Ross Brawn

ross_01Como mecânico, técnico em aerodinâmica, diretor técnico e, por fim, dono de equipe, o inglês Ross Brawn é um nome constante e uma das figuras mais marcantes na Fórmula 1 desde 1976. Passou pela Williams, Arrows, Benetton, Ferrari e Honda e criou a Brawn Gran Prix, mas se consagrou como diretor técnico da Ferrari, quando, ao lado do diretor executivo Jean Todt e do piloto alemão Michael Schumacher, participou da conquista de seis títulos consecutivos entre os construtores (1999/2004) e cinco títulos também consecutivos no campeonato dos pilotos (2000/2004)..

Nascido em Manchester, no dia 23 de novembro de 1954, Ross Brawn estudou na Reading School, em Reading, Berkshire, e, no começo dos anos 1970, foi trainee na escola de pesquisas da energia atômica da United Kingdom Atomic Energy Authority, em Harwell Oxfordshire.

A sua carreira no automobilismo esportivo começou em 1976, como polidor de carros na March Engineering, antes de ser promovido a mecânico da equipe de Fórmula 3 da March.  Dois anos depois, ainda como mecânico, Brawn se transferiu para a recém-criada equipe Williams, onde logo passou para o departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (R&D) e depois foi promovido a engenheiro de aerodinâmica no túnel de vento da equipe.

Em 1984, Ross Brawn juntou-se à também recém-fundada Carl Haas’s Force/Beatrice, equipe norte-americana que disputou o campeonato da Fórmula1 de 1985 e 1986, em associação com a Lola International, por isso sendo conhecida como Haas Lola. Com a saída da equipe da Formula 1, devido perda do patrocínio da Beatrice Foods, em 1986, Brawn foi para a Arrows, assumindo o cargo de diretor técnico. O sucesso do seu segundo carro criado para a Arrows, que deu à equipe a quinta colocação no campeonato dos construtores de 1988, proporcionou a Ross Brawn convite para integrar o Centro de Design da Tom Walkingshaw Racing (TWR) e supervisionar o desenho dos carros esportivos da Jaguar. Desse projeto resultou o Jaguar XJR-14, ganhador do campeonato mundial de carros esportivos de 1991.

Em 1991, Brawn voltou à Fórmula 1 como diretor técnico da Benetton, onde começou um período de vitórias e de fama. Ao lado do desenhista Rory Byrne e do piloto Michael Schumacher, conquistou os títulos dos campeonatos de pilotos de 1994 e 1995 e dos construtores de 1995.

Formula One World ChampionshipEm 1996, Schumacher foi contratado pela Ferrari e, no fim da primeira temporada, levou com ele os dois engenheiros, refazendo o trio vitorioso, para tentar dar à equipe italiana um título de pilotos que não obtinha desde 1979.  Já nos dois primeiros anos, a presença deles se fez notar. Em 1997 e 1998, as vitórias da Ferrari aumentaram e ela conseguiu manter a vice-liderança entre os construtores, a despeito da notória superioridade da Williams, em 1997, e da McLaren, em 1998.

Em 1999 começaram os “anos de glória” do chamado “dream team” da Ferrari. A partir desse ano, foram seis títulos consecutivos de campeão entre os construtores e cinco entre os pilotos, conquistados por Michael Schumacher. O talento e as estratégias de Brawn foram determinantes para esse sucesso, superando erros e desentendimentos nos bastidores da equipe. A vitória, com 4 pit stops, de Schumacher no GP da França de 2004, em Magny-Cours, é considerada um dos melhores momentos do estrategista Brawn, na Ferrari.

Com o natural desgaste da equipe e a evolução das adversárias, a supremacia absoluta da Ferrari chegou ao fim em 2005, quando Schumacher também teve de passar o seu cetro ao jovem espanhol Fernando Alonso, que viria se sagrar bicampeão em 2006.

No final da temporada de 2006, seguindo os passos de Schumacher, que abandonava a carreira, Ross Brawn decidiu também se afastar da Ferrari e da Fórmula 1, conforme anuncio da escuderia no dia 26 de outubro.

Depois de um ano sabatico, dividido entre a família e as pescarias, Brawn não resistiu a um convite da Honda e, em 2008, disposto a novos desafios, voltou ao muro da pit lane, como diretor técnico da equipe japonesa. Os 14 pontos e o 6 º lugar conquistados não foram lá essas coisas, mas, de qualquer forma, foram melhores do que os do ano anterior, 6 pontos e 9º lugar. Na verdade, menos do que se preocupar com as corridas, Brawn cuidou, durante todo o ano de trabalhar no projeto do novo carro da escuderia para 2009, já pensando nas radicais mudanças do regulamento impostas pela FIA para essa temporada.

Esse carro acabou se transformando no BGP 001, equipado com motores da Mercedes-Benz, depois que, no dia 5 de março de 2009, Ross Brawn anunciou ter comprado a Honda, que abandonava a Fórmula 1, e criado a Brawn Grand Prix, para participar do campeonato da Fórmula 1.

Na nova condição de dono e diretor da escuderia, Ross Brawn fez jus à sua história na Fórmula 1 e ao título honorário de Doutor em Engenharia, que lhe foi concedido pela Universidade Brunel, de Londres, em 2006, pelos seus serviços ao automobilismo esportivo.

Tendo como pilotos Jenson Button e Rubens Barrichello, a Brawn GP obteve 8 vitórias; 15 pódios; 5 poles e 4 voltas mais rápidas na temporada de 2009. Em novembro, a equipe foi vendida à montadora alemã Mercedes Benz e passou a se chamara Mercedes GP, mas Ross Brawn continuou no cargo de chefe de equipe, pelo menos até 2011.

Quando se cansar das pistas, Ross Brawn poderá voltar a viver tranquilamente com a mulher Jean e as filhas Helen e Amy, em Henley-on-Thames, e passar o tempo cuidando do jardim, pescando ou ouvindo música, que é o que ele mais gosta de fazer.