Roda polêmica

Desde os primórdios da história do automóvel, as rodas já desempenhavam um importante papel, pois é somente através delas é feito o contato entre a carroceria e o solo. No início, as rodas eram feitas de madeira e usava-se couro no lugar dos pneus, e sua evolução acompanhou os demais componentes dos automóveis. Na identificação da roda, temos:
• Tala (largura)
• Distância da furação ao centro
• Número de furos
• Offset
A unidade de aro é dada em polegadas, representando o diâmetro total da roda. Aros comuns em carros de passeios estão entre 13 e 15 polegadas. A F1 é das poucas categorias do esporte motorizado que mantêm, há mais de 20 anos, as rodas de 13 polegadas.
A tala, ou largura, também é dada em polegadas e, num carro de passeio, varia entre 5 e 6,5 polegadas. Na F1, os pneus dianteiros têm 305 milímetros de largura, enquanto traseiros têm diâmetro 670 mm.
O número de furos de fixação, que depende basicamente do fabricante e do modelo do carro, são 4 ou 5, geralmente. Na Fórmula 1, a fixação é feita com apenas um parafuso central, ou porca, com uma pistola a pressão.

As rodas, os eixos e as porcas são irreconhecíveis comparadas com as usadas a alguns anos atrás. Cada porca está posicionada sobre o eixo, que é fixado para permitir um encaixe mais fácil da roda. As equipes minimizam o entorno para que as pistolas de ar não precisem passar muito tempo para fixar um pneu. As porcas da Ferrari, por exemplo, não chegam a dar três voltas completas.
Máquinas que cabem em um bolso são desenhadas para assegurar que a pistola de ar encaixe perfeitamente na porca, para que esta seja bem fixada no carro. Mesmo quando apertadas, as regras exigem que a porca seja retida sobre o eixo por um mecanismo de bloqueio. Este sistema costumava funcionar manualmente, com o mecânico sendo responsável pela sua ativação. Mas isso levava a erros, já que alguns escolhiam levantar o braço ao mesmo tempo que ativavam o sistema.
Hoje em dia, a retenção é feita automaticamente; a pistola de ar serve como mecanismo de ativação e desativação do sistema. Com isso, o carro só pode ser liberado quando todos os operadores estão com suas pistolas livres, o que significa que a roda está fixada. Ainda assim, já vimos casos onde o mecânico pensa que a roda está devidamente presa, mas logo depois percebe o erro e começa a sinalizar para que o carro não seja liberado, as vezes tarde demais.
A F1 usa pistolas pneumáticas, com um efeito martelo que envia pulsações que liberam ou fixam a porca. Elas são programadas manualmente para uma pressão e tolerância específicas. Ano passado, a Mercedes descobriu que usar um pouco de gás Hélio poderia melhorar ainda mais o sistema. Apesar desta ideia ter sido proibida, ela mostra a importância da potência da pistola.

As rodas dos carros foram pivôs de uma longa polêmica durante a temporada de 2018. A discussão surgiu depois que a Mercedes teve problemas com o superaquecimento dos pneus traseiros, e, durante o verão, encontrou uma solução, criando um espaçador nas rodas traseiras, composto de pequenos furos e ranhuras, para reduzir o fluxo de calor entre o eixo e a roda.
Os aros recortados da Mercedes apareceram pela primeira vez no GP da Bélgica do ano passado, depois que a equipe encontrou vários problemas com seus recursos de gerenciamento de pneus durante a temporada.
Elas permaneceram no carro durante o resto de 2018, ajudando a equipe a ter seis vitórias
A Ferrari indagou da FIA porque a Mercedes podia correr com um design que continha uma coleção de buracos que pareciam semelhantes em muitos aspectos a um conceito que a Red Bull foi proibida de usar no GP do Canadá de 2012.
A intriga aumentou quando imagens do interior dos novos aros mostraram que havia buracos dentro do hub, como no conceito banido da Red Bull de 2012, no qual os canais de ar estavam girando para ajudar no fluxo de ar.

Na época, a Red Bull foi forçada a fazer modificações em seus cubos dianteiros porque os buracos que canalizavam o ar dos dutos de freio para o lado de fora da roda eram considerados dispositivos aerodinâmicos móveis. Nos termos do Artigo 3.15 do Regulamento Técnico da Fórmula 1, “qualquer parte específica do carro que influencia sua performance aerodinâmica deve estar rigidamente fixada à parte totalmente suspensa do carro e permanecer imóvel para a parte suspensa do carro”. A rotação do ar no cubo foi considerada como tendo energizado o fluxo de ar, por isso foi considerado ilegal.
Desde então, as rodas concebidas por Aldo Costa, passaram em todos os testes relevantes da FIA e foram aprovadas pelo comité técnico, que as aprovou depois de decidir que os furos não proporcionam qualquer benefício aerodinâmico. A investigação da FIA concluiu estar a Mercedes fazendo coisa muito diferente do sistema da Red Bull de 2012 e totalmente em conformidade com os regulamentos.

Depois disso, a Ferrari lançou, nos testes de 2019, em Barcelona, um novo projeto de rodas inspirando-se na muito discutida montagem de roda traseira da Mercedes. Na nova solução o novo aro da roda possui várias seções elevadas para controlar as temperaturas dentro da roda. Elas tiram o calor do pneu, garantindo que a distribuição dele dentro da borracha seja mantida relativamente uniforme – reduzindo o nível de degradação térmica nas rodas traseiras.
A McLaren também lançou um design de roda semelhante, coberto de tinta térmica preta para minimizar ainda mais a transferência de calor para os pneus. O projeto também apresentava vários pequenos furos que iam do espaçador até a borda, transferindo o ar de fora para resfriar a roda.