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Pódio

(Publicado originalmente em CD ROM Enciclopédia da Fórmula 1/1996 e atualizado em 2013)

podio

Prost, Senna e Schumacher, cena rara no póio

Os pódios são contados como grandes conquistas na carreira de um piloto. Estar no pódio significa estar entre os três primeiros de uma corrida, o que não é nada mal. Um motivo importante, além dos pontos conquistados, é a exposição que o pódio propicia. Ali, naquele lugar mais alto, estão concentradas todas as atenções.

As imagens daquele momento entram para a história e, além da satisfação pessoal, para o piloto é garantia de investimento dos patrocinadores. É um momento que também pode traduzir toda a tensão da corrida, ou a alegria dos pilotos. Ayrton Senna celebrou a sua primeira vitória no Brasil, em 1991, despejando champanhe na própria cabeça. Michael Schumacher, na primeira visita ao pódio, exibe alegria juvenil. Já deu salto com soco no ar, imitando Pelé. Além das explosões de alegria, há também a exibição do estilo discreto de alguns, como Niki Lauda e Alain Prost, sempre comedidos nas suas comemorações.

No lado brasileiro, ninguém vai esquecer o pódio de Monza, em 1972, quando o emocionado e sempre sorridente Emerson Fittipaldi abriu a champanha da vitória na prova e no campeonato. Ou o sorriso malicioso de Piquet, nas suas conquistas dos tempos da Brabham, e a satisfação de quem se sentia vingado nas vitórias pela Williams, que o preteria em relação a Mansell. Por ser o centro das atenções, o pódio também é um momento de polêmicas reações aos acontecimentos da corrida. Gilles Villeneuve não sorriu nem cumprimentou seu companheiro de equipe no pódio do GP de San Marino de 1982. Didier Pironi havia vencido a prova, com Villeneuve em segundo. Villeneuve estava furioso, pois entendia ter sido traído pelo companheiro e pela equipe.

Era um ano em que a Ferrari dominava o campeonato com o seu modelo 126C Turbo e o título seria de Villeneuve. Que em 1979 havia feito tudo para seu companheiro Scheckter ser campeão. Naquela prova, os carros poderiam ter problema de combustível e foi combinado que a equipe sinalizaria a hora de reduzir a marcha e manter as posições. A placa foi mostrada e em seguida Villeneuve, que estava em primeiro, errou uma curva e saiu da pista. Pironi o passou. Mais tarde, Villeneuve passou Pironi, entendendo ser dele o primeiro lugar. Pironi só voltou a atacar na última volta, passou Villeneuve e venceu a prova.

A equipe Ferrari deu razão a Pironi e o ambiente que os dois dividiram naquele pódio foi o marco do relacionamento problemático dos dois, Meses mais tarde, Villeneuve morreu nos treinos para O GP da Bélgica. Duas semanas depois, Pironi sofreu um acidente no GP da Alemanha e quebrou as duas pernas, não podendo mais correr na F1. O título ficou com Keke Rosberg, da Williams. Alain Prost e Ayrton Senna também fizeram do pódio o momento de mostrar ao mundo suas várias fases de relacionamento.

Durante a temporada de 1989, brigaram pelo titulo até o GP do Japão, em Suzuka, quando Prost bateu em Senna e ficou com o título. Em 1990, os dois ameaçaram fazer AA pazes, mas no pódio tudo ficava evidente: eles não se falavam. Na última temporada de Prost pela Williams, em 1993, os dois pareciam maduros o suficiente para se entender. Senna abraçou Prost no pódio de Adelaide, chorando, e desejou ao “inimigo” boa sorte. Mal sabia Senna que não sobreviveria sem seu alter ego. Os  dois se repeitavam como pilotos e, por serem os melhores e quererem vencer, estavam sempre se enfrentando. No momento da despedida de Prost, a emoção de Senna se justificava: sem ele não seria a mesma coisa. E não foi.

Atualizando

“A tradição data das origens da Fórmula 1. Já nesta época, os vencedores comemoravam com uma garrafa de champagne nas mãos. Após a criação do Grande Prêmio de Reims, dois primos apreciadores de automóveis esporte e de champagne, Paul Condon Moët e Frédéric Chandon de Brailles, decidiram oferecer uma garrafa de champagne ao vencedor. Gesto que foi devidamente apreciado e marketing genial,  pois Moët et Chandon obteve uma excelente vitrine durante muitos anos. Mas Moët Chandon perdeu esta posição privilegiada. Após 2000, Mumm se tornou o fornecedor oficial da Fórmula 1. Dizem que foi o piloto americano Dan Gurney que teve a ideia de sacudir a garrafa, provocando a explosão da rolha e o “efeito ducha”. Daí para frente todos os aqueles que sobem no pódio passam pelo ritual das deliciosas bolhas. A introdução do campeonato Fórmula 1 em novos países acarretou algumas modificações. Em Bahrein e em Abu Dabi o champagne é proibido no pódio. Os pilotos tentam obter efeito similar com suco de fruta gasoso. A troca não deve ser do agrado da maioria (os pilotos).”

    • Outras fontes dizem que o primeiro a fazer o spray de champagne foi Graham Hill, no GP da Austrália de 1966.
  • Depois da cerimônia do pódio, os pilotos autografam a garrafa de champagne, que é leiloada ou suada em promoções da fábrica. Por contrato, a cerimônia do pódio deve ser obrigatoriamente, transmitida pelas emissoras de televisão que detém os direitos de  transmissão da corrida.Só os três pilotos que sobem ao pódio podem dar entrevista depois da corrida. O quarto colocado é impedido de falar, mesmo que, na corrida, tenha conquistado o título de campeão.
  • Em 1994, no seu segundo ano na Fórmula 1, no GP do Pacífico, Rubens Barrichello comemorou o seu primeiro pódio, com o terceiro lugar, com um ritual, que se tornou sua marca na F1: a “sambadinha”. Daí em diante, sempre que subiu ao pódio, o piloto brasileiro comemorou com os desajeitados passos  de samba.
  • No GP da Alemanha de 2008, vencido pelo Lewis Hamilton, o Brasil teve um pódio histórico, com Nelsinho Piquet, em segundo, e Felipe Massa no terceiro  lugar. Isso não acontecia desde o dia 25 de agosto de 1991, no GP da Bélgica, quando Ayrton Senna foi o vencedor e Nelson Piquet o terceiro colocado.
  • No dia 2 de maio de 2013, no GP do Bahrein, depois da vitória de Sebastian Vettel, Gill Jones, engenheira eletrônica da equipe, tornou-se a primeira mulher a subir ao pódio de uma corrida da F1. Recebeu o prêmio dos construtores e ainda deu uma golada na champagne.
  • No dia 25 de maio de 2013, no GP de Mônaco, Nico Rosberg subiu ao primeiro lugar do pódio exatamente 30 anos depois que seu pai, Keke Rosberg, tinha vencido a prova do circuito de Monte Carlo.

Até 2013, os recordistas de pódios eram:

  1. Michael Schumacher –  155
  2. Alain Prost – 106
  3. Fernando Alonso – 91
  4. Ayrton Senna – 80
  5. Kimi Raikkonen – 75
  6. Rubens Barrichello – 68
  7. Davi Coulthard – 62
  8. Nelson Piquet – 59
  9. Nigel Mansell – 59
  10. Niki Lauda – 54