30/01/16

Grupo de Estratégia não chega a acordo sobre regras

A reunião do Grupo de Estratégia da F1, de ontem, na Inglaterra, que deveria definir as novas regras técnicas para os carros de 2017, terminou com posições divergentes e sem consenso, segundo informam os sites do jornal espanhol, Mundo Deportivo e da revista italiana Omnicorse.

As mudanças deveriam se referir às regras para os chassis e a aerodinâmica, porque os motores atuais deverão continuar até 2020 e, possivelmente, com algum ajuste, até 2024.

A data limite para a decisão a respeito do carro é 1º de março, porque essa é, mais ou menos, a data em que as grandes equipes começam a projetar os carros para a temporada seguinte, diz o Mundo Deportivo. Ainda de acordo como jornal, a esta altura, parece pouco menos que impossível se chegar a um acordo até essa data, pois só resta uma reunião do Grupo prevista, coincidindo com os primeiros testes da pré-temporada, em Barcelona, entre os dias 22 e 25 de fevereiro.

As dificuldades para acordo são tantas que a Williams já pediu formalmente para que a introdução do novo regulamento seja adiada para 2018.

 

Bernie Ecclestone parece bastante aborrecido com a situação atual, a que se chegou devido ao Pacto de Concórdia, que exige unanimidade para introduzir modificações. “A Mercedes e a Ferrari têm neste momento a carta na maga, Podem bloquear qualquer proposta”, lembra Bernie, que assim como Jean Todt, presidente da FIA, quer mudanças na governança da F1.

Inicialmente, a F1 se propunha a recuperar a velocidade dos carros de uma década atrás. Atualmente, eles são quase 6 segundos mais lentos por volta e a diferença para a GP2 ou a Fórmula V* 3.5 é ridícula, especialmente se se levar em conta os investimentos nessas categorias e o necessário para a F1.

Segundo a Omnicorse, a proposta era estabelecer uma lista de componentes cujo desenvolvimento deveria ser bloqueado, para baixar os custos e torná-los acessíveis a todas as equipes.  Na reunião, falou-se de bateria, injetores, velas de ignição, mas não se falou do turbo, MGU-K ou MGU-H, deixando plena autonomia para a gestão do ERS.

Como o tema do motor não foi resolvido, e a intenção é de deixar o assunto para 2018, conforme autorização concedida pelo Conselho Mundial da FIA, Bernie Ecclestone e Jean Todt poderão decidir oficiosamente a questão, caso não haja acordo no Grupo de Estratégia.

Das 11 equipes do grid, 8 tinham concordado sobre as mudanças nos carros, mas a Red Bull discordou, alegando que os monopostos com pneus mais largos e asas maiores serão mais rápidos, “mas a influência da aerodinâmica não vai permitir ultrapassagens em sequencia”. E, então, talvez seja melhor não mudar nada.

A segurança para proteger o cockpit também foi discutida.  A FIA apresentou três propostas diferentes, graças às quais a cabeça do piloto deverá ficar menos exposta a um choque frontal. A solução que mais agradou foi a Halo, da Mercedes, um “colar” de carbono, aprovado por muitas equipes, embora algumas queiram autonomia no desenho, para adaptar a estrutura ao seu veículo.

Em suma, registra a Ominicorse, não houve acordo sobre nada, nem mesmo quanto à possibilidade de a Pirelli desenvolver teste específico para os pneus mais largos de 2017: a fábrica deve projetar e testar os novos pneus apenas no simulador.

Para Otmar Szafnauer, diretor de operações da Force India, o atraso na definição das regras para 2017 poderá prejudicar as equipas com menor disponibilidade financeira, porque não podem começar a investir ou a trabalhar com base em hipóteses.

“Para nós, sem dúvida, os atrasos tornam as coisas mais difíceis. Seria melhor se soubéssemos mais cedo, porque não temos recursos para começar a desenvolver com base em ‘adivinhações’, enquanto outros talvez o façam”, afirmou, acrescentando: “Precisamos esperar até que o regulamento seja publicado, devido aos nossos recursos limitados. Não temos 800 pessoas. Por isso, executar um programa paralelo é difícil. Saber quando mudar é uma decisão estratégica que teremos de tomar. Obviamente que ainda não decidimos isso e não iremos decidir até sabermos a nossa competitividade em relação a 2016.”