Largada

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Em qualquer corrida esse é o momento mais importante. Nessa hora todos os carros estão muito próximos uns dos outros. Há uma tensão no ar pois quem largar melhor vai poder ter mais terreno livre a sua frente para executar uma corrida limpa, visualizando melhor a pista e podendo fazer seu traçado de forma independente. `

Normalmente o piloto usa a primeira ou segunda marcha para sair com o carro na largada. Depende da pista e das condições do tempo e do local. O importante é, com pista seca ou molhada, fazer o carro patinar o menos possível para perder menos tempo e, lógico, poupar pneus.

A tensão do piloto é maior na largada pois tirar o carro da imobilidade e faze-lo chegar rápido à primeira curva na frente dos outros exige que o piloto cuide do tráfego em volta, do seu próprio equipamento, não deixando o motor subir demais os giros, preocupando-se com a embreagem,  em não gastar pneus patinando ou com a frenagem da primeira curva e ainda ficar atento ao traçado ideal e ao possível, nesse momento em que todos buscam o melhor lugar da pista para se fazer a primeira curva. Muitas vezes o piloto nessa ansiedade acaba quebrando a embreagem do carro, ficando ali mesmo na linha de largada.

Normalmente o piloto que consegue largar na frente tem grande vantagem pela pista estar livre a sua frente porque assim ele tem livres os pontos ideais de tomadas das curvas.


Largada em Spa Francorchamps 1998

Você já ouviu os narradores dizerem que numa primeira volta o líder consegue abrir boa vantagem sobre o segundo colocado. Imagine aquela primeira curva, a primeira volta de uma prova. Todos estão praticamente colados. O piloto da frente faz a primeira curva, freando no ponto ideal. O que vem atrás, colado, vai ter de mudar esse ponto para um pouco mais atrás, pelo menos o tamanho do carro que vai à sua frente. Esse mesmo procedimento tem de ser seguido por todos os que estão atrás o que faz o piloto que está em décimo lugar ter de frear vinte metros antes do ponto ideal.

É lógico que ele estará em enorme desvantagem pois terá de frear naquele ponto reacelerar e tornar a frear quando o carro chegar no ponto ideal. Isso se não tiver de percorrer todo esse trecho em marcha reduzida…É por isso que alguns pilotos que largam atrás preferem deixar  para lutar por uma melhor classificação em outros momentos da corrida, poupando o carro.

Ao longo da história a F-1 a largada foi sempre como se vê hoje, com os carros partindo da imobilidade. Houve tempos em que as filas tinham até quatro carros. Na década de sessenta o normal eram filas de três. No início dos anos setenta as filas alternavam-se em dois e três carros. A primeira fila com dois a segunda com três e assim por diante. Mudava também a forma de acordo com a largura da pista. O primeiro GP Brasil válido pelo mundial em 1973, por exemplo, teve a primeira fila com três carros.  O mais interessante é que as filas não se formavam com os pilotos um atrás do outro como vemos hoje  (veja detalhes em Grid).

As largadas como conhecemos hoje foram estabelecidas no final dos anos setenta , sempre em busca de maior segurança. Antes, os pilotos, com a frente livre, tendiam a chegar na primeira curva do circuito num grande bolo, emparelhados. Se era empolgante para o público,  era quase certeza de prejuízo para pilotos e equipes. Isso só veio a acontecer mais frequentemente nos anos setenta porque, até o final dos anos sessenta, três ou quatro carros, no máximo, é que tinham condição real de brigar por vitória. Os outros eram figuração. Hoje esse número não é muito maior mas nos anos setenta, com a maioria usando motores muito parecidos ou os mesmos ( com o advento do domínio do Ford Cosworth), mais carros e pilotos tinham condições de vencer uma prova.

Além disso, nos últimos anos, todos os pilotos dispunham de uma ajuda eletrônica importante, o controle de largada, que, acionado por  um dos vários botões colocados no volante, evitava a patinagem e permitia a uma largada ideal.

Entre as largadas mais importantes não se pode deixar de falar naquela de Rubens Barrichello em sua Jordan no GP da Bélgica em 1994, depois que o brasileiro conseguiu a pole position nos treinos da sexta feira numa pista úmida. No sábado choveu e Rubinho largou na frente do campeão Michael Schumacher e chegou na primeira curva em primeiro lugar.

Mas a largada que os brasileiros nunca vão se esquecer é aquela que deu o segundo título de pilotos à Ayrton Senna. No GP do Japão na pista de Suzuka o título foi decidido em favor do brasileiro que “esqueceu” de frear sua McLaren e bateu com tudo na Ferrari de Alain Prost. Os dois saíram da pista. Prost enfurecido e Senna, vingado da manobra parecida que Prost executara nele na mesma pista de Suzuka um ano antes que deu o título ao francês, com o bicampeonato na mão. (Texto original de Flávio Gomes)

Regulamento da Largada

O Regulamento Esportivo da Formula 1, da FIA, publicado no dia 12 de março, de 2019, estabelece as seguinte condições para a largada (em tradução livre e com adaptações):

Faltando 40 minutos para a formação do grid, a saída da pit lane será aberta e todos os carros, incluindo os que terão de iniciar a corrida dos boxes, terão permissão para deixar o pit lane para uma volta de reconhecimento.
Se qualquer piloto quiser fazer mais de uma volta de reconhecimento, isso deve ser feito deixando a pista dos boxes a uma velocidade bastante reduzida entre cada uma das voltas.
Se um piloto para em seu box entre as voltas de reconhecimento, o carro só pode voltar a entrar na pista saindo da garagem e não da sua posição de pit stop. No final dessas voltas, todos os carros que vão começar a corrida a partir do grid devem parar na ordem de partida, com os motores parados.
Uma vez que todos os carros tenham parado, a luz de cinco segundos aparecerá, seguida pelas luzes de quatro, três, dois e um segundo. A qualquer momento após a luz de um segundo aparecer, a corrida será iniciada apagando-se todas as luzes vermelhas.
Se, depois de retornar ao grid de largada no final da volta de formação surgir um problema, são aplicáveis os seguintes procedimentos:
• se um carro tiver um problema que possa pôr em perigo a largada, o condutor deve levantar imediatamente as mãos acima da cabeça e o fiscal responsável por essa linha deve imediatamente agitar uma bandeira amarela; se o diretor de prova decidir que a largada deve ser abortada, as luzes verdes serão acesas dois segundos depois que as luzes abortar forrem ligadas e uma placa dizendo “volta de formação EXTRA” será exibida e todos os carros capazes de fazê-lo devem completar mais uma volta de apresentação enquanto o carro que desenvolveu o problema é removido para o pit lane. Ao sair do grid para completar a volta extra de formação, todos os pilotos devem respeitar o limite de velocidade da pista até passarem pela pole position. A equipe pode então tentar corrigir o problema e, se obtiver sucesso, o carro pode começar do final do pit lane. Se houver mais de um carro envolvido, a ordem de partida será determinada pela ordem em que eles chegaram ao final do pit lane. Toda vez que isso acontece, a corrida será encurtada em uma volta.
• se surgir outro problema que não exija um atraso para o início, os pilotos serão solicitados a realizar uma volta extra de formação, conforme estabelecido acima. Qualquer piloto que tenha causado o abortamento da largada e, em seguida, iniciar a volta de formação extra deve entrar no pit lane no final da volta e iniciar a corrida conforme especificado dos boxes. Uma penalidade será imposta a qualquer piloto que não consiga iniciar a corrida a partir do pit lane.
• se qualquer outro problema surgir, e se o diretor de prova decidir que o início deve ser adiado, são aplicáveis os seguintes procedimentos:
• se a corrida não foi iniciada, as luzes de abortar são ligadas e , uma placa dizendo “INÍCIO ADIADO ” será exibida, os motores deverão ser parados e todas as equipes serão informadas sobre o provável atraso por meio do sistema de mensagens oficial. Uma vez que a hora de início seja conhecida, um aviso será dado pelo menos cinco minutos. A troca de pneus no grid não é permitida durante esse atraso. Toda vez que isso acontecer, a corrida será encurtada em uma volta.
•  se a corrida tiver começado, os comissários ao lado da grid agitarão suas bandeiras amarelas para informar os pilotos que um carro está parado no grid
• se, após o início, um carro estiver imobilizado no grid de largada, será dever dos fiscais empurrá-lo para o pit lane pelo caminho mais rápido. Qualquer piloto sendo empurrado do grid não pode tentar ligar o carro.
Uma vez que o carro esteja no pit lane, seus mecânicos podem tentar iniciá-lo e, se forem bem sucedidos, o piloto pode voltar a participar da corrida. O piloto e os mecânicos devem seguir as instruções dos comissários de pista em todos os momentos durante tal procedimento.
A corrida vai contar para o Campeonato não importa quantas vezes o procedimento seja repetido ou quanto a corrida é encurtada.
As penalidades previstas de drive through, stope&go e tempo serão impostas a qualquer motorista que:
•  se mover antes do sinal de partida, conforme indicação do transponde;
•  se posicionar no grid de forma que o transponde seja incapaz de detectar o momento em que o carro se moveu pela primeira vez de sua posição após o sinal de partida ser dado.
Apenas nos seguintes casos será permitida qualquer variação no procedimento de partida:
• se começar a chover após o sinal de cinco minutos, mas antes de a corrida ser iniciada, o diretor de prova pode dar oportunidade para troca de pneus, as luzes de aborto serão mostradas e o procedimento de partida começará novamente no ponto de dez minutos.
• se o início da corrida é iminente e, na opinião do diretor da prova, o volume de água na pista seja tal que não pode haver segurança, mesmo em pneus de chuva, as luzes de aborto serão mostradas e todas as equipes serão informadas sobre o provável atraso por meio do sistema de mensagens oficial. Uma vez que a hora de início seja conhecida, avisos serão dados pelo menos dez minutos antes
• se as condições da pista forem consideradas inadequadas para iniciar a prova na hora marcada, o início da formação pode ocorrer atrás do safety car. Se esse for o caso, no sinal de dez minutos as luzes laranja serão acesas, sendo esse o sinal para os pilotos de que a formação será iniciada atrás do safety car. Ao mesmo tempo, isso será confirmado para todas as equipes através do sistema oficial de mensagens. Quando as luzes verdes estiverem acesas, o safety car deixará o grid e todos os pilotos deverão seguir em ordem de grid, não mais do que dez carros separados, e devem respeitar o limite de velocidade do pit lane até que eles passem pela pole position. O safety car continuará até que as condições sejam consideradas adequadas para corridas. Todos os carros que estavam começando a corrida a partir do pit lane podem se juntar à volta de formação depois da passagem de todo o campo pelo final do pit lane pela primeira vez. Qualquer desses carros pode completar as voltas de formação, mas deve entrar no pit lane depois que o safety car retornar aos boxes e começar a corrida do final do pit lane na ordem em que chegarem. Qualquer outro carro que entrar no pit lane durante as voltas de formação pode voltar à pista, mas deve entrar no pit lane depois que o safety car retornar aos boxes e começar a corrida a partir do final do pit lane na ordem em que chegarem. Uma penalidade será imposta a qualquer piloto cujos pneus sejam trocados por uma especificação diferente antes do início da corrida. As ultrapassagens durante a volta atrás do carro de segurança só são permitidas nas seguintes circunstâncias:
• se um carro está atrasado ao sair do grid e carros atrás não possam evitar passar sem atrasar indevidamente o restante do campo, ou
• se há mais de um carro a partir do pit lane e um deles se atrase indevidamente atrasado. Em ambos os casos, os pilotos só podem ultrapassar para restabelecer a ordem de partida original ou a ordem em que os carros na saída dos boxes estavam quando a volta de formação foi iniciada.
Uma grande penalidade nos termos do será imposta a qualquer piloto que não consiga entrar no pit lane ou não tiver restabelecido a ordem original de largada antes de chegar à primeira linha do carro de segurança na volta.
Quando o diretor de prova decidir que é seguro chamar de volta o carro de segurança uma mensagem será enviada todas as equipes através do sistema oficial de mensagens, todos os painéis de luz irão exibir “SS” e as luzes alaranjadas do carro serão apagadas. Este será o sinal para as equipes e pilotos de que entrará no pit lane no final da volta. Neste ponto, o primeiro carro na fila atrás do safety car pode ditar o ritmo e, se necessário, ficar no comprimento de mais de dez carros na frente do carro atrás dele. Uma vez que o carro de segurança tenha entrado no pit lane, todos os carros, com exceção daqueles que vão partir do pit lane, devem retornar ao grid, assumir suas posições. Se, depois de várias voltas de formação atrás do carro de segurança, as condições de pista forem consideradas inadequadas para começar a corrida a partir de um início parado, a mensagem “INICIO RODANDO” será enviada para todas as equipes através do sistema oficial de mensagens; todos os painéis de luz exibirão ” RS “e as luzes laranja do carro serão apagadas. Este será o sinal para as equipes e pilotos de que entrará no pit lane no final da volta. Nesse ponto, o primeiro carro na fila atrás do safety car pode ditar o ritmo e, se necessário, cair ficar mais o comprimento de mais de dez carros na frente do carro atrás dele. À medida que o safety car se aproxima da entrada da pit lane, os painéis de luzes serão apagados e substituídos por bandeiras verdes onduladas com luzes verdes na linha. Nenhum piloto pode ultrapassar outro carro na pista até que ele tenha passado pela linha pela primeira vez depois que o safety car tenha retornado aos boxes. A corrida será considerada como tendo começado quando o carro líder cruzar a linha após o safety car ter retornado aos boxes.
Se, depois de várias voltas de formação atrás do carro de segurança, as condições de pista forem consideradas inadequadas para começar a corrida, a mensagem “procedimento de início SUSPENSO” será enviado para todas as equipes através do sistema oficial de mensagens e todos os carros devem entrar no pit lane atrás do carro de segurança.

Acidentes

A disposição para manter ou ganhar posições faz da largada um momento crítico e propicio a provocar acidentes, senão muito graves, pelo menos espetaculosos, às vezes envolvendo vários carros, várias batidas, na chamada carambolagem, bólidos voando sobre outros..

Entre os vários acidentes na largada podemos relacionar:

GP da Áustria de 1987 – Numa primeira largada, Martin Brundle bateu na barreira de pneus, voltou para o meio da pista e provocou acidente que envolveu também René Arnoux, Adrian Campo, Phillipe Streihh, Jonathan Palmer e Piercarlo Ghinzani. Na relargada, Nigel Mansell e Gerhard Berger largaram lentamente e acabaram causando uma confusão envolvendo mais 11 carros e culminando com um voo de Pascal Fabre sobre Piercarlo Ghinzani e Ivan Capeli.

GP da Alemanha de 1994 – Dez dos 26 carros que largaram ficaram fora da corrida logo na largada. David Ciulthard e Mika Hakkinen se tocaram em foram em direção à proteção de pneus. Andréa de Cesaris bateu em Alex Zanardi e os que vinham atrás, que tentando se desviar acabaram colidindo também.

GP da Bélgica de 1998 – Ma entrada da Eau Rouge, David Coulthard, Eddie Irvine, Rubens Barrichello, Alexander Wurz, Olivier Panis, Jos Verstappen, Johnny Herbert, Jarno Trulli, Shinji Nakano, Tora Takagi, Pedro Diniz, Mika Salo e Ricardo Rosset foram de encontro ao muro, sob forte chuva. Mas nenhum dos 13 envolvidos se machucou.

GP da Austrália de 2002 – Rubens Barrichello, o pole position largou mal, retardou a freada e Ralf Schumacher, que vinha logo atrás, voou sobre seu carro. Mais seis pilotos, entre eles o estreante Felipe Massa entraram no bolo.

GP da Bélgica de 2012 –  Romain Grosjean bateu em Lewis Hamilton. Os dois colidiram com os carros que já faziam a primeira curva à direita. Grosjean atingiu Fernando Alonso e voou sobre o carro dele. Os três, mais Sergio Perez, tiveram de abandonar a pista e Grosjean, considerado culpado, foi suspenso por uma corrida.

GP da Bélgica de 2018 –  O McLaren de Fernando Alonso voou sobre o Sauber de Charles Leclerc, que só saiu ileso graças o halo