Logística

logistica_03Cada equipe leva para o autódromo motores, câmbios, pneus, ferramentas, carenagens, computadores, pistolas pneumáticas, equipamento de reabastecimento de combustível, amortecedores, volantes, bancos, tudo, enfim, que possa ser colocado num carro de corrida. Leva também até as próprias garrafas de água, geladeiras, cabeamento e geradores de energia.  E, claro, tudo em grande quantidade, para qualquer eventualidade. Para garantir que nada foi esquecido, o responsável pela logística da equipe faz uma lista de mais de 80 páginas com tudo o que deve ser colocado nos caminhões ou aviões. São cerca de 30 toneladas para cada corrida fora da Europa; nos grandes prêmios europeus, esse número sobe para entre 35 e 40 toneladas.

Só no Brasil, a logística da F-1 é feita por uma empresa local. Na Europa, cada equipe executa essa tarefa. Em outros países, a empresa inglesa Formula One Management (FOM), que administra as provas de F-1, tem um agente responsável pelo transporte e  manuseio das cargas, a empresa alemã DHL, parceira logística da F1. Nas provas transoceânicas o transporte é feito por aviões fretados e a carga é colocada em containers especialmente concebidos para ocupar todo o espaço disponível do aparelho. Um paddock completo enche os porões de carga de cinco jumbos.

No desembarque e reembarque de toda a parafernália do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, por exemplo, são acionados cerca de 200 profissionais, movimentando 900 toneladas de carga, transportadas por 140 caminhões, 25 empilhadeiras, 12 veículos de apoio, interligados por 30 walkie-talkies, 15 aparelhos Nextel e 20 telefones celulares, entre o Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), e o Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP).

A operação de montagem e desmontagem dos equipamentos envolve desde partes e peças dos carros das escuderias até um carregamento de água Perrier, trazido pelas equipes estrangeiras que se recusam a beber água mineral nacional.

 

logistica_01Enquanto todo o equipamento é transportado, uma equipe precursora de 25 pessoas começa a preparar o local no circuito que vai abrigar a equipe. Logo depois chega o resto do pessoal.

Os caminhões são grandes vedetes nos circuitos europeus. Cada equipe pode estacionar dois atrás dos boxes, mais um de apoio que, em geral, é pintado com o nome do fabricante de motores do time.

A caravana da Fórmula 1 conta ainda com os motorhomes, ônibus que servem de sala de reunião, refeitório, hotel ou vestiário para as equipes. Várias empresas ligadas às corridas, como fornecedores ou patrocinadores, levam seus próprios motorhomes aos circuitos. Todos são equipados com aparelhos de fax, TV, computadores, telefone, ar-condicionado e cozinha completa.

Os caminhões que carregam os carros têm 15 metros de comprimento por 2,5 metros de largura. Raramente ultrapassam os 90 km/h, empurrados por motores de oito cilindros e 13.800 cc, com uma potência de 480 HP e 13 marchas. Em geral, chefes de mecânicos e engenheiros dos times acompanham sua construção, sempre guiados pelo binômio organização e funcionalidade.

logistica_02Dentro de um caminhão de F-1 se encontra de tudo sempre no lugar certo. As peças são divididas em quatro grandes grupos: motor, câmbio, suspensão e eletrônica. São raras as carretas desarrumadas ou com marcas de graxa emporcalhando as bancadas de trabalho. Na aparência, eles estão mais para laboratórios do que para oficinas.

Ao chegar num autódromo, os caminhões são imediatamente lavados. Afinal, além de meios de transporte eles são também excelentes outdoors que devem mostrar as marcas dos patrocinadores aos freqüentadores do mundo da F-1,

Números da operação

No site Logística Descomplicada (http://www.logisticadescomplicada.com/a-logistica-da-formula-1/), Leandro Callegari Coelho, PhD em Administração, como foco em Gestão de Operações e Logística, dá ideia da operação exigida das equipes a cada Grande Prêmio da F1.

  • Para as corridas fora da Europa, mais de 10 mil peças diferentes e 32 toneladas de equipamentos são transportados por avião cargueiro 747, fretado,  em 120 baús ou contêineres. Cerca de 10 toneladas de peças são levadas por navios e, se houver necessidade, muitas podem ser despachadas da Europa para qualquer circuito do mundo e entregues por empresa contratada em 24h.
  • Nas corridas na Europa, as equipes levam em torno de 300 toneladas de equipamento, incluindo um completo Centro de Comunicações, usando uma frota de até 24 caminhões.
  • As peças essenciais, como os carros, motores e algumas peças de reposição são transportadas em um avião fretado pela FOM, um cargueiro 747. Depois de uma corrida, as peças são levadas de volta às fábricas das equipes ou diretamente para o próximo destino, nas  corridas disputadas em finais de semana consecutivos.
  • A cada corrida, a Williams leva 44 computadores e 100 rádios comunicadores. Só para ligar os computadores em rede são usados meio quilômetro de cabos de dados e 300 km de cabos de força.
  • Nas corridas europeias as equipes contam com mais de 130 pessoas em cada GP, mas nas provas fora da Europa este número é reduzido para aproximadamente 90 pessoas.
  • Mais de 200 pessoas se revezam nas  viagens da equipe e cada uma delas tem seu uniforme. No início da temporada é prevista a produção de mais de 600 camisetas, todas personalizadas com o nome do dono. Além disso, cada piloto usa em torno de 25 macacões no ano, além das roupas dos patrocinadores. Mecânicos cos que trabalham nos pit stops usam em torno de 50 macacões a prova de fogo.
  • Num ano são organizadas mais de 7000 viagens envolvendo compra de passagens aéreas, reserva de hotéis e vistos.

O mesmo site traz informações sobre a logística da F1 relacionadas pelo jornal Folha de S. Paulo, no caderno de esportes de sua edição de 27 de março de 2011:

  • As equipes consomem 450 litros de leite a cada etapa do Mundial.
  • 8.500 xícaras de café são consumidas por corrida.
  • Cada piloto usa por temporada: 8 a 10 macacões; 6 sapatilhas; 6 capacetes; 16 pares de luvas
  • 15 mil refeições por ano, em média, são feitas nos circuitos, apenas para os membros de cada equipe.
  • 2.880 bilhetes aéreos são comprados por temporada.
  • 1.800 garrafas de água são consumidas a cada corrida.

25 Gigabytes de informação são enviados de cada circuito para a sede das equipes, o que equivale a 35 CDs.