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Formula One Management (FOM)

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A Formula One Management (FOM), dirigida por Bernie Ecclestone, é a empresa detentora dos direitos comerciais do campeonato mundial da Fórmula 1. È, também, responsável pela difusão da categoria pelo rádio e televisão e pela comercialização do campeonato. A FOM é a sucessora da FOA (Formula One Administration), que por sua vez substituiu a FOCA (Formula One Constructores Asssociation). A FOM, assim como a Formula One Administration (FOA) e a Formula One Licencing BV,  é uma subsidiária do Formula One Group, um grupo de empresas que promove o Campeonato Mundial da Fórmula 1 e explora seus direitos comerciais e é administrado pela Formula One Holdings.

Os negócios na Fórmula 1 são sigilosos. Há dezenas de empresas envolvidas e não é fácil saber como eles acontecem.

Tudo começou em 1972, quando Bernie Ecclestone, então diretor da Brabham, com apoio de Colin Chapman, da Lótus, Teddy Mayer, da McLaren, Max Mosley, da March, e Ken Tyrrel, no cargo de secretário, assumiu a direção de uma associação de defesa dos direitos e interesses das equipes, a Formula One Constructores Association, a FOCA, fundada em 1964. Esse foi o ponto de partida para Bernie Ecclestone se tornar o “todo poderoso” da Fórmula 1.

A primeira conquista da FOCA foi conseguir dos organizadores de GPs uma cota dos seus ganhos para as equipes, conforme os resultados. A entidade também obteve os direitos de transmissão da televisão das corridas. Na época, a FOCA estava ligada à seção esportiva da FISA, antecessora da FIA.

O francês Jean-Marie Ballestre, presidente da FISA entre 1978 e 1982, se opunha à FOCA e a Ecclestone e os dois brigaram durante três anos por causa do regulamento técnico das corridas e dos direitos comerciais da F1. A Ferrari e a Renault se juntaram a Ballestre, contra as outras equipes da FOCA.

A pendência só se resolveu em 1981, com um acordo que definia a competência da FIA e da FOCA. A FIA cedeu à FOCA os direitos comerciais em troca de uma porcentagem sobre os ganhos. O restante deveria ser dividido entre as equipes, conforme os resultados e a tradição de cada uma. Esse compromisso denominado Acordo de Concórdia (chamado assim por ter sido assinado na Praça da Concórdia, em Paris), regula a gestão da F1. .

Em 1987, a FIA passou a ser dona dos direitos comerciais da F1, que incluem a cota paga pelos promotores de GPs e que proveem da renda da publicidade nos circuitos, direitos de transmissão da TV, venda de ingressos e do Paddock Club, o hotel itinerante, montado a cada Grande Prêmio.

Em 1995, a FIA e a FOA (que, desde 1992, substituía a FOCA) assinaram um contrato, que vigoraria a partir de 1997, pelo qual a entidade mundial cedia à empresa os direitos comerciais e de exploração de som imagem do campeonato, até 2.010.

Nessa quarta renovação do Acordo de Concórdia, ficou acertada a seguinte distribuição dos direitos: 47% para as 10 melhores equipes e os 53% restantes ficam com a SLEC, empresa criada por Bernie Ecclestone, em 1997, para gerir a categoria e encarregada de redistribuir os direitos comerciais às equipes. O nome da empresa é formado pela iniciais do nome da mulher de Bernie Ecclestone , SLavica ECclestone, uma croata, ex-modelo de Giorgio Armani, nascida Slavica Malic, em 1961.

Em 28 de maio de 1999, Bernie Ecclestone alterou o nome da FOA para FOM, repassando a esta todos os direitos da antecessora. Mas criou uma outra empresa com o mesmo nome, FOA, para administrar esses direitos.

Em outubro de 1999, Bernie Ecclestone começou a repassar parte dos direitos da SLEC a outros parceiros, vendendo 12,5% das ações ao fundo Morgan Grenfell Private Equity (Moge), subsidiário do Deutsche Bank, por US$ 312 milhões. Em fevereiro, vendeu mais 37,5%, ao grupo norte-americano Hellman & Friedman, por US$ 1 bilhão.

Em 2000, a FIA renovou o acordo de 1997, ampliando por cem anos, até 2110, portanto, a concessão à FOM dos direitos comerciais da F1.

Ainda em 2000, o empresário alemão Thomas Haffa, do grupo EM.TV comprou por US$ 1,6 bilhão, os 50% da SLEC dos dois bancos, mas não soube administrar o crescimento rápido da sua empresa e, no ano seguinte,  teve de passar o controle da empresa a outro alemão, Leo Kirch, também empresário da mídia. Kirch  comprou também outra parte dos direitos de Ecclestone e os dois alemães passaram a ter 75% da SLEC, sendo 58,3% de Kirch e 16,7% de Haffa.

Em 2002, o grupo de Kirch foi a falência e os 75% foram comprados pelos bancos JP Morgan, Lehman Brothers e Bayerische Landsbank. Os outros 25% continuaram com a família Ecclestone, através da empresa Bambino Trust, que pertence também às filhas de Bernie, Tâmara e Petra.

Em meio a todos esses negócios, surgiram vários atritos entre equipes, fábricas, bancos e a SLEC. As equipes reclamavam maior participação na comercialização dos direitos. Como forma de pressão, as fábricas ameaçavam criar um campeonato paralelo e para defender suas posições, até criaram uma associação, a GPWC (Grand Prix World Championat), formada pela Ferrari (Fiat), Daimler Chrysler (Mercedes), BMW, Ford e Renault.

Uma reunião realizada em dezembro de 2003, com a participação da GPWC, SLEC e FOM parece ter aparado todas as arestas e estabelecido a paz entre as partes. Nessa reunião ficou acertado que as equipes passariam a ter aumento significativo nas suas receitas e as fábricas teriam três representantes na SLEC.

Os bancos Bayerische Landsbank, JP Morgan e Lehman Brothers continuaram com a maioria das ações da SLEC. Bernie Ecclestone manteve seus 25% na SLEC e continuou a ser o CEO da FOM. Ele era, também, dono da maior parte das ações da empresa Alpha Prema, detentora da Formula One Group e da Formula One Holdings, que detém os direitos comerciais da Fórmula 1..

Em março de 2006, uma empresa chamada CVC Capital Partners, grupo de participação privada independente, que gerencia fundos de superiores a 16.8 bilhões de euros, comprou 75% da participação no SLEC, mas Ecclestone continuou sendo seu chefe executivo e manteve a posse de um número não revelado de ações.

Em 2012, Gerhard Gribkowsky, ex-diretor do BayernLB, admitiu ao Ministério Público alemão ter recebido suborno de 45 milhões de euros para convencer o banco a vender a Ecclestone sua participação na empresa que administrava os direitos da F1.

Gribkowsky confessou também evasão fiscal e abuso de confiança. O Ministério Público acusou Ecclestone de ser um coautor no caso, e, em um julgamento Munique, o promotor público disse à corte que Ecclestone “não foi chantageado, foi coautor em um caso de suborno”.

De acordo com o promotor e o acusado, Ecclestone pagou cerca de 44 milhões de dólares ao ex banqueiro para comprar a participação do banco na F1. Ecclestone, por seu lado, disse aos promotores ter sido chantageado por Gribkowsky que ameaçava denunciar às  autoridades fiscais do Reino Unido sonegação de fundo familiar controlado por ex-mulher dele.

Em julho de 2013, promotores alemães indiciaram Ecclestone por suposto suborno e Gerhard Gribkowsky, o executivo do banco BayernLB, foi considerado culpado de receber 44 milhões de dólares de subornos e por falta de pagamento de imposto sobre o dinheiro. Em 14 de Janeiro de 2014, um tribunal de Munique decidiu que Ecclestone poderia ser julgado por acusações de suborno e, em 5 de Agosto de 2014, o mesmo tribunal decidiu que 0 inglês poderia pagar multa de 60 milhões de libras, sem admitir culpa, para terminar o julgamento.

Entrevistas realizadas por um promotor alemão no caso Gerhard Gribkowsky mostraram que Ecclestone esteve sob investigação pelas autoridades fiscais do Reino Unido por nove anos, por ter evitado  pagar 1,2 bilhão de libras, com um esquema de evasão fiscal legal. Em 2008, a Receita Federal concordou em encerrar o processo, com o pagamento de apenas 10 milhões de libras.