Chassi

Quando se entra num automóvel de passeio, pode-se guiar com a certeza de que ele foi pesquisado e projetado para transportá-lo dentro dos melhores padrões de conforto, segurança e economia. Essa é, basicamente, a filosofia das grandes indústrias automobilísticas.

chassi_01O carro da F-1 é construído sem a menor preocupação com a economia, nem de material nem de combustível. Seu único objetivo é permitir que cada piloto cumpra, o mais rápido possível, o percurso de cada grande prêmio. Mas cada inovação aprovada num carro de corrida vai, algum tempo depois, ser implantada num carro de passeio, que vai sendo aperfeiçoado graças ao que acontece nas pistas de corrida.

Um carro Fórmula 1 é dividido em quatro partes. Olhando-se o carro, destaca-se o motor, o câmbio, as suspensões e o chassi. O chassi é onde cada uma dessas peças é montada; é o corpo do carro, também chamado de monocoque.

Sua construção tem muito mais a ver com um jato de combate do que com um carro de rua. É feito de vários materiais compostos, como Kevlar, fibra de carbono e outras fibras resistentes criadas em laboratório. O chassi é desenhado primeiramente no computador e desse desenho é feito um molde, em material sintético.

Esse material não pode ser granulado nem se expandir sob altas temperaturas, para que o molde seja perfeito. Esse molde é coberto de fibra de carbono para fazer o molde do chassi. Feito o molde, ele é preenchido com camadas de fibra de carbono. A maneira como é colocada a fibra de carbono é importante, pois ela pode provocar tensões e forçar outras partes do molde.

A fibra é trabalhada para caber exatamente no molde e deve ser constantemente aquecida para manter-se maleável e ajustar-se aos contornos do molde. Depois que cada camada é colocada, o molde é posto numa câmara de vácuo para retirar o excedente e garantir que a fibra está perfeitamente colada no molde. O número de camadas, em média 12, difere para cada área.

É maior nas partes mais exigidas do chassi. Entre essas camadas é colocada uma camada de alumínio, em forma de colméia, que dá mais resistência à peça. Aplicado o número correto de camadas, o molde é levado à autoclave, onde é aquecido e pressurizado. Em duas horas e meia, as fibras endurecem e se solidificam e o chassi está pronto. As peças internas, como os pedais, painel e assento são colados com resina epoxy  e na parte externa pintados os patrocínios.

McLaren MP4/1, o primeiro carro com chassi em fibra de carbono

McLaren MP4/1, o primeiro carro com chassi em fibra de carbono

Nesse monocoque o que vai ganhar mais destaque é o cockpit, ou habitáculo do piloto. A FIA determina dimensões da abertura do habitáculo para proporcionar relativo conforto e rápida saída de um piloto de 1,90m de altura. O piloto não deve demorar mais de sete segundos para abandonar o carro em caso de emergência.

Dentro do cockpit destacam-se:

Banco: o assento do piloto é moldado em seus contornos, portanto, é exclusivo. Todos se lembram de Rubens Barrichello no GP Brasil de 1995 preocupado em tirar o banco de seu carro para instalar no carro reserva. é feito um molde do corpo do piloto, de forma que ele caiba perfeitamente ao pequeno espaço disponível no cockpit. O assento é feito de fibra de carbono, devido à sua resistência e pouco peso e algumas equipes o revestem internamente de camurça, para conforto do piloto e uma posicionamento seguro.È importante usar materiais anti-inflamáveis, que não aumentem de temperatura e não criem eletricidade estática na fricção do contato com o piloto durante a corrida. O piloto fica preso ao banco por um cinto de segurança de seis pontos, fixado no chassi, liberado automaticamente em caso de acidentes.

Volante: o volante de um carro de F-1 é projetado para ter um melhor uso em altas velocidades. Seu pequeno diâmetro, necessário para se adaptar no pequeno habitáculo, o torna pesado nas manobras de box. Um mecânico sempre ajuda o piloto na manobra de encostar de ré nos boxes, depois de um treino. Porém, em alta velocidade, proporciona extrema precisão. No volante está todo o comando do carro. São, botões, que o piloto deve apertar ou girar, para controlar todas as ações durante a corrida. Um botão limita a velocidade na pit lane; outro endurece ou amolece a embreagem; um terceiro controla o fluxo de combustível. Há ainda botões para comunicação de rádio, controle do diferencial, dos freios, da embreagem e ainda um display para mostrar dados de todas essas operações e desenho do circuito.

Borboletas de câmbio, pequenas alavancas, ou botões, que ficam atrás do volante, para a troca de marchas. Elas proporcionam mais segurança ao piloto, que não precisa tirar a mão do volante para trocar de marcha. Numa pista como Mônaco, onde a impressionante seqüência de curvas implica constantes mudanças de marcha, os pilotos saiam com bolhas de sangue nas mãos. Hoje isso não existe mais.

Pedais: muitas equipes adotaram o lay-out de dois pedais apenas. A embreagem é também acionada num botão no volante. Isso permite que o piloto fique com um pé o tempo todo no acelerador e o outro no freio. Os pedais são feitos de titânio leve e têm um apoio, para evitar que o pé do piloto escorregue.

Tanque – O tanque de combustível fica imediatamente atrás do assento do piloto, dentro do chassi. É feito de duas camadas de borracha, nitrato de butadieno (intermediário químico) com outra camada de kevlar reforçado para prevenir  rompimento. O tanque é como uma bolsa, ele pode se deformar, sem rasgar ou vazar Ele tem a medida exata para assentar-se no chassi, sem se movimentar com elevadas forças G. O interior do tanque é muito complexo e contém várias seções para evitar que o combustível seja agitado e tem três bombas para sugar o liquido até a última gota. Essas bombas entregam o combustível a uma taxa constante à única bomba do motor. A ligação entre o tanque e o motor interrompe o fluxo do combustível, se o motor for jogado fora do chassi num grande acidente