“Com a escolha de pneus médios e macios deveremos ter uma corrida com, pelo menos, duas paradas e condições ideais de disputa nos pontos de ultrapassagem”. A previsão é do engenheiro-chefe do autódromo de Interlagos, Luis Ernesto Morales, transmitida depois que a Pirelli anunciou a troca dos compostos para a corrida de Interlagos.
A assessoria de imprensa do GP do Brasil, que divulgou a declaração, informa também que teste de aderência feito na quinta-feira, em Interlagos, apresentou um excelente coeficiente, superior aos anteriores. Em 2012 e 2013, a Pirelli trouxe pneus duros e macios para Interlagos.
Segundo a informação, o tipo de composição do asfalto de Interlagos é mais próximo da pista de Spa-Francorchamps, na Bélgica, que também utiliza o tipo SMA (stone matrix asphalt) que, habitualmente, é empregado nas pistas de aeroportos. O asfalto deve ser o mais plano possível, com bom coeficiente de aderência, drenagem e resistência à deformação como explica Pedro Luis Nascimento, um dos responsáveis pela engenharia do Grande Prêmio. A escolha para Spa também foi a mesma: pneus médios e macios.
Nos próximos dias, a pista passará pelo processo de ‘retexturização’, um processo para eliminar a película que se forma sobre o novo asfalto. Sem esta película que torna a pista escorregadia, as condições de aderência e drenagem da pista em caso de chuva passam a ser as ideais para uma corrida de Fórmula 1. A ‘retexturização’ é feita com um jato d’água sob alta pressão e sucção simultânea.
“Todo esse trabalho tem um único objetivo: melhorar ao máximo o contato entre pneu e pavimento”, diz Pedro Luis.
Para receber uma corrida de F1, a composição de asfalto é bem mais complexa do que a da utilizada em estradas ou cidades. E também diferente de um circuito para o outro de acordo com as condições do clima e do próprio traçado.
Pirelli cede e muda os pneus
Após reclamações dos pilotos, principalmente de Felipe Massa, que considerou perigosa a primeira escolha, de pneus médios e duros, a Pirelli voltou atrás e mudou a seleção de compostos para Interlagos. No GP do Brasil, nos dias 6 a 9 de novembro, serão usados os pneus médios e macios.
A decisão da fábrica foi anunciada após reunião com o Grupo de Trabalho de Pneus e de acordo entre todas as equipes. A mesma seleção será usada no GP dos Estados Unidos, em Austin.
Em comunicado, a Pirelli explica que, embora os pneus duros e médios tenham sido os utilizados no Brasil nos últimos dois anos, o recente recapeamento da pista de Interlagos pede uma mudança para os médios e macios.
O diretor de automobilismo da Pirelli, Paul Hembery, disse que a fábrica italiana estaria sempre aberta a quaisquer alterações julgadas necessárias e esclareceu:
“Após nova vistoria técnica referente ao impacto da pista e juntamente com uma avaliação sobre o risco da mesma, que mostrou baixa probabilidade de superaquecimento dos compostos, devido à alta temperatura da pista, fizemos essa mudança com consentimento de todas as 11 equipes”.
Permanência na F1 custa milhões
O Brasil teve que gastar milhões nesta última reforma visando a modernização do circuito de Interlagos porque, devido ao envelhecimento, o circuito estava correndo o risco de sair do calendário.
A principal mudança está sendo o asfalto, que foi totalmente recapeado. Para a próxima temporada, as equipes contarão com instalações completamente novas no paddock e no pit lane.
Segundo a agência de notícias espanhola, EFE, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse que um programa de investimentos do governo federal financiou as melhorias.
“Senão fosse o programa, nós estaríamos em uma situação bem delicada e com sério risco de perder a corrida para outra cidade”, contou Haddad.
A TV Globo também citou o prefeito dizendo que: “É a maior reforma desde 1990 porque estávamos correndo o risco de perder a Fórmula 1 para outra cidade latino-americana, como Buenos Aires”.
As declarações do prefeito foram feitas ontem durante vistoria do circuito, sobre a qual a assessoria de imprensa do GP do Brasil distribuiu a seguinte nota:
“O prefeito Fernando Haddad, o ministro de Turismo Vinicius Lages, a vice-prefeita Nádia Campeão, o secretário municipal de Turismo Wilson Poit, o secretário municipal de Infraestrutura e Obras Roberto Garibe e o promotor do GP Petrobras do Brasil de F1 Tamas Rohonyi estiveram em Interlagos nesta quinta-feira para observar as obras finais no circuito para receber a Fórmula 1 que acontece nos dias 7, 8 e 9 de novembro. E a impressão foi a melhor possível.
“É a maior reforma do autódromo desde 90. Começou este ano e será concluída em 2015 com a nova área de boxes”, explicou o prefeito Fernando Haddad, durante a visita.
“Agradecemos à Prefeitura e ao Governo Federal. A Fórmula 1 já renovou seu contrato com a Prefeitura até 2020. Vou recomendar que a renovação seja estendida até 2030”, avaliou o promotor Tamas Rohonyi.
“Uma corrida de Fórmula 1 atrai visitantes e é vista em todo o mundo. Isso é ótimo para o turismo. Por isso o ministério, através do PAC, está investindo nessa obra”, justificou o ministro de turismo Vinicius Lages. O repasse do PAC para Interlagos é de R$ 160 milhões.
Wilson Poit e Roberto Garibe, por sua vez, deram todos os detalhes sobre a reforma, destacando principalmente o recapeamento completo da pista, novo piso da área de boxes e as novas entrada e saída de box cujo foco principal é garantir ainda mais segurança durante a Fórmula 1 e as demais categorias que utilizam o autódromo.
As obras que complementarão a reforma devem começar em dezembro. Serão novos boxes, aumentando de 23 para 27 unidades de acordo com as exigências internacionais, novos boxes auxiliares para eventos suporte na saída do S do Senna e aumento e modernização do paddock.
A SP Turis destacou a força da Fórmula 1 que, em 2013, rendeu cerca de R$ 560 milhões em exposição da cidade (reportagens, transmissão ao vivo, etc). E indicou ainda que 77 milhões de lares receberam, em 2013, as imagens do GP Petrobras do Brasil de Fórmula 1.
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