Vácuo

(publicado originalmente em CD ROM Enciclopédia da F1/1996)

vacuo

Uma das expressões mais comuns na Fórmula 1 é “fulano pegou o vácuo de sicrano” e conseguiu a ultrapassagem. Ou então, “sicrano estava no vácuo de fulano, por isso rodou na curva”.  Que espécie de figura é essa que às vezes ajuda numa ultrapassagem e em outras joga um piloto no guard-rail? O vácuo é uma zona sem ar que se forma atrás de um carro em alta velocidade. Mauricio Gugelmin define tal situação como “ingressar num câmara sem gravidade, onde não existe o ar frontal, que comprime o carro contra a pista, dando-lhe sustentação e a aderência necessárias para sua estabilidade na pista”.

Usar bem o vácuo pode levar um carro menos potente a superar um que tenha um motor mais forte numa corrida de Fórmula 1. Segundo os pilotos, para aproveitá-lo bem, o melhor é entrar numa reta a cerca de 50 metros de distância do carro da frente e ser “sugado” por ele. Isso acontece porque a falta de resistência ao ar aumenta a velocidade de que vem atrás rapidamente. No momento certo, quando o carro embala o suficiente, deve-se sair do vácuo e aproveitar o embalo para fazer a ultrapassagem. Nas curvas, em compensação, não se deve entrar no vácuo. A ausência de ar tira a eficiência dos aerofólios, cuja função é exatamente usar o vento para “grudar” o carro no chão.

Nas curvas de baixa, o vácuo tira apenas a aderência da parte dianteira do carro, o que não representa um grande problema. Nas de alta, o vácuo se transforma em turbulência e os pilotos se tornam passageiros, sem poder de controle sobre as reações do carro. Existem curvas típicas onde é bobagem entrar no vácuo: a Parabólica, de Monza; a Ayrton Senna, do Estoril e a Peraltada, do México, estão entre elas.

O antigo Sol, em Interlagos, também. Na chuva, é quase impossível aproveitar o vácuo, porque ele implica uma aproximação perigosa ao carro da frente. Isso, com água é muito arriscado por causa do “spray” levantado pelas rodas traseiras, que praticamente zera a visibilidade. Senna teve uma experiência muito esquisita com o vácuo, em 1984, que mostra como ele pode ser perigoso.

Nas primeiras voltas do GP da Alemanha, em Hockenheim, ele estava com seu Toleman atrás de uma fila de carros que resultou num “vácuo enorme”, nas palavras do piloto. “A resistência era tão baixa que eu tive a impressão que tinha entrado num túnel muito estranho”, contou o piloto. “Penetrei naquele nada sem sentir a mínima turbulência e com resistência zero.

Eu não sentia nenhum vento, nenhuma brisa. Tinha a sensação de estar parado, apesar de estar a quase 300 km/h.”. Senna disse que parecia flutuar e o impacto do vácuo foi tamanho que ele, uma volta depois, perdeu o aerofólio traseiro. “O mais curioso é que ele quebrou para frente, sugado, quando o normal seria quebrar para trás. Girei, dei cinco cavalos de pau e bati no guard-rail num acidente muito feito”, concluiu o piloto.

Para mais informações, sugere-se acessar:

http://f1gps.wordpress.com/2012/11/29/vacuo/