo atualizou nos últimos dias o organograma da entidade, com os principais cargos da gestão do novo presidente, Mohammed ben Sulayen, e chamou a atenção a ausência de dois nomes: o do diretor de provas da Fórmula 1, Michael Masi, e do diretor técnico de categorias de monopostos, Nikolas Tombazis.

Na versão anterior do organograma, publicada em outubro de 2021, ainda sob a gestão de Todt, os nomes dos dois constavam na área de monopostos (single seaters em inglês).

Na versão publicada neste mês, a parte de monopostos aparece como chefiada por Peter Bayer, Secretário Geral de Automobilismo da Federação. Segundo o site da FIA, Bayer é responsável pelas atividades da instituição no departamento desportivo, facilitando a troca de informações entre os clubes e implementando as decisões tomadas pelo Conselho Mundial do Esporte a Motor.

Após admitir que as ações do diretor de prova poderiam sujar a imagem da categoria, a FIA, ainda nos dias finais da gestão Jean Todt, anunciou uma investigação ampla sobre os acontecimentos de Abu Dhabi, afirmando que os resultados trariam mudanças nos procedimentos de corrida, evitando a repetição de algo do tipo.

Eleito cinco dias após o GP de Abu Dhabi, o novo presidente da FIA, Mohammed ben Sulayem, disse apoiar a investigação, e afirmou que aguardaria os resultados antes de tomar decisões sobre o que precisaria mudar, algo que incluía o futuro de Masi.

Tombazis não estava diretamente ligado ao caso de Abu Dhabi, sendo o responsável técnico das categorias de monopostos, enquanto Masi ficava com as questões desportivas. Mas rumores apontam que, para abandonar recurso contra o resultado do GP, o que levaria o caso aos tribunais, a Mercedes havia pedido a saída de ambos de seus cargos, apesar de Toto Wolff ter declarado publicamente que não era a favor da saída do australiano.

Tombazis chegou à F1 em 1992, na área de aerodinâmica da Benetton, passando, em 1977, para a Ferrari, onde chefiou o departamento de aerodinâmica. Após uma rápida passagem pela McLaren, voltou à equipe italiana, onde ficou até 2014. Em 2018, foi apontado pela FIA como diretor técnico das categorias de monopostos.

Em seus anos no cargo, Tombazis deu o aval para o acordo entre a FIA e a Ferrari no começo de 2020 sobre a possível ilegalidade no motor da equipe italiana em 2019. Ele também foi o responsável por ratificar as mudanças no regulamento para o último ano envolvendo o assoalho e a redução de downforce.

Masi iniciou sua carreira no esporte como voluntário das equipes de Super Touring na Austrália. Após alguns anos, passou para a área da direção de prova, começando como vice-diretor na Supercars. Em 2018, chegou às Fórmulas 2 e 3, como vice-diretor de provas e, após a morte súbita de Charlie Whiting, dias antes do GP da Austrália de 2019, assumiu o cargo às pressas.

Ainda não se sabe se a FIA oficializará a saída de Masi e Tombazis e, o mais importante: quem será convocado para substituí-los. No caso de Masi, um nome que se destaca como possível substituta é Silvia Bellot, que ocupa o cargo de diretora de provas da Fórmula 2 e 3. A ascensão da espanhola seria similar à do australiano, por já estar envolvida com as categorias que correm ao lado da F1.

No fim da tarde de quarta-feira, a FIA anunciou que no dia 3 de fevereiro concluirá as investigações sobre o GP de Abu Dhabi