Pit stop

pit_stop_01O pit stop, a parada no box durante a corrida, é um dos momentos mais importantes e mais excitantes de uma prova da Fórmula 1. Ali se pode ganhar ou perder uma corrida. Durante poucos segundos, sob pressão e tensão, uma equipe de mecânicos tem de executar, com rapidez e precisão, uma série de ações que podem decidir o destino de um carro na prova.

Com a proibição do reabastecimento durante a corrida, determinada pelo Regulamento, a partir de 2011, agora, o pit stop é feito para a troca de pneus e, em certas circunstâncias, há também necessidade de fazer reparos ou ajustes no carro, como troca do bico ou acerto da asa, que prolongam a operação e podem custar a posição do piloto. Nesses casos, o pit stop torna-se uma boa ocasião para conquista de posições, principalmente nos circuitos de pista travada, com poucas oportunidades de ultrapassagem.

O momento do pit stop é um dos segredos mais bem guardados pela equipe, até poucas voltas de sua realização. Isso é decidido antes da corrida, mas só uma volta antes o engenheiro do carro avisa o piloto pelo rádio que ele deve parar em seguida. Ao mesmo tempo, o chefe de equipe convoca os mecânicos, que se movimentam da garagem para o pit, levando equipamentos e pneus. A movimentação deve ser muito rápida, para que as outras equipes sejam surpreendidas pela chegada do carro.

O piloto chega à entrada a toda velocidade, mas antes de cruzar a linha branca que indica o início da pit lane, tem de baixar para 80 km/h (60 km/h, em Mônaco), que é o limite naquele trecho. Um controle eletrônico no carro impede que ele acelere, ultrapassando o limite, depois de entrar na pit lane.

Treinamento da Mercedes

Quando o carro se aproxima, a equipe já está toda a postos e, se a pit lane estiver congestionada, um dos mecânicos movimenta uma haste longa, com uma placa circular na ponta (o chamado pirulito – lollypop) para ajudar o piloto a localizar o seu pit.

O piloto deve parar exatamente entre as marcas feitas com fita adesiva na área do pit, para evitar que a equipe tenha de se deslocar até o carro, levando o equipamento ou tenha que colocá-lo na posição correta, o que provocará a perda de segundos preciosos e até da posição na pista.

Assim que o carro chega ao local exato, o mecânico baixa o pirulito horizontalmente e exibe a placa com a inscrição “brakes”, lembrando o piloto que ele deve manter o pé no pedal do freio, para que a roda não gire em falso. O piloto também deve evitar que o motor morra, o que frequentemente acontece, por erro dele ou problemas na caixa de marcha, embreagem ou sistema hidráulico. Isso exige a intervenção de um mecânico, pronto para, com uma ferramenta especial, dar nova partida.

O Pit Stop mais rápido da história: Red Bull

Com o carro parado, dois mecânicos, um na frente e outro atrás, o levantam por cerca de 10 centímetros do solo, enfiando sob ele, entre as duas rodas, a base horizontal de dois macacos, uma espécie de carrinho, com dois cabos longos e a base sobre duas rodas. O tamanho dessas rodas depende da inclinação do pit; em alguns, elas precisam ser bem aumentadas. Os macacos também podem ter diferentes formatos e tamanhos, dependendo do tipo de nariz do carro.

Ainda enquanto o carro é levantado, começam a troca de pneus e se houver necessidade, os reparos no carro.

Em cada lado e diante da cada roda do carro, um dos responsáveis pela troca de pneu, com uma pistola de ar comprimido, desatarraxa a porca; outro retira o pneu velho e um terceiro coloca o novo, que é fixado pelo primeiro deles. Os aros e os cubos das rodas devem se encaixar perfeitamente e para isso a porca tem cinqüenta possibilidades de encaixe. Quando a operação com os pneus é encerrada, os mecânicos que dela participam levantam os braços, indicando o fim do trabalho.

Toda essa operação é feita com ferramentas modernas, com tecnologia cada vez mais sofisticada. Os macacos que levantam o carro, assim como as peças para desatarraxar ou apertar das porcas do pneu, são acionados automaticamente. Em vez do antigo pirulito, um conjunto de luzes dá as indicações necessárias ao piloto. Esses sistema, criado pela Ferrari, está sendo copiado por quase todas as equipes.

Todas as equipes têm pelo menos um bombeiro de plantão, com um extintor de incêndio com 60 litros de capacidade.

Para realizar sua tarefa com precisão e velocidade, a equipe de mecânicos treina exaustivamente. Eles são preparados para agir quase que automaticamente. Na pré-temporada e durante o campeonato, eles ensaiam a coreografia da ação e vêem vídeos, para verificar as falhas e ajustar os movimentos.

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Infográfico da Sauber

Quem assiste à corrida pela TV está acostumado a ver na tela, em cada pit stop, um tempo bem curto, em torno de 3 a 4 segundos, que aparece primeiro, e outro mais longo, que varia entre 20 e 23 segundos e só é mostrado quando o carro volta à pista. O primeiro é o que a F-1 chama de “wheel-stop”. Este é o tempo efetivamente gasto para a troca, enquanto o carro está parado. O maior é o tempo total que o carro perde na operação, contado a partir do momento em que o piloto freia e aperta o botão que mantém a velocidade no limite exigido no pit lane, até cruzar a faixa de saída do box, a que permite a reaceleração.

No Grande Prêmio da China de 2015, no dia 11 de abril, Mercedes estabeleceu um novo recorde no tempo de troca de pneus. Fez a troca de Lewis Hamilton, na primeira parada, em 1s830, superando a marca 1s923, da Red Bull, com Mark Webber, no GP dos Estados Unidos, em novembro de 2013.

A Williams fez as paradas mais rápidas em cada uma das quatro primeiras corridas da temporada de 2016. No Grande Prêmio da China, em abril, eles mudaram todos os quatro pneus do carro do brasileiro Felipe Massa em 2,10 segundos.

Nesse mesmo ano, os procedimentos de pit stops da Williams ajudaram a acelerar a reanimação de recém-nascidos no Hospital Universitário de Gales, em Cardiff, que modificou sua rotina, para incorporar práticas usadas na pista.

Os membros da unidade neonatal visitaram a fábrica da equipe, para ver como é feito o pit stop, enquanto funcionários da Williams foram ao hospital a fim de observar processos de tempo crítico semelhantes. Posteriormente, as equipes implementaram uma série de mudanças nos procedimentos do hospital.

Reabastecimento

O reabastecimento era um os momentos mais difíceis e perigosos do pit stop. A mangueira, que pesa 40 quilos, era atarraxada à entrada do tanque e começava a despejar o combustível, a 10 graus abaixo da temperatura ambiente, numa vazão de 12,5 litros por segundo. Essa era a parte mais demorada e definoa o tempo de duração do pit stop, desde que não surgissem problemas inesperados. Os mecânicos encarregados do reabastecimento usavam roupas de várias camadas e luvas resistentes ao fogo, roupa de baixo, balaclava, meias e sapatos com especificações estabelecidas pela FIA.

Enquanto o carro era baixado ao chão, o abastecimento continuava e o mecânico do “pirulito” mostrava ao piloto placa avisando para engatar a primeira marcha. Encerrado o abastecimento e retirada a mangueira, o “homem do pirulito”, que acompanhava tudo atentamente, vendo que estava tudo bem, levantava a placa, autorizando o piloto a sair. Na saída, o piloto também tinha de obedecer aos limites de velocidade, e prestar atenção ao sinal autorizando a reentrada na pista e à linha branca que separa a pista da pit lane. No Grande Prêmio do Canadá, em 2007, Felipe Massa foi penalizado por não respeitar a luz vermelha na volta à pista.

Apesar do treinamento, nos quais a preocupação com a segurança é um dos itens principais, acidentes acontecem durante o pit stop. Com freqüência, pilotos arrancam arrastando ou passando sobre a perna de mecânico; levando o macaco traseiro. Dois exemplos: em 2000, o “homem do pirulito” se afobou, autorizou a saída do carro antes da hora e Michael Schumacher atropelou um mecânico; em 1994, no GP da Alemanha, em Hockenheim, a mangueira se desconectou, o combustível vazou e, imediatamente, as chamas envolveram o piloto Jos Vesttappen e seu carro; só a pronta ação dos bombeiros evitou desfecho mais grave.

Por ironia, foi nesse ano que a FIA liberou o reabastecimento durante a corrida, que estava proibido desde 1983. Até os anos 1980, no pit stop era feita apenas a troca de pneus. Em 1982, no GP da Áustria, a Brabham introduziu o reabastecimento e foi imitada pelas outras equipes. Como não havia equipamento adequado, a gasolina era colocada com garrafões e, devido aos acidentes, a prática foi proibida em 1983;  restabelecida em 1994, com todas as medidas de segurança necessárias, mas proibida de novo em 2011.

O pit stop de Massa

No site TotalRace (http://www.totalrace.com.br/site/) o piloto Felipe Massa explica o seu comportamento em relação ao pit stop, que pode ser resumido assim:

1 – Ao contrário de antigamente, quando havia reabastecimento de combustível, que se sabia quando estava para acabar, o piloto não sabe em que volta vai parar. A parada é definida pelo desgaste do pneu.

2 – Geralmente, depois de cinco voltas e de muita conversa com o engenheiro sobre o equilíbrio do carro e o desgaste do pneu, é definida a volta de parada.

3 – A ordem de pit stop deve ser dada em um ponto da pista que dê tempo suficiente para a equipe se preparar. Se passar dali, fica tudo muito corrido e pode complicar a operação..

4 – Ao ver a linha branca da entrada da pit lane, o piloto aciona a 2ª marcha, e procura frear forte, no último momento, para perder menos tempo possível. Quando o piloto entra rápido demais e freia, o carro pode sair de lado.  Quando o carro desce abaixo de 100 km/h (em Mônaco a 90), o piloto pressiona o limitador de velocidade e acelera tudo e velocidade trava nos 100 km/h.

5 – Antes da parada, o engenheiro faz várias observações, lembrando para manter a trajetória certa na parada; prestar atenção na freada; manter freada forte durante a troca do pneu.

6 – Na parada no box, o piloto dá a segunda freada, que deve ser forte e dentro das linhas demarcadas. Se parara um metro à frente ou meio metro atrás, os mecânicos vão estar em posições erradas, têm de se mexer e isso pode provocar a perda de segundos preciosos.

7 – A saída do box é uma verdadeira relargada. Quando os mecânicos estão trocando os pneus, o piloto aperta a embreagem, põe a primeira marcha e acelera na posição certa. Não pode acelerar demais, senão o carro patina. Quando a luz verde aparece, volta para a pista, sem precisar soltar a embreagem muito devagar, no que Massa chama de “estilingada”. Por causa da aderência não muito alta, pode ter uma aceleração “que desliza o pneu um pouquinho”.