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Interlagos

Organização

Nome oficial

Autódromo José Carlos Pace

Endereço

Av. Senador Teotônio Vilela, 261

São Paulo (SP) – Brasil

www.ainterlagos.com

Ficha Técnica

Inauguração

 12 de maio de 1940

Extensão

 4.309 metros

Distância

305,909 km

Voltas

 71

Curvas

15

Sentido

anti-horário

Capacidade

70.000  espectadores

1° GP (extra-campeonato)

1972,

vencido por Carlos Reutemann

1° GP oficial

1973

Emerson Fittipaldi – Lotus

1h43m55s6

Recorde da prova

2007

Kimi Raikkonen – Ferrari

1h28m15s270 – 207,993 km/h

Volta mais rápida

2004

Juan Pablo Montoya – Williams

1m11s473

Pole recorde

2014

Nico Rosberg – Mercedes

1m10s023

Vencedores

Data

Vencedor

Equipe

Tempo

13-11-2016

Lewis Hamilton

Mercedes

3h01m01s335

15-11-2015

Nico Rosberg

Mercedes

1h31m09s090

9-11-2014

Nico Rosberg

Mercedes

1h30m02s555

24-11-2013

Sebastian Vettel

Red Bull

1h32m36s300

25-11-2012

Jenson Button

McLaren

1h45m22s656

27-11- 2011

Mark Webber

Red Bull

1h32m17s434

07-09-2010

Sebastian Vettel

Red Bull

1h33m11s803

19-10-2009

Mark Webber

Red Bull

1h32m23s081

02-11-2008

Felipe Massa

Ferrari

1h34m11s435

21-10-2007

Kimi Raikkonen

Ferrari

1h28m15s270

02-10-2006

Felipe Massa

Ferrari

1h31m53s751

25-09-2005

Juan Pablo Montoya

McLaren

1h39m20s574

24-10-2004

Juan Pablo Montoya

Williams

1h38m01s451

06–04-2003

Giancarlo Fisichella

Jordan

1h31m17s748

31-03-2002

Michael Schumacher

Ferrari

1h31m43s663

01–04-2001

David Coulthard

McLaren

1h 39m00s834

26–03-2000

Michael Schumacher

Ferrari

1h31m35s271

11–04 -1999

Mika Hakkinen

McLaren

1h36m03s785

29-03-1998

Mika Hakkinen

McLaren

1h37m11s747

30-03-1997

Jacques Villeneuve

Williams

1h36m06s990

31-03-1996

Damon Hill

Williams

1h49m52s976

26-03-1995

Michael Schumacher

Benetton

1h38m34s154

27-03-1994

Michael Schumacher

Benetton

1h35m38s759

28-03-1993

Ayrton Senna

McLaren

1h5m15s485

05-04-1992

Nigel Mansell

Williams

1h36m51s856

24-03-1991

Ayrton Senna

McLaren

1h38m28s128

25-03-1990

Alain Prost

Ferrari

1h37m21s258

27–01-1980

René Arnoux

Renault

1h40m01s330

04–02-1979

Jacques Laffite

Ligier

1h40m0:9s640

23–01-1977

Carlos Reutemann

Ferrari

1h45m07s720

25–01-1976

Niki Lauda

Ferrari

1h45m16s780

26–01-1975

Carlos Pace

Brabham

1h44m41s170

27–01-1974

Emerson Fittipaldi

McLaren

1h24m37s060

11–02-1973

Emerson Fittipaldi

Lotus

1h43m55s600

Características

Antes das reformas que levaram a Fórmula 1 de volta a São Paulo, em 1990, Interlagos era considerada uma das melhores pistas do mundo com seus quase oito quilômetros de extensão.

O traçado, inaugurado na década de 40, tinha curvas e retas de todas as características: alta, média e baixa velocidades. Um dos trechos mais espetaculares era a seqüência das curvas 1, 2 e 3, que ia da reta dos boxes até o fim do Retão. Era ponto de honra percorrer as três curvas com o pé embaixo _ “flat”, como se diz no jargão automobilístico.

A primeira grande reforma foi necessária, primeiro, porque a F-1 moderna não comportava mais circuitos de longa extensão, pois as corridas tinham poucas voltas e eram pouco atraentes para as transmissões de TV; depois, porque o traçado, que tinha alguns trechos muito velozes, ficou perigoso e os custos de construção de novas áreas de escape inviabilizariam uma adaptação às novas exigências de segurança da categoria.

O novo traçado eliminou curvas históricas, como as 1 e 2, substituídas pelo S do Senna, e a do Sargento.. Tradicionalmente, Interlagos é conhecido pelas 10 curvas identificadas por nomes até mesmo nos registros oficiais da FIA. Elas são:

S do Senna, que liga a reta dos boxes à Curva do Sol; Curva do Sol, assim chamada porque antes da mudança do traçado, o sol atrapalhava visão do piloto; Subida do Lago (a FIA registra como Descida do Lago) trecho reduzido com a extinção da antiga Curva 3 e a Curva do Lago;  Ferradura, conjunto de curvas do trecho lento da pista, em forma parecida como a de uma ferradura; Laranjinha, cujo nome foi dado devido à dificuldade de pilotos inexperientes (laranjas) em contorná-la, por falta de visão total do final do trecho; Pinheirinho, alusão ao pinheiro plantado na área de escape e quase sempre atingido pelos carros que saiam da pista;  Bico de Pato, trecho em formato idêntico ao de um bico de pato; Mergulho, a descida da lenta Bico de Pato para o trecho da junção; Junção, no traçado original, ligava a pista externa ao miolo do circuito; depois da reforma, passou a ligar a parte mista à subida dos boxes;  Subida dos boxes, entrada.de duas curvas à direita, inclinadas e em subida, que leva de volta à reta dos boxes.

O site oficial da FOM, porém, aponta 15 curvas no traçado do circuito, separando as duas curvas aglutinadas no S do Senna, e relacionando outras só identificadas por números. Assim, segundo a FOM, o circuito tem o seguinte desenho:

1 – Reta dos boxes; 2 – Curva 1: 3 – Curva 2;  4 – Curva do Sol; 5 – Reta oposta; 6 – Curva 4; 7- Curva 5;  8 – Curva 6; 9 – Laranjinha; 10 – Curva 8 (também conhecida como Curva do S); 11 –Pinheirinho; 12 –Bico de Pato; 13 – Mergulho; 14 – Junção; 15 – Subida dos boxes; 16 – Curva 15,  Entrada dos boxes.

Conforme descrição do site oficial do GP Brasil, numa volta virtual, os carros  aceleram na largada até à Descida do Sol, à esquerda, chegando nela a 6ª ou 7ª marcha, a 290 km/h. Depois de uma freada forte, chegam ao S do Senna, uma chicane esquerda-direita-esquerda, começando na Curva 1, o primeiro ponto de ultrapassagem, dependendo do ponto da freada. A curva é feita em 2ª marcha, a pouco menos de 100 km/h, e em seguida  é preciso mudar para a 3ª marcha, subindo para 160km/h/  para chegar à Curva do Sol, feita na 4ª marcha, a mais de 220 km/h. Na Reta oposta, as velocidades passam de 290 km/h, na marcha mais rápida.

Depois de frearem forte no final da reta, os carros passam pela Descida do Lago, curva estreita à esquerda, com ondulações que podem provocar rodadas, em 3ª  marcha, a 135 km/h. Esse é outro ponto de ultrapassagem, que antecede uma reta curta  e outra curva à esquerda, feita em 4ª marcha a 215 km/h, que leva a outra pequena reta. Ai, pode-se acelerar a 270 km/h, antes da freada para a entrada .na Ferradura.

A Ferradura, curva à direita, com duplo ponto de tangência e entrada ondulada,  é feita em 3ª marcha, a cerca de 160km/h, e os carros chegam ao Pinheirinho em 2ª, perto de 90km/h.  A saída da Pinheirinho, curva à esquerda, bem fechada, é feita em 3ª marcha, mas logo é preciso passar à  4ª, para entrar no Bico de Pato, outra curva estreita, à direita, feita em 2ª, a em torno de 110 km/h. Depois de sair da Bico de Pato em 3ª marcha, os carros aceleram até chegar à 5ª marcha,  para chegar à Mergulho, contornada em 4ª, a mais de 220 km, e atingir a Junção, feita em 3ª  A primeira curva da Subida dos Boxes pode ser feita a 175km/h e  segunda em 5ª marcha, a mais de 225 km/h. Na reta de chegada, os carros chegam a 300km/h. O circuito é seguro, mas tem algumas falhas, como a entrada da Reta Oposta, com um muro muito próximo do asfalto.

 

Interlagos

Interlagos

 

Trecho

Setor

DST

F G

Marcha

Velocidade

Tempo

Largada

0.0

7

315

Curva 1 1

2.0

3

105

Curva 2

Detecção

-2.2

4

160

Entrada Curva 3

Ativação

Início Reta

1.0

6

280

Final da Reta

1

0.0

7

315

18.3

Curva 4

2.7

4

160

Curva 5

2.5

5

250

Final Retinha

-0.7

6

295

Meio Curvas 6/7

-3.2

4

200

Curva 10

2.0

2

80

Entrada/Mergulho

2

36.6

Curva 12

3.0

3

125

Curva 13

1.5

5

220

Entrada Curva 14

2.1

6

280

Entrada Curva 15

1.5

7

300

 Chegada

3

0.0

7

310

17.4

1.12.3

Os registros da FOM são estes (FG, marcha, velocidade): Curva 1 (S do Senna) – 0.56, 7, 320; Curva 2 – 3.87, 3, 166;  Curva do Sol – 3.29, 5, 257; Final da reta oposta – 0.53, 7, 323; Curva 4 – 4.45, 3, 154; Curva 5 – 2.83, 5, 251;  Entrada da Curva 6 – 0.36,6,293;  Laranjinha – 5.00, 5, 231; Curva 8 – 4.07, 2, 76; Pinheirinho, 3.89, 2, 104; Bico de Pato- 3.63, 2, 72; Mergulho – 4.58, 5, 235; Entrada da Junção – 0.57,6, 272;  Junção – 3.59, 3,130; Subida dos boxes – 2.46, 6, 276; Entrada dos boxes – 1.38, 7, 309.

Para mais detalhes e informações técnicas, acesse:

http://www.fia.com/championship/formula-1-world-championship/brazil-gp-track-guide

História

O Autódromo de Interlagos, administrado pela Prefeitura de São Paulo, está localizado na zona sul da cidade, em uma área entre as represas Billings e Guarapiranga, daí o seu nome.

A idéia de sua construção surgiu no final dos anos de 1930, quando as corridas de automóveis no Brasil eram disputadas em ruas, estradas ou circuitos improvisados, como o da Gávea, no rio de Janeiro. Os planos ganharam força em julho de 1936, depois que o carro da corredora francesa Hellé Nice atingiu e feriu várias pessoas, numa prova no bairro do Jardim América.

A pedido do presidente do Automóvel Clube do Brasil, Eusébio de Queiroz Mattoso, em 1937, o engenheiro Luis Romero Sanson, dono da empresa loteadora Auto Estrada S.A., comprou uma área no bairro Balneário de Interlagos, para ali construir um autódromo. Depois de estudar circuitos da Inglaterra, Itália e França, Sanson, aproveitando os pontos positivos de cada um deles, planejou a pista paulista, com dois traçados, um com uma pista de 3 quilômetros, para corridas de alta velocidade, outro, com acréscimo  a esse anel externo de 4.960 metros, com rampas e curvas fechadas, constituindo-se num dos mais longos circuitos da época.

As obras começaram em 1938 e, já no ano seguinte, um grupo e pilotos, entre eles Manuel de Teffé, deu uma volta pela pista ainda em construção.

A inauguração do novo autódromo ocorreu no dia 12 de maio de 1940, com uma prova da qual participaram trinta pilotos brasileiros e estrangeiros, que deram 25 voltas pelo circuito de quase oito quilômetros, por um prêmio de 60 mil cruzeiros. O vencedor foi Arthur Nascimento Júnior que, com um Alfa Romeo completou o percurso em 1 hora, 46 minutos e 44 segundos. Em segundo lugar chegou Francisco Landi, com Maserati, e em terceiro, Geraldo Avelar, também com Alfa Romeo.

Antes de Nascimento Júnior, porém, o primeiro vencedor em Interlagos foi o santista Hans Ravache, que ganhou o  Grand Prix de Motociclismo, preliminar da corrida de carros.

Nos primeiros anos, carros de todos os tipos (carros de passeio, baratinhas, maquinas “feitas em casa”) corriam em Interlagos, em provas curtas, longas ou meia distâncias. Para driblar o racionamento de gasolina, devido à guerra mundial, houve até disputas de carros com gasogênio, equipamento com tubos acoplados à traseira do veículo, para produzir energia pela queima de carvão. Os boxes eram de madeira e os resultados das provas eram anunciados por placas exibidas ao público.

Nos anos 1950, Interlagos ganhou o impulso que faltava, com as provas “Mil Milhas Brasileiras” e os “500 quilômetros de Interlagos”. A primeira, idealizada por Eloy Gogliano, presidente do Centauro Moto Clube, e Wilson Fittipaldi, pai de Emerson e Wilsinho e locutor da Rádio Panamericana, foi disputada pela primeira vez no dia 24 de novembro de 1956. Inspirada na Mille Miglia italiana, a largada era dada à meia-noite de sábado e a competição terminava durante o dia, com os pilotos se revezando ao volante, nas 201 voltas do antigo traçado do circuito, no total de 1.609 quilômetros. Os 44 carros, o máximo permitido, com bateria de faróis e lanternas de identificação colocadas sobre o teto, proporcionavam um espetáculo de luzes e emoção. Barracas, churrascos e até bailes nas arquibancadas faziam da prova uma grande festa. Os vencedores da primeira prova foram os gaúchos Catarino Andreatta e Breno Fornari, com uma carretera Ford, e 1940, que completaram o percurso em 16 horas e 12 minutos. Em 2007,, a prova fez parte do campeonato da série Le Mans, com vitória do francês Nicolas Minassian e do espanhol Marc Gene Guerrero, que cobriram os 374 voltas em 8;58:21.822. Em 2008, porém, não foi incluída no calendário do campeonato internacional.

Os “500 Quilômetros de Interlagos” foram disputados pela primeira vez no dia 7 de setembro de 1957, com vitória de Celso Lara Barberis, que, com Maserati Corvette, fez as 154 voltas em 3h46m27s2, tempo praticamente igual ao dos vencedores de 2006, Lucas Molo e Nelson Silva, que completaram 117 voltas em 3h35m13s486.

Foi nessa época que surgiram nomes que ficaram guardados para sempre na memória dos amantes da velocidade, como Chico Landi, Catarino Andreatta, Camilo Crystófaro,  Ciro Cayres, Celso Lara Barberis, Fritz D’Orey.

Na década de 1960, geralmente vinda do kart, uma nova geração de pilotos se formou em Interlagos: Emerson e Wilson Fittipaldi, José Carlos Pacce, Luiz Pereira Bueno, Marivaldo Fernandes, Bird Clemente passaram a ser os nomes ídolos do automobilismo brasileiro.  E foi um desses jovens sonhadores que inseriu definitivamente o Brasil no cenário do automobilismo mundial.

Foi graças a Emerson Fittipaldi que o Brasil, e o autódromo de Interlagos, passaram a fazer parte do calendário da Fórmula 1. O sucesso de Emerson nas Fórmula 3 e 2 na Inglaterra, em 1969,  e no primeiro ano da Fórmula 1, em 1970, deram-lhe credenciais para reivindicar uma prova desta última no Brasil.

Com adaptações, para atender as exigências da FIA, o autódromo foi sede de uma corrida-teste em 1972 e, a partir do ano seguinte, foi sede do GP do Brasil, válido pelo Campeonato Mundial da Fórmula 1 até 1980, com exceção apenas da temporada de 1988, quando a corrida aconteceu no   Jacarepaguá (depois, Nelson Piquet),no Rio de Janeiro.

Entre 1981 e 1989, por falta de verba da Prefeitura para as melhorias exigidas pelos organizadores do campeonato, o GP do Brasil voltou a ser disputado no Rio.

Nesse período, o autódromo passou por algumas reformas e recebeu apenas provas nacionais de outras categorias e, em 1985, recebeu o nome de José Carlos Pace, em homenagem ao piloto da F1, que morreu num acidente de avião, em 1977.

Para voltar a promover o Grande Prêmio, aproveitando, agora, as dificuldades dos cariocas, os administradores de Interlagos promoveram a maior remodelação do autódromo até então. A pista foi redesenhada e reduzida para 4.325 metros; no final da reta dos boxes, por sugestão de Ayrton Senna, foi construído um trecho em forma de S, com duas pequenas curvas, uma de subida outra de descida, ligando ao anel externo ao interno; criada uma nova curva no final da reta oposta, com área de escape, ao lado do lago, a da Junção. Os guard-rails foram substituídos por muros de concreto; alambrados de aço foram instalados nos locais mais sujeitos a acidentes e outros pontos críticos receberam zebras lavadeiras e caixas de brita.

A reinauguração do autódromo ocorreu no dia 23 de março de 1990, com a vitória do francês Alain Prost, seguido pelo austríaco Gerhard Berger  e pelo brasileiro Ayrton Senna.

Mas foi para o GP Brasil de 2003 que o autódromo de Interlagos passou por sua maior e mais cara reforma. A Prefeitura investiu 24,5 milhões de reais, mas teve como recompensa a aprovação dos fiscais da FIA e os elogios de dirigentes e pilotos.

Entre as obras incluíram-se recapeamento de três trechos da pista, acabando com as irregularidades do piso; construção de caixas de captação de água para drenagem da pista; instalação de geradores extras; instalação de rede de pressurização de água para combater fogo no paddock e novas instalações para os escritórios das equipes.

As barreiras de pneus foram substituídas, com novos pneus. Muitas caixas de brita foram substituídas por asfalto. As zebras foram pintadas de azul e branco, como na maioria dos outros circuitos. E um box foi adaptado para “parque fechado”, onde os carros são guardados após o treino de classificação até a hora da corrida.

Apesar de todas essas mudanças, Interlagos não conseguiu escapar dos problemas que sempre marcam o seu Grande Prêmio. Em 2000, uma placa de publicidade caiu na reta oposta. Em 2001, câmeras de TV caíram sobre a box da Jaguar. Em 2003, as caixas de captação de água não suportaram o volume da chuva que caiu sobre o circuito e deixaram alagar um trecho da pista. Juan Pablo Montoya (Williams), Antonio Pizzonia (Jaguar), Jenson Button (BAR), Michael Schumacher (Ferrari), Jos Verstappen (Minardi) e Olivier Panis (Toyota) perderam o controle do carro na curva do Sol e bateram, um a um, em momentos diferentes. E os carros semi-destruídos, enfileirados ao lado do guard-rail formavam uma imagem curiosa e incomum.

E foi ali que, na volta 54, Fernando Alonso bateu em Mark Webber e saiu da pista. A corrida foi interrompida e o resultado oficial só saiu cinco dias depois, com vitória de Giancarlo Fisichella.

Quem mais comemorou a reforma, porém, foram o colombiano Juan Carlos Montoya, que venceu os GPs de 2004 e 2005, e Fernando Alonso, que neste último ano, com o terceiro lugar, garantiu o título e campeão mais jovem da Fórmula 1, até então.

No período de 2005 a 2012, foram realizadas outras obras de modernização de Interlagos. As principais foram: a ampliação da área de escape na Curva do Mergulho; o recapeamento total da pista; nova cobertura e ampliação do Paddock; construção do Hospitality Center (HC); novas arquibancadas permanentes; novo Hospital no padrão FIA; nova área de serviços para cabines de rádio e TV; novas lavadeiras e a implantação de grama artificial.

Em 2007, além do recapeamento de toda a pista e foram construídos mais dois lances de arquibancadas. O governo do Estado inaugurou uma estação de trem metropolitano, a 600 metros do portão G do circuito.

Em 16 de julho de 2014, foi iniciada uma ampla reforma  dos autódromo. Numa primeira fase, foi feito o recapeamento da pista e outras intervenções, como a mudança da entrada dos boxes, que ganhou um trecho em forma de S e foi criada uma área de escape no S do Senna. Em novembro de 2015, a Prefeitura entregou a segunda  fase da reforma e na corrida de 15 de novembro,  as  equipes já tinham à disposição o Edifício de Apoio, uma construção de 4 mil metros quadrados, para acomodação  de toda a a estrutura  das entidades esportivas.

Em 2016, na terceira etapa da reforma, orçada em 160 milhões de reais, Interlagos passou a contar com três boxes a mais do que em 2015. São 27, em vez dos 24 anteriores, e com pé direito de 3,86 metros. O asfalto passou por processo para retirar toda a borracha acumulada nos últimos dois anos, trabalho realizado com uma máquina especial, utilizada em aeroportos, que permitirá um sensível aumento de aderência. Essa aderência aliada ao novo perfil de lavadeiras na curva 2, S do Senna, Pinheirinho e Bico do Pato deverá proporcionar novas marcas para a Fórmula 1 no circuito. Novas grades de segurança para o Laranjinha e Subida do Café, manutenção de barreira de pneus e defensa metálica, além das habituais pinturas foram outros detalhes providenciados para o GP Brasil de 2016. O trabalho de infraestrutura muito grande, estrutura de esgoto e rede de energia, que começou em 2015, vai até 2017. Para esse ano ficou também a cobertura do paddock, que vai ter iluminação e ventilação naturais.

Volta da FIA

 

Momentos

1940 –  Em 12 de maio 30 pilotos, brasileiros e estrangeiros, correm  25 voltas no circuito de oito quilômetros, por um prêmio de 60 mil réis. O vencedor foi Arthur Nascimento Júnior, pilotando uma baratinha Alfa Romeo,  a uma velocidade média de 115 km/h.

1972 – Em 11 de fevereiro, Emerson Fittipaldi vence o primeiro GP de F1 no Brasil,  fazendo sua melhor volta em 2 minutos e 35 segundos, com média de 184 km/h.

1974 – A terceira corrida de Fórmula 1 no Brasil, a segunda oficial, foi ganha também por Emerson Fittipaldi. A prova, disputada no dia 27 de janeiro, teve o início retardado em uma hora porque muitos pilotos ameaçavam não largar se a pista não fosse limpa. Quando faltavam oito voltas para o final, desabou um forte temporal. O diretor da prova encerrou a corrida e, pela terceira vez consecutiva (uma extra-oficial),  Emerson vence o GP do Brasil.

1975 – José Carlos Pace vence sua única corrida na Fórmula 1

1985  – O prefeito de São Paulo, Mário Covas,  presta homenagem ao piloto e dá o nome de José Carlos Pace ao  autódromo, erguendo um busto bem perto do túnel que passa para trás dos boxes.

1991 – Ayrton Senna vence, de ponta a ponta,  sua primeira corrida no Brasil

1993 – Perto da curva do Sol, Alain Prost roda, durante a chuva; Michael Andretti e Gerhard Berger batem na primeira volta

1994 – Jos Verstappen, Eddie Irvine e vários outros se chocam e Verstappen sai da corrida

2003 – Na manobra considerada mais espetacular da temporada, Juan-Pablo Montoya, da Williams, ultrapassa Michael Schumacher, da Ferrari

2006 – Depois de 13 anos (o último tinha sido Ayrton Senna,em 1993), um brasileiro chegou aolugar mais alto do pódio. Felipe Massa foi pole position e dominou a corrida de ponta a ponta. O GP Brasil 2006 marcou também a despedida de Michael Schumacher, com uma grande atuação: caiu para o último lugar e chegou em quarto.

2007 – O GP Brasil decidiu o campeonato, com vitória de Kimi Raikkonen sobre Lewis Hamilton, que três corridas antes era apontado como virtual campeão.

2008 – Sob chuva, Lewis Hamilton tornou-se o primeiro negro campeão mundial da F1. Com o 5° lugar, totalizou 98 pontos, um a mais do que Felipe Massa, vencedor da prova. O título se definiu a 500 metros e a 38 segundos da linha de chegada. Massa já comemorava o título, quando, na Junção, penúltima curva do circuito, Timo Glock, que sob a chuva corria com pneus para pista seca, não resistiu à pressão e foi ultrapassado por Vettel e Hamilton, que vinha em 6° e precisava de pelo menos o 5° para ser campeão.

2009 – Pelo segundo ano consecutivo, o título da F1 foi decidido em Interlagos. Com 5ª posição, Jenson Button, da Brawn, totalizou 95 pontos, contra 84, de Sebastian Vettel, da Red bull.  O vencedor da corrida foi Mark Webber, também da Red Bull.

2010 – Sebastian Vettel foi o segundo na classificação, mas foi perdeu 5 posições  no grid,  por ter causado acidente com Timo Glock, na Coreia e teve de largar em 7º. Ainda assim, venceu a corrida e manteve a liderança, embora ainda tendo de lutar pelo título com Mark Webber e Fernando Alonso, na última corrida, em Dubai.

2011 – O único momento de emoção durante o GP Brasil de 2011 foi durante a volta de Nelson Piquet pelo circuito, em comemoração dos 30 anos da conquista do seu primeiro título. Na Brabham-Ford de 1981, foi aplaudido pela torcida, mas chegou a provocar vaias quando desfraldou uma bandeira do Vasco da Gama. A corrida foi até monótona, sem ultrapassagens interessantes nem incidentes, com amplo domínio dos carros da Red Bull. Sebastian Vettel, que já tinha o bicampeonato assegurado, com problemas no câmbio, teve de ceder a liderança ao companheiro Mark Webber, que chegou 16s9 na frente do companheiro.

2012 – Mais uma vez, Interlagos recebeu a corrida decisiva de um campeonato da F1. Sebastian Vettel e Fernando Alonso chegaram ao Brasil com chances de ficar com o título.  Vettel tinha uma vantagem de 13 pontos (273 a 260) e seria o campeão se chegasse em 6º lugar, mesmo que Alonso vencesse a corrida. Na primeira volta pareceu que isso não aconteceria; o alemão chocou-se com Bruno Senna e caiu para o último lugar do pelotão. Aos poucos, porém, recuperou terreno e alcançou o 6º lugar de que precisava. Alonso foi o segundo colocado e Felipe Massa, o terceiro; o vencedor foi Jenson Button, da McLaren. A corrida teve um recorde de ultrapassagens; 147

2013 – Sebastian Vettel, já tetracampeão, ganhou o GP do Brasil, totalizando 9 vitórias consecutivas, batendo o recorde de Alberto Ascari, de 8 provas, estabelecido nos campeonatos de 1952 e 1953. Igualou também o recorde de Michael Schumacher, com 13 vitórias numa mesma temporada. A corrida de Interlagos marcou a despedida das pistas de Mark Webber da F1 e de Felipe Massa da Ferrari.

 2014 – Com domínio em toda a corrida, com exceção dos momentos de parada nos boxes, Nico Rosberg venceu o Grande Prêmio do Brasil, em Interlagos, neste domingo, com o tempo de 1h30m02s555. Nas últimas 18 voltas, quando os dois tinham pneus muito desgastados, o piloto alemão resistiu a forte pressão de Lewis Hamilton que esteve sempre a menos de 1 segundo de desvantagem e chegou em 2º a 1s400. Felipe Massa, depois de sofrer uma punição por excesso de velocidade na pit lane, tendo de parar por mais 5 segundos no segundo pit stop, e de ir, por engano, ao box da McLaren, na terceira parada, perdendo preciosos dois segundos, chegou em 3º, a 40s9 do vencedor. Foi o segundo pódio do brasileiro na atual temporada.

2015 – Nico Rosberg venceu praticamente de ponta a ponta o GP do Brasil, disputado no dia 1 de novembro, em Interlagos e garantiu o vice-campeonato da temporada de 2015, com a vantagem de 31 pontos sobre Sebastian Vettel. Foi a segunda vitória consecutiva do piloto alemão em Interlagos e também a segunda seguida sobre o companheiro Lewis Hamilton, que tinha  assegurado o tricampeonato. Ele terminou o percurso em 1h31m09s090, 7s700 à frente do companheiro de equipe, completando a 9ª dobradinha da Mercedes na temporada.

2016 – Na corrida mais emocionante e dramática da temporada, com ingredientes que a tornaram uma das mais espetaculares da história da Fórmula 1, e duração exata de 3h01m01s335 (começou às 14 e 10), Lewis Hamilton venceu o GP do Brasil, no dia 13 de novembro, em Interlagos, e adiou para a última corrida, dia 27, em Abu Dhabi, a decisão do título de campeão de 2016. Nico Rosberg foi o segundo colocado, manteve uma vantagem de 12 pontos e poderá ser campeão com o terceiro lugar, mesmo que o companheiro de Mercedes ganhe a prova. O jovem Max Verstappen, o grande astro do dia, foi o terceiro colocado e fez a volta mais rápida, com 1m25s305. Hamilton completou 52 vitórias na carreira, superando Alain Prost, que tem 51, mas ficando bem longe de Michael Schumacher, com 91. Em pista encharcada, que provocou duas longas paralisações e obrigou os pilotos a usaram os pneus para chuva forte durante quase todo o tempo, Lewis Hamilton teve uma vitória folgada e em nenhum momento teve a posição ameaçada. Atrás dele, porém, aconteceram todos os lances que manteve o público de pé: as frequentes ultrapassagens, a sensacional recuperação de Verstappen, a despedida de Massa e os dois primeiros pontos obtidos por Felipe Nasr, com 9º lugar. Verstappen começou surpreendendo Rosberg e o ultrapassando na saída da curva, logo na largada. Depois, apesar de ser vítima de um erro da Red Bull, que o chamou para troca pneu na hora errada, perdeu a posição e caiu para 16º. E foi ai, na volta 56, que começou a recuperação com ultrapassagens empolgantes por todos os que estavam à sua frente. Culminou com um chega pra lá em Vettel, obrigando, legalmente, o alemão a sair da pista, para ganhar a 5ª posição; uma passagem cômoda por Carlos Sainz e a conquista do terceiro lugar no pódio, depois de disputa acirrada, roda a roda, com Sergio Perez. Segundo Reginaldo Leme, o final justo para a corrida seria Verstappen, Hamilton e Rosberg. Felipe Massa, que começou na 12º posição, chegou a ameaçar entrar entre os 10 primeiros, mas depois de pagar punição de 5 segundos, por passar por Gutierrez, com carro de segurança, colocando os intermediários, quando a pista ainda estava muito molhada, caiu para o 18º lugar e iniciava recuperação quando, na volta 46, rodou e teve de deixar a pista. Então aconteceu o momento mais emocionante da corrida. Massa saiu do carro, colocou a bandeira brasileira e foi andando a pé para os boxes, chorando sob aplausos da torcida. Ao chegar à pit lane, foi aplaudido pelos componentes de todas as equipes colocadas antes da garagem da Williams, especialmente o pessoal da Ferrari, que o abraçou, antes de, sempre aos prantos, receber o abraço emocionado da mulher Rafaela. Felipe Nasr fez sua melhor corrida do ano, conseguiu dominar um carro que, com certeza é dos piores do grid (ele admitiu que várias vezes saiu de frente) e obteve os valiosos primeiros dois pontos, que vão proporcionar à Sauber a cota da FOM.

Uma volta com Giancarlo  Fisichella

“A gente passa pelos boxes, na reta principal, a uns 310 km/h e logo tem que brecar forte para tomar a primeira curva, que é fechada no final e que se faz em segunda, a pouco mais de 100 km/h.

Imediatamente depois, vem uma curva à direita que a gente passa em terceira, a uns 155 km/h e onde se tem que ir manobrando o acelerador, para não perder o equilíbrio. Depois, vem uma curva à esquerda, da qual se sai em quinta marcha, para uma reta bem longa.

No final dessa reta se pode alcançar a mesma velocidade que na reta principal. Em seguida, vem a “subida do lago”, uma curva que se ultrapassa em terceira, a uns 135km/h.

Essa curva, à esquerda, tem uma segunda parte que se faz em quarta, a uns 240 k/h. Numa reta curta, em seguida, se chega aos 285 km/h, em quinta marcha. A longa curva à direita que vem depois exige um bom equilíbrio no acelerador, para não prejudicar a estabilidade do carro na primeira curva fechada.

A oitava curva é lenta e tem-se que ir em segunda, a uns 100 km/h. A aderência é crucial para a curva seguinte, à qual se chega em quarta, a mais de 210 km/h, depois de brecar fortemente para a outra curva, que se ultrapassa em primeira, a uns 70 km/h. Depois, a gente acelera rapidamente em quarta.

Novamente a tem-se que manejar o acelerador, para manter o carro e acelerar até 250 km/h aproximadamente, antes da última curva, uma das mais complicadas do circuito, senão a mais. Aí, tem-se que baixar à segunda e se passa a 110 km/h. É importantíssimo sair com uma boa aderência para poder alcançar uma boa velocidade ao tomar a longa reta principal.”