Motor Turbo

A maior novidade do campeonato da Formula 1 de 2014 é a volta do motor turbo, que tinha sido proscrito da categoria em 1988, devido aos altos custos e também pelo perigo que levava às pistas, ao ganhar sempre mais potência. No lugar dos motores de 2.4 litros, 750bhp, V8, aspirados naturalmente, usados desde 2006, surgem os propulsores 1.6, 600bhp, V6, a 90º, com turbo, injeção direta e 4 válvulas. A nova máquina terá o limite de 15.000 rpm e, em vez de dois canos, tem apenas uma saída para is gases dos 6 cilindros.

O novo motor faz parte do que FIA denomina Unidade de Força (Potência ou Energia) e inclui também o ERS, constituído de duas unidades: O MGU-K (KERS), que recupera energia liberada nas freadas, e o MGU-H, que recolhe o calor residual do escapamento, o depósito de energia, o turbocompressor e os controles eletrônicos. Todo o conjunto deve pesar, no máximo, 145 quilos e, devido ao aumento, o peso mínimo do carro passou de 642 para 690 kg. A expectativa é a de que esses novos motores durem pelo menos 4 mil quilômetros e, por isso, cada piloto poderá usar só 5 unidades durante toda a temporada e haverá pesadas punições para as trocas antecipadas.

Os novos motores serão mais econômicos do que os de 2013 e, segundo a Renault, os carros gastarão 35º a menos de combustível. Serão também menos ruidosos, o que não agrada a Bernie Ecclestone e os mais fanáticos fãs da F1, apaixonados pelos roncos dos modelos mais antigos.

O Turbo é um equipamento independente, que permite o reaproveitamento dos gases do escapamento, redirecionados para dentro do motor, proporcionando maior temperatura de queima nas câmaras de combustão e forçando os pistões em seu movimento de subida e descida.

Essa pressão mais forte sobre a mistura ar-combustível, que pode chegar a 3,5 atmosferas, aumenta a injeção de combustível e, em consequência, a potência do motor. Isso faz com que o motor Turbo tenha, dependendo da pressão, até 200% mais de potência do que o aspirado. Em contrapartida, o motor turbo tende ao superaquecimento, por isso é necessário um excelente sistema de arrefecimento.

Para se ter uma ideia, a temperatura de saída dos gases do motor pelo escapamento gira em torno de 120 graus e ele deve voltar ao motor com pelo menos 80 graus. Para isso são instalados os intercoolers, que são bicos injetores de água que resfriam os gases antes da entrada deles de volta no motor. A Renault foi a responsável pela introdução desses motores na F-1 moderna, mas eles estiveram no meio das corridas por muito tempo. O primeiro carro de Grande Prêmio com compressor foi um FIAT 805, de 1923. Carros Bugati também usavam o recurso já em 1931. O carro mais potente com turbo até os Renault da F-1 moderna era o Mercedes Benz de 1937, que venceu sete das 12 provas de que a equipe participou. O motor de oito cilindros em linha desenvolvia 646CV de potência a 5.660 rpm.

O primeiro carro equipado com motor Turbo na Fórmula 1, o RS01, amarelo, da Renault, foi para as pistas no dia 16 de julho de 1977, em Silverstone, na Inglaterra, dirigido pelo piloto francês Jean-Pierre Jabouille. Só dois anos depois, porém, o Turbo conseguiu sua primeira vitória. Foi no dia 1º de julho de 1979, no circuito de Dijon-Prenois, na França, ainda com Jabouille. O primeiro campeão mundial com motor turbo foi Nelson Piquet, em 1983, e o último foi outro brasileiro, Ayrton Senna, em 1988.

Comparação

Especificação

2013

2014

Cilindrada

2,4 litros

1, litros

Rotação

18.000 rpm

15.000 rpm

Combustível (corrida)

Sem limite

100 kg

Configuração

90ºV8

90ºV6

Cilindros

8

6

Válvulas

4 por cilindro (32)

4 por cilindro (24)

Marchas

7

8

Escapamento

Saída dupla

Uma saída, da turbina

O turbo 059/3, da Ferrari

O PU106S Hibrido, da Mercedes

O Renault Energy F1 2014