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Pneus: Composição

Em 1986, Nigel Mansell perdeu o campeonato por causa dos pneus. O inglês seria campeão se vencesse o GP da Austrália, ou se pelo menos Prost ou Piquet não chegassem em primeiro. Na 62ª das 82 voltas, Keke Rosberg era o líder, com quase 30 segundos de vantagem sobre Piquet, e tudo levava a crer que ele venceria, garantindo o título a Prost. Mas nessa altura da prova, um dos seus pneus estourou e ele teve de parar para a troca. Logo depois, os pneus de Mansell também estouraram e Prost, que já havia trocado os seus, assumiu a liderança, ganhou a prova e o título.

Após a corrida, verificou-se que houve um erro na avaliação da resistência dos pneus, que estavam sendo usados pela primeira vez. Os técnicos da fábrica calcularam que os pneus resistiriam às 82 voltas sem necessidade de troca, o que não aconteceu.

O desenvolvimento dos carros, o aumento do tempo das corridas e os diferentes tipos de circuitos obrigam os fabricantes a buscarem permanentemente novos componentes para melhorar a resistência e o desempenho dos pneus.

A Goodyear admitiu que baseava a composição dos seus pneus numa complexa mistura de mais de 50 ingredientes diferentes. Eles são agrupados em cinco grandes categorias: polímeros, aditivos, catalisadores, óleos e materiais sulforosos. Esses ingredientes são combinados em níveis específicos para se obterem certas propriedades físicas.

Polímero é o elemento básico de qualquer composto de borracha. Os mais comuns usados nos carros de corrida incluem borracha natural de estirenobutadieno e de polibutadieno. Cada um deles tem propriedades específicas, em função das quais é escolhido para determinada aplicação.

Aditivos são os ingredientes usados para dar ao polímero resistência ao desgaste e realçar certas características e propriedades físicas durante o processamento. O aditivo mais comum é o negro de fumo, um derivado do petróleo. A escolha do tipo a ser usado é feita pelo tamanho da partícula ou a sua estrutura, de acordo com as necessidades de desempenho que se queira suprir. O negro de fumo é que dá a cor negra dos pneus.

Os óleos são incluídos nas fórmulas para permitir o processamento e obter certas propriedades físicas. Na incorporação do negro de fumo à mistura do composto, por exemplo, é necessária a adição de óleo para lubrificação entre os polímeros. Os catalisadores têm a função de aumentar a formação de ligações do enxofre com as cadeias de polímeros durante a vulcanização, processo que determina as propriedades físicas finais do composto de borracha.

Segundo a Goodyear, graças ao grande número de matérias-primas e as combinações quase infinitas dos ingredientes, não existem fórmulas matemáticas infalíveis para determinar propriedades físicas e a composição da borracha “é em parte ciência e em parte arte”. O que deve ser verdade, mas também é uma boa desculpa para manter em segredo as proporções em que são usados todos os ingredientes que compõem os pneus que fabrica.