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Patrocínio

patrocinio_01Um evento mostrado pela televisão para 527 de telespectadores, em 187 paises, a cada Grande Prêmio, a Fórmula 1 movimenta anualmente cerca de 8,7 bilhões de dólares de mais de cem patrocinadores interessados em fixar a sua marca em todo o mundo.

São bancos, companhias telefônicas, seguradoras e fabricantes de toda a sorte de produtos que se vinculam a esse cenário de velocidade, vitórias, tecnologia, luxo e glamour, colocando seus nomes nos carros, equipamento dos pilotos e ao longo dos circuitos por onde passa o circo da principal categoria do automobilismo.

Graças a esses recursos as equipes aumentam seguidamente seus orçamentos, que praticamente triplicaram desde 1968, quando, aproveitando o início das corridas pela televisão, Colin Chapman passou a exibir nos carros da Lótus a marca dos cigarros Gold Leaf. As equipes, que até então ostentavam as cores dos paises que representavam, passaram a ter pinturas diferentes e destacar as logomarcas dos patrocinadores.

Entre os maiores patrocinadores das equipes ou grandes prêmios destacam-se o banco Santander; a empresa de telefonia Vodafone; a produtora de combustíveis Petronas; a fabrica de artigos elétricos e eletrônicos Panasonic; a empresa de telecomunicações AT&T; o isotônico Red Bull e a companhia aérea indiana KingFischer. Há ainda outros patrocinadores, com menos participação nesse bolo publicitário, como os Bancos Credit Suisse, Royal Bank da Escócia e HSBC; a caixa de assistência espanhola Mutua; o uísque Johnnie Walker; a grife Hugo Boss; a fabrica de relógios TAG; a Shell, Philip Morris, Nestlé e Fedex.  Muitas outras empresas participam com o chamado patrocínio técnico, fornecendo componentes do carro, peças, computadores, baterias, transportes, alimentação e alojamento para as equipes. Uma delas é a brasileira Petrobrás, que foi fornecedora de combustível às equipes Williams e Honda e, em 2010, negociou com a Hispania o patrocínio de Bruno Senna, mas não conseguiu acordo.

Além dos investimentos diretos realizados pelos patrocinadores oficiais, há uma extensa lista de produtos licenciados pelo FOM. A fabricante francesa de champanhe Mumm investiu US$ 5 milhões, em 2007, para usar a marca e colocar seu produto nas mãos dos pilotos no pódio.. A suíça Lacques Lemans, uma das maiores fabricantes de relógios de luxo do mundo, investiu outros US$ 10 milhões em uma coleção especial da Fórmula 1, lançada em 2006.

Para defender seus direitos e intermediar negociações, um grupo de empresas decidiu criar, em setembro de 2010, uma entidade, o Formula 100, com objetivo de reunir os 100 maiores patrocinadores da F1.

patrocinio_02Em 2007, desprezando outras escuderias que lhe ofereciam mais espaço, o Banco Santander decidiu investir na McLaren, que tinha Fernando Alonso, representante da Espanha, sede da empresa, e outro, Lewis Hamilton, da Grã-Bretanha, onde a Abbey, sua subsidiária, tem mais de 15 milhões de clientes. Com a aplicação de 20 milhões de euros na equipe e mais 20 em marketing e recepção de clientes nos circuitos, o banco faturou 118,5 milhões de euros, um retorno de cinco euros para cada euro investido. Na Grã-Bretanha, com o patrocínio do Grande Prêmio da Inglaterra e a publicidade feita por Hamilton, em apenas seis meses passou de 30% para 60% a fixação da sua marca.

No final da temporada, com a transferência de Alonso para a Renault, o banco manteve o patrocínio da McLaren, mas se tornou também o principal anunciante do Universia, portal na Internet da equipe francesa. Em 2010, o banco espanhol passou a patrocinar também a Ferrari, levando com ela o também espanhol Fernando Alonso, mas não deixou de apoiar a McLaren e especialmente Lewis Hamilton.

A principal patrocinadora da Ferrari, porém, continua sendo a Philip Morris, fabricante dos cigarros Marlboro, com a qual a equipe italiana estendeu o contrato que venceria no final de 2012, até 2015, devendo receber cerca de 160 milhões de dólares por temporada. A empresa norte-americana mantém, assim o vinculo com a escuderia italiana desde 1984, mesmo não podendo colocar sua logomarca nos carros, devido às restrições da FIA e a proibição da propaganda de cigarros em vários paises. Durante algum tempo, a Ferrari estampou no carro um código de barras que teve que se retirado, por ter sido considerado propaganda subliminar.

A Renault talvez seja a equipe que arrebanhou mais patrocinadores num só ano, nos últimos tempos. Em 2010, depois das performances de Robert Kubica e do russo Vitaly Petrov, a escuderia teve 8 patrocinadores: as estatais russas LADA (fábrica de automóveis), Vyborg Shipyard (construtora naval) e Mov’It (fabricante de peças), HP (empresa de tecnologia), Trina Solar (empresa de tecnologia suíça), Bank Snoras (da Lituânia), DIAC (subsidiaria do RCI Banque, financeira do setor automotivo), Helvética (empresa de design gráfico).

Ainda em 2010, a Renault vendeu parte de suas ações 75% de suas ações ao grupo de investimento privado Genni Capital, grupo de investimento com base em Luxemburgo, que posteriormente foram repassados à Lotus Cras, propriedade da empresa estatal da Malásia Proton. Em 2011, a escuderia passou a se chamar Lotus Renault e continuou a contar com motores e apoio tecnológico e de engenharia da fábrica francesa.  A outra equipe da Proton, a Lotus Racing, que disputou o campeonato de 2010, trocou o nome para Team Lotus e as duas equipes passaram disputar o direito de usar o nome e as cores originais (preto e dourado) da antiga escuderia de Colin Chapman.

Também graças ao desempenho dos seus pilotos Kamui Kobayashi e Pedro de la Rosa, a Sauber garantiu sua permanência na F1 em 2011. Depois de passar boa parte de 2010 apoiada apenas pela marca de relógios suíça Certina, a empresa recomprada por Peter Sauber conseguiu quatro patrocinadores que garantiram a sua sobrevivência: o enérgico norte-americano Mac-Croc Energy Drink; o cosmético japonês Scalp-D; a fábrica de automóveis suíça Emil Fry, e o grupo financeiro japonês Planex Group.

Ao contrário das equipes citadas, a Williams só perdeu patrocinadores para 2011. Dos 18 que tinha, ficou com apenas 11, considerando-se a chegada do conglomerado comercial indiano Tata. Saíram a Philips, RBS, Air Ásia, Accenture, Hell Energy Drink, Allianz e Bridgestone. E das que ficaram, algumas, como AT&T e Thomson Reuters tiveram reduzido o seu espaço no carro. A Allianz passou a patrocinar a Mercedes GP.

Além do patrocínio, as equipes da F1 recebem, ao final de cada temporada, de acordo com a classificação, metade dos lucros obtidos pela FOM com as taxas para promoção dos GPS. Essas taxas, que são a principal fonte de renda da empresa de Bernie Ecclestone, podem chegar a 82 milhões de dólares e devem render, em 2011, 2,8 bilhões de dólares. Além desses recursos, a FOM conta também com o patrocínio do banco suíço UBS.

patrocinio_03Assim como as estrangeiras, algumas empresas brasileiras patrocinaram eventos, equipes ou pilotos, em várias épocas. Em 2010, a Petrobrás forneceu combustível à Williams, promoveu e deu nome o GP do Brasil. A Copersucar bancou a malograda equipe do mesmo nome fundada pelos irmãos Emerson e Wilsinho Fittipaldi. O falido Banco Nacional patrocinou Ayrton Senna. Outros patrocinadores e patrocinados relacionados no joaof1.blogspot.com: Banco Safra – Ricardo Rosset; Banespa – Christian Fittipaldi, que também teve apoio da Chapecó, Tang, Gradiente e IBF; Brahma – José Carlos Pace; Arisco – Rubens Barrichello e Pedro Paulo Diniz, que contou também com Kaiser, Sadia e Unibanco; Perdigão – Mauricio Gugelmin; Brastemp – Nelson Piquet e Pedro Paulo Diniz; Ce do Brasil – Emerson Fittipaldi e Jose Carlos Pace; Skol – Copersucar; Café Cacique e Freios Vargas – Wilsinho Fittipaldi. A Parmalat era a patrocinadora de Nelson Piquet na conquista dos títulos de campeão em 1981 e 1983.

A hora dos energéticos

Reginaldo Leme

Sinal Verde – 18/01/2013

(…) Quanto à pintura dos carros, a grande novidade ocorre na Lotus, que ganha o patrocínio da marca Burn, bebida energética que pertence à Coca-Cola. Mas a cor não muda porque a latinha da Burn é preta, como já são os carros da equipe. A conquista da Coca-Cola era um antigo desejo da Fórmula-1. Um pouco diferente do que foi idealizado por Bernie Ecclestone, que gostaria de ver carros pintados de vermelho com a marca Coca-Cola (uma das negociações, sem sucesso, envolveu a McLaren na época em que o cigarro foi banido). Mas, de qualquer forma, o desejo está agora realizado.

Sebastian Vettel, tricampeão da Fórmula 1 correndo pela “energética” Red Bull

Com o ingresso da Burn, a Fórmula-1 torna-se um grande campo de batalha para os energéticos. Agora são cinco marcas, junto com TNT (Ferrari), Monster (Mercedes), EQ8 (Caterham) e a Red Bull, que abriu caminho comprando a Jaguar e montando a sua própria equipe. Depois comprou também a Minardi e, num golpe de marketing extremamente inteligente, criou a Toro Rosso (Red Bull em italiano).

O sucesso mercadológico e esportivo da Red Bull certamente serviu de atração para as outras marcas, ainda que elas tenham um envolvimento bem menor, entrando apenas como patrocinadoras.

O primeiro patrocínio em dinheiro na F-1 veio da indústria tabagista. A Lotus trocou a cor verde tradicional de seus carros pelo vermelho e mudou o nome para Gold Leaf Team Lotus. Assim era o carro de Emerson Fittipaldi na primeira vitória brasileira na F1 em Watkins Glen (1970). Depois a Lotus virou preta e dourada com a John Player Special e chegou a ser amarela com a Camel. O ingresso da Marlboro foi através da BRM, mas em 74 se juntou à McLaren e, paralelamente, também à Ferrari.

A F-1 teve ainda outras 15 marcas de cigarros, inclusive a brasileira Hollywood, que patrocinou Alex Dias Ribeiro. Houve também a época das cervejas. No total, 25 marcas passaram pela F-1, inclusive as brasileiras Brahma (José Carlos Pace), Skol (Fittipaldi) e Itaipava (equipe Brawn). Foram 13 os bancos, 10 companhias aéreas, 24 empresas de combustível e lubrificantes, 33 de informática e, recentemente, vieram as da telefonia, que chegaram a nove.