Curvas


De todos os ângulos possíveis, com inclinações das mais variadas, as curvas são a base de uma boa pista. Todo circuito que se preze tem de ter pelo menos uma curva que, pelo traçado e o grau de dificuldade que oferece, o destaque. Mas, nenhum piloto gosta de pista “travada”, cheia de curvas fechadas e estreitas. As preferidas são aquelas que existem só para mudar a direção entre duas longas retas, de preferência de raio bem longo para que a velocidade possa ser grande. São curvas como a Ost, em Nürburgring, na Alemanha; a antiga seqüência das curvas um e dois de Interlagos, ou ainda a lendária Eau Rouge, em Spa, na Bélgica. Curvas que fazem o piloto sentir frio na barriga quando se aproxima delas.

Uma curva que fez muito piloto famoso tremer foi a Peraltada, no circuito Hermanos Rodrigues, no México, uma curva forte no final de uma longa reta, sem inclinação que favoreça o trabalho do piloto. Lisa, é fácil sair dela. Num ponto como esse, quando o piloto não tem de usar o freio e sim o sangue frio, muita coisa pode ser decidida numa prova. Um desafio que os melhores pilotos aceitam de bom grado. Ayrton Senna capotou seu McLaren quando tentava fazer essa curva numa marcha mais longa que os outros nos treinos para o GP do México, em 1991.

Normalmente uma curva é desenhada pelo piloto em três partes: a tomada, quando se coloca para fazer a curva freando e estabilizando o carro; a tangência, que é o ponto mais interno da curva, e a saída dela, para onde o piloto leva o carro para poder recuperar mais rápido a velocidade.

Parabólica – Monza

Parabólica – Monza

Dentro de um traçado ideal, é o jeito mais rápido de se fazer a curva, mas normalmente os pilotos têm poucas chances de fazer isso durante a corrida, quando disputam posições. Nesses momentos muita coisa que parece errada acaba sendo certa. A tomada da curva se faz freando antes, para induzir o perseguidor ao erro. Quantas vezes não ouvimos um piloto reclamando de outro, pois o que vinha na frente freou muito antes da curva? Esse recurso é muito utilizado para defender posição numa pista.

No final dos anos 1950, a FIA determinou a supressão das curvas elevadas, para reduzir a velocidade e poupar a suspensão dos carros. Uma nova restrição às curvas de alta velocidade e imposição de mudanças foram feitas em 1994, depois dos acidentes que mataram Ayrton Senna e Roland Ratzemberger.

O circuito de Spa-Francorchamps é considerado como o que tem as curvas mais desafiadoras da Formula1. A Eau-Rouge, uma das suas curvas, é incluída em quase todas as listas de melhores curvas da categoria. Além da Eau-Rouge, a Blanchimont é outra curva de Spa-Frncorchamps incluída entre as mais difíceis da F1. A “Eau Rouge”, tomada em sexta marcha, exige muito equilíbrio do carro; a  Blachimont  é uma curva rápida, na qual é preciso uma boa configuração aerodinâmica.

As outras mais citadas são Parabólica, de Monza; Escorial, da França; Renault, de Barcelona; Becketts, de Silverstone; 130R e First Curve, de Suzuka, e Jochen Ring, do A1 Ring.

De Interlagos, é sempre lembrada a “Laranjinha”. Embora não muito citada, Interlagos tem outra curva considerada uma das mais difíceis da Fórmula 1, o “S” do Senna. Ela foi criada em 1989, numa reforma da pista, com a eliminação das tradicionais curvas do Sol, Ferradura e Sargento , por sugestão de  Ayrton Senna,   e por isso é sempre citada como o “S do Senna”.

Com o desenvolvimento cada vez maior dos carros, há retas que acabam se transformando em grandes curvas. O trecho de Interlagos que fica entre a saída da curva da junção até o “S” do Senna é conhecido por todos como reta dos boxes. Para os rápidos carros da F-1, porém, formam uma grande curva. A fatídica curva Tamburello na pista de Imola, na Itália, também era quase uma reta. Plana, era feita a mais de 200 km/h, com uma pequena mudança de direção. Podia ser feita por dentro ou por fora com a mesma facilidade. Redesenhada, depois do da morte de Senna, a Tamburelo, assim como a Villeneuve, perdeu  velocidade.

O circuito de Suzuka, no Japão, em forma de oito tem uma boa combinação de curvas rápidas e lentas. Uma delas, a 130R, redesenhada, é a que permite maior velocidade.