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Chegada

(publicado originalmente em CD ROM Enciclopédia da F1/1996, atualizado em 2013)

Peter Ghetin vence pela menor diferença da história da F1

No momento decisivo de uma prova, a bandeira quadriculada a núncia o fim da corrida. Chegar ali em primeiro lugar é o sonho de todos. Na história da Fórmula 1, muitos são os casos de vitórias tranquilas, com até duas voltas de vantagem sobre o segundo colocado. Isso aconteceu duas ve3zes. No GP da Espanha, de 1969, Jackie Stewart, da Matra-Ford, dominou a corrida em Montjuich, em Barcelona. Bruce McLaren, o segundo colocado cruzou a linha de chegada com duas voltas de atraso em relação ao “escocês voador”.

Outro britânico, Damon Hill repetiu a façanha no GP da Austrália, de 1995, pela Williams. O segundo lugar ficou com o francês Olivier Panis, da Ligier, também duas voltas atrás do vencedor.  A chegada mais disputada aconteceu no GP de Monza, na temporada de 1971. Uma briga que envolveu os dez primeiros colocados ao longo de toda a prova. Depois de várias mudanças na liderança, a sete voltas do final, o líder era Chris Amon.

Senna e Mansell, a segunda menor diferença da história da F1

O neozelandês parecia a caminho de por fim à fala de azarado, quando foi limpar a sua viseira. Toda a lente saiu e, sem poder enxergar direito, Amon teve de diminuir o ritmo. Atrás dele, vinham Ronnie Peterson, da March; François Cevert, da Tyrrell; Mike Hallwood, da Surtees; Howden Ganley, da BRM, e Peter Gethin, na outra BRM.  Na última volta, Peterson e Cevert estavam colados, quando Gethin, que era o terceiro, saiu para o tudo ou nada. Na Parabólica, atacou por dentro dos ponteiros, com duas rodas na grama e as outras duas fritando pneus. Conseguiu se colocar entre os dois e cruzou a linha e chegada com o bico do carro de vantagem. Os cinco primeiros estavam divididos por 0s61. Gethin conseguiu a sua única vitória na F1 por apena s0s10 ou um centésimo. Existem cálculos mostrando que um piscar de olhos consome 0s3. Por aí se tem uma ideia de como os cinco primeiros colocados daquela corrida na Itália chegaram colados. Psique os olhos duas vezes e pronto, passaram cinco carros.

A última chegada apertada aconteceu no GP de Mônaco de 1992, com a vitória de Ayrton Senna, da McLaren, e o segundo lugar de Nigel Mansell, da Williams. O inglês liderava a corrida com folga, quando, a poucas voltas do Inal, por causa de um pneu furado, precisou fazer um pit stop fora dos planos. Pelo telão, Senna viu o rival nos boxes e conseguiu assumir a liderança. Mansell voltou à pista e colou em Senna ao faltarem cinco voltas para o fim da prova. Mas em Mônaco é muito difícil ultrapassar. Quando o adversário é alguém como Senna, então, é tarefa quase impossível. Mansell fez e tudo, mas não conseguiu. Recebeu a bandeirada 0s125 atrás e Ayrton.

Os mesmos pilotos protagonizaram outra chegada emocionante num circuito tão complicado para ultrapassagens como Mônaco, o de Jerez de La Frontera, no GP da Espanha de 1986. Na época, Senna era piloto da Lotus-Renault; Mansell corria pela Williams, que tinha o poderoso motor Honda Turbo. Nem assim o britânico conseguiu superar o brasileiro, que venceu com apena s0s014 e vantagem. No visual, é quase impossível determinar quem cruzou a linha primeiro. Isso soe possível graças aos equipamentos eletrônicos utilizados para cronometragem.

São sensores instalados em cada carro, que enviam sinais de rádio em frequências diferentes para outro sensor, instalado na linha de chegada. Ligados a cronômetros de alta precisão, esses equipamentos são capazes de determinar diferenças milesimais. Veja uma relação das chegadas mais emocionantes da história da Fórmula 1, com as diferenças entre o primeiro e o segundo colocados, e outra com as vitórias mais tranquilas, com uma ou duas voltas de vantagem do primeiro para o segundo colocado. Em 581 GPs disputados até 1995, foram 25 vezes em que o vencedor conseguiu tal feito.

Diferenças

  1. GP da Itália 1971 – Gethin (BRM)/ Peterson (March) – 0s10
  2. GP da Espanha 1986 –  Senna (Lotus-)/Mansell (Williams) – 0s014
  3. GP da Itália 1969 – Stewart (Matra)/Rindt (Lotus) – 0s080
  4. GP da França 1954 – Fangio (Mercedes)/Kling (Lotus) – 0s100
  5. GP da França  1961 – Bagheti (Ferrari)/Gurney (Porsche) – 0s100
  6. GP da Áustria 1982 – De Angelis (Lotus)/Rosberg (Williams) – 0s125
  7. GP da Holanda 1955 – Fangio(Mercedes)/Moss (Mercedes) – 0s220
  8. GP da Inglaterra 1955 – Moss (Mercedes)/Fangio (Mercedes ) – 0s200
  9. GP da Itália 1967 – Surtees (Honda)/ Brabham (Brabham) _ 0s200
  10. GP da Espanha 1981 – Villeneuve (Ferrari)/ Lafitte  (Ligier) – )s210
  11. GP de Mônaco 1982 – Senna (McLaren)/Mansell (Williams) – 0s215
  12. GP da Holanda 1965 – Lauda (McLaren)/Prost (McLaren) – 0s232
  13. GP da Hungria 1990 – Boutsen (Williams)/ Senna (McLaren) – 0s288)

Vantagens

Duas voltas de vantagem

Espanha/69 – Stewart (Matra)/ McLaren (McLaren)

Áustria/95 –  Damon Hill (Williams)/ Panis (Ligier)

Uma volta de vantagem

Mônaco/50 –  Fangio (Alfa Romeo)/ Ascari (Ferrari)

França/52 –  Ascari Ferrari)/ Farina (Ferrari)

Inglaterra/52 –  Ascari (Ferrari)/ Tarufi (Ferrari)

Argentina/53 –  Ascari (Ferrari)/ Viloresi (Ferrari)

Itália/54 – Fangio (Mercedes)/ Hawthorn (Ferrari)

Inglaterra/56 – Fangio (Ferrari)/ De Portago-Collins (Ferrari)

Portugal/59 –  Moss  (Cooper)/Gregory (Cooper)

França/62 – Gurney (Porsche)/ Maggs (Cooper)

Bélgica/63 –  Clark (Lotus)/ McLaren (Cooper)

Holanda/63 – Clark (Lotus)/Gurney (Brabham)

Mônaco/64 –  Graham. Hill (BRM)/Ginther (BRM)

Holanda/66 –  Brabham (Brabham)/Graham Hill (BRM)

Estados Unidos/66 –  Clark (Lotus)/Rindt (Cooper)

Mônaco/67 – Hulme (Brabham)/Graham Hill (Lotus)

Canadá/68 – Hulme (McLaren)/McLaren (McLaren)

Inglaterra/69 – Stewart (Matra)/ Ickx  (Brabham)

Espanha/70 –  Stewart (March)/ McLaren (McLaren)

Inglaterra/75 – Emerson  (McLaren)/Pace (Brabham)

Mônaco/82 – Patrese (Brabham)/Pironi (Ferrari)

San Marino/85 – De Angelis (Lotus)/Boutsen (Arrows)

Inglaterra/85 – Prost (McLaren)/Alboretto (Ferrari)

Áustria/86 – Prost (McLaren)/Alboretto (Ferrari)

Brasil/94  – Schumacher (Benetton)/Damon Hill (Williams)

Atualizando

*Até 2013, a diferença de Peter Gethin (BRM) para Ronnie Peterson, no GP da Itália de 1971, de 0s01, ainda era a menor da história da Fórmula 1. Gethin que correu na F1 de 1970 a 1974 e não venceu nenhuma corrida, morreu em 5 de dezembro de 2011.

* NO GP dos Estados Unidos de 2002, Rubens Barrichello (Ferrari) chegou 0, 011 à frente de Michael Schumacher (Ferrari), com o piloto alemão cedendo, nitidamente a vitória ao brasileiro, certamente em retribuição ao gesto de Barrichello, que fez a mesma coisa no GP da Áustria.

* No GP de Mônaco de 2012, a diferença entre o vencedor, Mark Webber (Red Bull), e Felipe Massa (Ferrari) o sexto colocado, foi de 6s1; a vantagem de Webber sobre o segundo colocado, Nico Rosberg (Mercedes), foi de 0s6.