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Comunicação

Comunicação pelo rádio

A comunicação entre pilotos e equipes, durante uma corrida pode ser feita através dos sinais em placas mostradas nos boxes ou através de um sistema de rádio. Nas placas são dadas informações sobre a colocação, o tempo, número da volta e colocação dos concorrentes imediatamente à frente ou atrás.

comunicacao_01Pelo rádio, o piloto troca informações técnicas e estratégicas com a equipe. No carro, o piloto tem um microfone instalado no capacete e controlado por um botão colocado no volante e um transmissor/receptor na frente do cockpit.

Sentado diante do monitor do sistema, o engenheiro de chassi acompanha o desempenho do carro e transmite as informações relevantes ao chefe da equipe. O mesmo acontece com o engenheiro mecânico, que diante de outro monitor observa os ajustamentos necessários para obter o máximo de performance da máquina.

O chefe da equipe é a única pessoa em contato direto com o piloto. Qualquer informação do piloto para a equipe e vice-versa é transmitida por ele. Quando não é possível usar o sistema de rádio, as informações são passadas ao mecânicos que, durante o pit-stop as transmitem ao piloto.

A comunicação entre o carro e a equipe é feita através de uma antena colocada diante do pit. As freqüências de rádio são determinadas previamente pela Foca para não interferir nas transmissões locais.

Pelo regulamento da FIA posto em vigor em 2004,  uso do rádio só é permitido, com  as comunicações abertas  aos fiscais da fia e às emissoras de TV.

Durante os treinos, dentro do box, o piloto acompanha o desempenho dos adversários através de um monitor de TV preso ao teto e que desce até a altura do cockpit. O monitor mostra os resultados obtidos e a posição que cada piloto ocupa no momento.

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Pitwall

Um sistema informatizado mantém os jornalistas que cobrem as corridas de Fórmula 1 imediata e constantemente informados do que se passa nos boxes das equipes.
Informantes colocados nos boxes, munidos de walkies-talkies, acionam o aparelho, digitando o número do carro e um código correspondente ao tipo de ocorrência.

A informação é imediatamente exibida nos computadores da sala de imprensa.
Os códigos são agrupados por partes do carro: de um a 20, motor; de 30 a 36, suspensão; 40 a 49, carroceria; 69 a 79, pneus. Se um piloto pára no box com problema no motor, por exemplo, o informante aperta a tecla correspondente ao número do seu carro e outro, de um a 20, para indicar qual é o problema.

 

classic_magazin_0115_neubauer-01_680x379No site projetomotor.com.br, Lucas Santocchi conta que a primeira forma de comunicação entre box e piloto no carro aconteceu em provas dos anos 30 e foi desenvolvida pelo alemão Alfred Neubauer, chefe de competição da Mercedes entre 1926 e 55. Ele criou um sistema com sinais de bandeiras e placas para informar seus pilotos sobre a estratégia de corrida. O problema era que o box conseguia passar informações, mas o piloto tinha dificuldades para responder ou fazer alguma solicitação. Então, nos anos 1950, um dono de equipe da Nascar, Raymond Parks, teve a ideia de utilizar walkie-talkies para conversar com seus pilotos. A medida foi inicialmente considerada ilegal, mas alguns anos depois a Nascar resolveu liberar a comunicação e, em 1960, Jack Smith se tornou o primeiro piloto a vencer uma prova utilizando sistema de rádio originalmente fabricado para ser usado em caminhões de carga nas estradas.

A primeira utilização do sistema na F1 aconteceu apenas nos anos 1970. O ex-piloto de caças, Colin Chapman resolveu colocar headphones dentro dos capacetes de seus pilotos para conversar com eles de forma mais clara enquanto estavam nos boxes. O engenheiro plugava um fio ao capacete do piloto enquanto ele estava parado no pit e assim, mesmo com o barulho do motor, ele conseguia trocar rápidas informações e ideias sobre estratégia de corrida.

colin chapman

A comunicação através do rádio com o carro rodando na pista começou apenas em 1984, tendo a Brabham como precursora da ideia e diversas equipes passando a utilizar o equipamento na mesma temporada.

O sistema rapidamente se mostrou grande vantagem, apesar de, em alguns casos, não funcionar em pontos da pista e sofrer interferência externa. Em Mônaco, por muitos anos, a comunicação praticamente não funcionava por causa dos prédios, assim como em Hockenheim, Monza e Spa, devido às árvores. Em uma prova em Brands Hatch, Ayrton Senna começou a reclamar que recebia informações estranhas em seu rádio. Descobriu-se que o buffet que trabalhava em uma área interna do circuito estava utilizando a mesma frequência que ele.

Essa comunicação foi regular durante toda a prova, durante muitos anos. Estratégias de corrida, soluções dos engenheiros para melhorar o desempenho ou corrigir problemas no carro e informações das mais variadas eram transmitidas o tempo todo em uma conversa constante.

fernando is fasterAyrton Senna era um dos pilotos que mais falava pelo rádio e algumas frases ditas pelos pilotos ficaram famosas. No GP da Alemanha de 2010, Felipe Massa foi surpreendido pela mensagem da Ferrari: “Fernando é mais rápido que você. Entendeu a mensagem?”. Kimi Raikkonen pediu ao seu engenheiro para parar de passar informações, durante GP de Abu Dhabi de 2012: “Me deixe em paz, eu sei o que estou fazendo”. “Não vou deixar passar. Se ele chegar perto o suficiente, pode me passar”, respondeu Lewis Hamilton, à ordem da Mercedes de abrir caminho para Nico Rosberg, em 2014. “Nico acabou de me acertar! Nico me acertou!”, gritou Hamilton durante o GP da Bélgica, quando Rosberg tentou ultrapassar e o acertou, tirando os dois da pista. “Tirem essa porra de Williams do meu caminho”, gritou Daniel Ricciardo contra Valtteri Bottas, na classificação do GP da Malásia, de 2014. No ano passado, Fernando Alonso reclamou de seu propulsor Honda, dizendo apenas “Motor de GP2”, ao ser ultrapassado em Suzuka.

Lívio Oricchio lembra que, com o aperfeiçoamento do sistema a interferência dos técnicos das escuderias, nos boxes ou na mureta dos boxes, realmente excedeu todos os limites. O piloto foi transformado num mero executor de ordens; perdeu a importância no resultado do treino, da classificação ou da corrida.

Em 2014, esse excesso obrigou a FIA a intervir, impondo restrições ao uso do rádio, a partir do GP de Cingapura, através da estrita observação do artigo 20, parágrafo 1, do Código Esportivo, que diz: “O piloto deve conduzir o carro sozinho e sem ajuda”.

A intervenção dos engenheiros na condução do piloto passou a ser proibida e eles podiam só chamá-lo para os boxes, a fim de orientar sobre um carro mais lento na pista, razões de segurança, eventualmente avisar que devia deixar o companheiro ultrapassá-lo ou que havia tráfego à frente.

Rosberg-problemas-cambio-590x332Em 2016, após polêmica mensagem recebida por Nico Rosberg da Mercedes durante o GP da Inglaterra, a FIA reviu os limites de comunicação via rádio a partir do GP da Hungria. Os comissários decidiram que a ajuda que Rosberg recebeu para ajustar uma falha no carro foi ok, porém as demais equipes reclamaram que não puderam falar com seus pilotos sobre problemas de freio no GP da Áustria. Além disso, com a punição de Rosberg, abriu-se espaço para as equipes deliberadamente serem punidas no futuro quando sentissem que poderiam perder menos tempo quebrando as regras do que deixando que o piloto resolvesse a questão sozinho.

Devido a tudo isso, a FIA emitiu nova orientação às equipes, antes da corrida de Hungaroring. Dali em diante, dizia o informe, se uma equipe avisasse um piloto que havia um problema com o carro, devia instruí-lo a ir ao box para os reparos necessários. Isso resultaria, automaticamente em uma penalidade de tempo, o que irá desencorajar qualquer equipe de fingir que tinha um problema de segurança em benefício de seu próprio desempenho.

Em comunicado, a FIA dizia que “qualquer mensagem que indique problemas com o carro deve incluir uma instrução irreversível para entrar nos boxes para corrigir o problema ou para abandonar.”

“Instruções para selecionar padrões no volante devem ser com o único propósito de evitar a perda de função de um sensor. Será de responsabilidade de toda a equipe fornecer essas instruções para satisfazer o delegado técnico da FIA. Qualquer nova configuração escolhida desta forma não deverá melhorar o desempenho do carro”, dizia o comunicado.

A FIA publicou uma lista de mensagens permitidas, alertando que qualquer outra mensagem, incluindo qualquer uma da relação que gerasse suspeita de que estaria sendo usada em código, seria considerada como violação do Artigo 27.1 do Regulamento Desportivo e reportada aos comissários.

Diante da reação das equipes e pilotos, as controversas restrições foram revogadas, pelo Grupo de Estratégia, em uma reunião com a participação de Jean Todt, presidente da FIA, Bernie Ecclestone, e representantes da Ferrari, Mercedes, Red Bull, McLaren, Williams e Force India, as equipes que fazem parte deste grupo.

Em um comunicado divulgado pela FIA, confirmou-se que as restrições permanecem para a volta de apresentação, mas para além disso, todas as estão revogadas.

“Com a exceção do período entre o início da volta de apresentação e o início da corrida, não haverá limitações de mensagens entre equipes e pilotos pelo rádio ou placa de pit. Esta abordagem visa proporcionar um melhor conteúdo para os fãs e espectadores, pois agora as equipes serão obrigadas a fornecer ao detentor dos direitos comerciais (FOM) acesso sem restrições às suas mensagens de rádio em todas as vezes que seus carros estiverem fora da garagem”, disse o comunicado.

Entrevista de Piquet
http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2013/10/nos-30-anos-do-bi-piquet-faz-balanco-da-carreira-e-lembra-dramas-e-criacoes.html

Papo na pista
Podcast da Red Bull depois da vitória em Abu Dhabi – 2013 (em inglês)
http://www.infiniti-redbullracing.com/audio/team-podcast-2013-abu-dhabi-grand-prix

Pitwall da Red Bull

redbull