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KERS

Como funciona o KERS?

O KERS é um equipamento que as equipes da Fórmula 1, opcionalmente, usaram no campeonato de 2009, foi deixado de lado, por acordo entre as escuderias, em 2010 e voltou a ser liberado, como opcional, em 2011.  O nome do equipamento é a sigla de Kinetic Energy Recovering System (Sistema de Recuperação de Energia Cinética), sistema que guarda a energia criada na desaceleração do carro pela freada, e que seria desperdiçada, para ser usada quando for necessária a aceleração.

Das 10 equipes do campeonato de 2009, só a Toyota e Brawn não usou KERS A Ferrari, McLaren, Renault, BMW, Force Índia, Red Bull e Toro Rosso usam KERS elétrico, que armazena energia das freadas em baterias, que transmitem potência às rodas, quando o sistema é acionado. A Williams adota o KERS eletromecânico, em que a energia é usada para furar uma bateria eletromecânica e, quando o sistema é acionado, as rodas recebem a potência e giram mais rapidamente.

O KERS funciona em 6 tempos:

1 – o piloto freia, a fricção do disco carrega a bateria;

2 – após várias freadas, a bateria está carregada;

3 – o piloto aperta o botão do KERS no volante;

4 – o sinal parte do volante e aciona o sistema, descarregando a bateria;

5 – o motor recebe mais potência;

6 – a cada acionamento, o carro ganha 80 cv (10% a mais de potência) por

aproximadamente 6,7 s.

Rafael Munhoz, da revista Racing, assim definiu o KERS:

“KERS é uma sigla nova para sistemas de recuperação de energia, mas não indica propriamente uma tecnologia. Trata-se de algo genérico. Na Fórmula 1, por exemplo, está sendo testado o Flybrid, desenvolvido por Jon Hilton. A peça pesa aproximadamente 25 kg, peso considerável que, se não levar benefícios claros aos bólidos, pode atrapalhar os carros da categoria. Por outro lado, a energia captada pelo sistema, de 400 kg, é capaz de desenvolver até 81,6 cv de potência a mais para o motor quando acionada, com duração máxima de 6s67.

(…) Resumidamente, trata-se de um volante de inércia acoplado a uma transmissão. Com a rotação da peça, que pesa cerca de 5 kg, um capacitor armazena a energia, que foi guardada no momento da frenagem do bólido, para ser utilizada como um “booster”, quando o piloto acionar um botão.

kers_01No momento da desaceleração do veículo, um torque resistente é criado pelo sistema, auxiliando na frenagem. A peça, entretanto, além de ajudar na parada do carro, guarda parte da energia desperdiçada, que seria, sem o sistema, transformada em calor – daí a incandescência dos discos em frenagens bruscas – e inutilizada. O que foi possível reaproveitar é transferido para o capacitor – alocado à transmissão – por meio de cabos elétricos.

Essa energia é transferida até o sistema propriamente dito, fazendo o volante de inércia girar. A peça, por sua vez, está conectada a um capacitor, que guardará a energia para ser usada quando o piloto pressionar o botão. A carga, armazenada em uma peça com volume de aproximadamente 13 litros, é, então, liberada, auxiliando na aceleração do propulsor.”

Graciliano Toni, no segmento Carros, do UOL explica assim o KERS:

“Um dos fabricantes de KERS é a Flybrid, que desenvolveu um sistema baseado num volante acoplado por embreagem a um câmbio CVT, ligado ao câmbio do carro. O volante, feito de aço e fibra de carbono, gira a mais de 60.000 rpm no vácuo, graças a uma câmara selada, para diminuir o atrito. O equipamento completo pesa 24 kg e é capaz de gerar até 60 kW (pouco mais de 81,5 cv).

É o controle da relação das polias do câmbio CVT que define quando o sistema armazena ou libera energia. Na desaceleração, o movimento é dirigido ao volante, que acumula energia cinética (energia em movimento).

kers_02A potência fornecida pelo KERS representa cerca de 10% da potência máxima de um motor de F-1 e deverá ser particularmente útil em ultrapassagens. Pelo regulamento, a cada volta o KERS poderá liberar no máximo 400 kJ, e nunca mais de 60 kW (1 kW = 1 kJ/s) num determinado instante, o que na prática significa que o piloto terá por 6,7 segundos toda a potência adicional (são cerca de 81,5 cv).”

Como desvantagens do KERS, Graciliano Toni aponta a concentração do peso num ponto do carro, o que pode afetar o desempenho, e o risco provocado pela energia transmitida a todo o carro. Num dos treinos do final de 2008, um dos mecânicos da BMW levou um choque ao tocar o carro.