Publicidade

Telemetria


A partir do início dos anos 80 os computadores tornaram-se equipamento obrigatório na Fórmula 1. Eles surgiram timidamente, sistematizando cronometragem e controlando parâmetros como consumo de combustível e regime de rotações. Depois, passaram a fazer de tudo. De dentro dos boxes, potentes computadores recebem, em tempo real, informações dos carros através de sinais emitidos por ondas de rádio. É o que se chama de telemetria. Por ela é possível dizer exatamente em que ponto da pista o piloto troca de marcha, onde freia e onde acelera. Pode-se, também, simular uma volta ideal para que o piloto aproveite ao máximo as características de seu carro em cada circuito.

Só no que se refere ao motor, a eletrônica embarcada atua:

  1. Monitorando e regulando o sistema de injeção de combustível.
  2. Controlando o sistema de ignição.
  3. Controlando sistemas auxiliares, como os aceleradores “fly by wire”, que funcionam eletronicamente através de sensores instalados no pedal.
  4. Preservando o motor fazendo com que ele funcione no limite dos parâmetros preestabelecidos de  rotação, velocidade e temperatura. Se esses limites são rompidos, os sistemas eletrônicos automaticamente “cortam” o motor, evitando que ele quebre.
  5. Analisando dados e projetando modificações que podem ser usadas em novos projetos.

A telemetria ainda monitora dados de chassi, transmissão, suspensão e aerodinâmica. Hoje em dia, é indispensável contar com os serviços de empresas especializadas em eletrônica embarcada na Fórmula 1. Algumas equipes têm suas próprias empresas, como a TAG _que faz parte do grupo McLaren. Outras compram os serviços de companhias como a Magneti Marelli (Ferrari), Peugeot Sport (Jordan) e Ford Electronics (Sauber).

Não é preciso muita gente para trabalhar nos departamentos de telemetria das equipes. É melhor até que a estrutura seja enxuta para evitar vazamento de dados para equipes rivais. Um time-padrão tem um engenheiro responsável pelos sistemas de controle de motores, outro que desenvolve os programas de computador e mais um encarregado da análise dos dados. São os cabeças da telemetria. No total, com 15 engenheiros é possível cuidar da eletrônica de uma equipe de Fórmula 1.
As empresas desenvolvem softwares específicos para cada equipe, de acordo com suas necessidades. O programa da Peugeot, utilizado na Jordan, é o Cormoran, que começou a ser usado em 1989, quando a fábrica francesa disputava o Mundial de Marcas. Na fábrica da Peugeot, em Velizy, é possível testar o hardware _sensores, atuadores, caixas-pretas e sistemas de cabos de fibra ótica_ em simuladores, para evitar problemas em situações de corrida.

O crescimento da telemetria nas competições automobilísticas levou à criação de um novo tipo de profissional, o engenheiro mecatrônico, ou seja, aquele que entende de mecânica pura e de eletrônica ao mesmo tempo.

Nas corridas, o staff de telemetria é ainda mais reduzido. Com quatro engenheiros é possível conduzir o trabalho num fim-de-semana de GP. Normalmente o equipamento é composto por sete computadores de última geração ligados aos sensores instalados no carro e também às caixas-pretas, que armazenam dados constantemente.
Nos boxes, o equipamento de telemetria ocupa uma área de pelo menos 15 metros quadrados. São nove telas diferentes ligadas aos computadores: quatro para os motores, quatro para os chassi e uma para o chefe da equipe de telemetria monitorar tudo.

Nos carros são instaladas três caixas-pretas. Duas são computadores de bordo. O primeiro controla os sistemas do motor e o segundo monitora os parâmetros do chassi _incluindo câmbio, embreagem e sistemas auxiliares do motor. Cada um desses computadores é capaz de registrar até 12 milhões de informações. A terceira caixa-preta é responsável pela transmissão de dados para os boxes e também pelo fornecimento de informações ao piloto através do painel _como número de voltas, tempo das voltas, consumo, temperatura etc.

As três caixas-pretas são interligadas através de 150 metros de cabos de fibra ótica e 50 conexões. Um carro de Fórmula 1 carrega, em média, 60 sensores, metade deles no motor.

As informações sobre o comportamento do carro na pista são enviadas pelos computadores de bordo aos boxes de várias maneiras. Primeiro, em tempo real, enquanto ele está rodando, sem interrupção. Os computadores recebem dados de dez a 20 parâmetros pré-determinados, como rotações por minuto, temperatura do óleo e da água, pressão dos pneus e do óleo, seleção de marchas etc.

Um segundo sistema de telemetria coleta dados volta a volta, cada vez que o carro passa diante dos boxes. Esses dados são imediatamente processados pelos computadores e permitem uma análise mais cuidadosa do que a partir das informações obtidas em tempo real, sem interrupção. Cada vez que o carro passa diante dos boxes e envia os dados, este segundo sistema de telemetria é zerado e o computador começa a aquisição de dados novamente.

cronometragem_01Um terceiro sistema é utilizado quando o carro está parado no grid antes da largada, por exemplo, ou nos pit stops. Nesses casos, um laptop é ligado por cabo imediatamente a uma conexão na carenagem do carro e os dados dos computadores de bordo são transferidos para o computador pessoal dos engenheiros. É possível chupar 40 megaqbytes com tal operação. O cabo que liga o laptop aos computadores de bordo é chamado pelos engenheiros de “cordão umbilical”.

Os dados recebidos no laptop permitem uma análise completa dos dados armazenados nos computadores de bordo que, às vezes, não chegam aos boxes quando o carro está andando, por problemas de transmissão de rádio. Isso acontece com freqüência em circuitos como Mônaco (por causa do túnel), Spa e Hockenheim (por causa da vegetação, do tamanho dos circuitos e de seu relevo acidentado).

Dos dados coletados pelos computadores, entre dez e 20 parâmetros são considerados vitais e monitorados constantemente. Entre 30 e 50 parâmetros só são analisados quando o carro está parado nos boxes, entre um treino e outro.

Em acordo com  a FOM a fábrica suíça de relógios Rolex passou a ser responsável pela  a cronometragem das corridas da Fórmula 1, a partir de 2013.

Sala de telemetria da Red Bull

BZh9kiPCQAAs_LO