No GP da Austrália uma luz brilhante foi vista na parte de baixo do carro de Lewis Hamilton em alguns momentos da prova do último domingo. A luz era um sensor usado pela Mercedes, em busca da solução para seus problemas de porpoising.
Em extenso texto com análise técnica de Giorgio Piola, que segue, o portal Motorsport.com registra que equipe alemã acredita que, se conseguir entender o que precisa fazer para evitar que o carro de 2022 fique quicando nas retas, poderá montar uma janela de funcionamento melhor, entregando automaticamente um passo adiante na performance. A dificuldade, assinala o técnico, é que, até agora, a Mercedes ainda não chegou à origem da causa do porpoising, e exatamente quais fatores causam o aparecimento do fenômeno
O chefe da Mercedes, Toto Wolff, admitiu que existem alguns “duendes escondidos” no carro que precisam ser descobertos, e as coisas estão especialmente confusas porque, independente do que era feito em termos de ajustes ao longo do fim de semana em Melbourne, o impacto sobre o problema era praticamente inexistente.
O porpoising parece ser menos frequente durante as corridas e, como forma de compreender porque isso acontece, a Mercedes optou por instalar um sensor óptico de altura durante o fim de semana na Austrália no carro de Hamilton.
O sensor, que emite uma luz quando está ligado, mede a altura do carro e a sua trajetória em relação à pista, sendo usado para entregar respostas sobre o que acontece exatamente nas retas e nas curvas.
Esses aparelhos são muito comuns na F1, mas normalmente são usados apenas nas sessões de treinos livres, porque acrescentam peso extra ao carro, entre 1 e 2kg. Mas a Mercedes sentiu que os benefícios de manter o sensor na classificação e na corrida pelo conhecimento extra superavam quaisquer negativos vindos do aumento de peso.
Como Hamilton explicou em entrevista à Sky Sports F1: “Tenho um negócio no meu carro que torna ele um pouco mais pesado, mas não é um grande passo. Com sorte, ajudará a equipe a ter mais informações nas corridas…”.
O sensor de luz não foi o único exercício conduzido pela Mercedes para coletar mais dados, pois em algumas saídas durante os treinos livres, ela acrescentou outros sensores ópticos de altura dentro dos pods, na borda do assoalho.
A busca por respostas sobre porpoising significa que a Mercedes deu uma pausa em seu programa de atualizações para o W13, para não confundir ainda mais ao mudar a configuração do carro. É por isso que a equipe ainda não introduziu uma asa traseira dedicada ao baixo downforce, seguindo com uma versão modificada da asa de alto downforce com a qual iniciou a temporada. Com o porpoising sendo a prioridade, foco está maior no ritmo de corrida, sabendo que Ferrari e Red Bull estão fora do alcance aos sábados neste momento.
O trabalho que vem sendo feito pela Mercedes é incrivelmente intenso, já que não busca apenas encontrar o ponto ideal de performance, mas também uma forma de intercambiar ajustes, tanto mecânicos quanto aerodinâmicos. Isso ficou claro com Hamilton e George Russell mudando um ajuste de asa traseira com e sem a aleta Gurney na borda enquanto também ativamente tentaram levar o carro a uma direção que piora o porpoising como forma de coletar dados para entender melhor como lidar com isso.
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