Adrian Newey

adrian_01Adrian Newey é engenheiro da Fórmula 1, considerado um dos melhores projetistas de carros de corrida de todos os tempos. Desde os anos 1990, tem criado carros vencedores, como os Williams de Nigel Mansell, de 1992, Alain Prost, em 1993, Senna de 1994,  Damon Hill, de 1996, e Jacques Villeneuve, de 1997; os McLaren de Mika Hakkinen, de 1998 e 1999, e Red Bull de Sebastian Vettel, de 2010, 2011 e 2012.

Até 2012, tinha vencido 153 corridas; conquistado 9 títulos mundiais de construtores e 8 de pilotos e os carros projetados para a Red Bull e que levaram Sebastian Vettel ao bicampeonato são considerados obras primas.

Newey é chefe do departamento técnico da Red Bull desde 2006. Antes trabalhou como engenheiro de corrida, técnico em aerodinâmica, desenhista e diretor técnico na March, Williams e McLaren e também na Indycar, sempre com muito sucesso.

O engenheiro inglês tem uma estreita ligação com o Brasil, pois trabalhou com Emerson Fittipaldi, quando este criou a sua escuderia, e projetou o carro em que Ayrton Senna morreu. Em entrevista ao jornal inglês Guardian revelou que a morte do piloto brasileiro o abalou e pela primeira vez pensou em abandonar a carreira.

Adrian Newey nasceu no dia 26 de dezembro de 1958, em Stratford-upon-Avon, cidade inglesa onde também nasceu William Shakespeare. Seu pai, um cirurgião veterinário, teve vários Mini Cooper e Élan Lotus, que montava a partir de kits, e uma pequena oficina com torno mecânico, equipamento de solda e metalurgia básica. Adrian o ajudava, sempre mexendo nos carros, o que o levou a também montar um pequeno Tamhya e um Lotus T49 e a conhecer os nomes de todas as peças. A partir daí surgiu o seu interesse pelos carros.

Aos 13 anos, com a ajuda do pai, que lhe dava uma libra a cada libra que ganhava vendendo jornais ou cortando grama, comprou o seu primeiro kart. Para torná-lo mais rápido e competitivo, reconstruiu o motor, montou um sistema de ignição eletrônica e, com o soldador de tubos, fez um novo quadro. Durante algum tempo, acumulou o gosto pela direção com o da engenharia, mas no colégio interno de Repton, onde não podia usá-lo, deixou de lado o kart. Como não gostava da Matemática, Física e Química do colégio, também o abandonou e obteve um diploma nacional no colégio técnico de sua cidade.

Em seguida, formou-se na Universidade de Southampton, com grau de honra de primeira classe em Aeronáutica e Astronáutica. Ele diz ter escolhido a universidade pela sua ligação com a indústria automobilística (March, Brabham, McLaren) e a aeronáutica porque era a disciplina que mais se aplicava à engenharia e corridas. Como trabalho de conclusão do curso, Adrian fez um projeto sobre aerodinâmica, detalhando o efeito solo nos carros de estrada, e com ele na mão passou a procurar emprego. Escreveu a todas as fábricas das quais conseguiu endereço; a maioria nem respondeu e outras disseram preferir alguém com mais experiência. Ele já estava disposto a fazer um curso de PHD em lâminas de rotor de helicóptero, até dispensando uma oferta da Lotus, quando recebeu e aceitou convite de Ian Harvey para trabalhar na Copersucar, de Emerson Fittipaldi.

Newey trabalhou como chefe de aerodinâmica da equipe brasileira entre 1979 e 1980 e, com a experiência adquirida, em 1981, transferiu-se para a equipe inglesa March, como engenheiro de corrida do piloto venezuelano Johnny Ceccato, na Fórmula 2, mas logo passou a desenhista. Com lápis e papel, desenhou o seu primeiro carro, que, em 1983 e 1984, venceu o campeonato de turismo da IMSA (International Motor Sports Association), dos Estados Unidos; em 1984, projetou o March 85C, ganhador de 7 das 16 corridas da Fórmula Indy, inclusive as 500 milhas de Indianápolis, e, num modelo atualizado, voltou a ganhar o campeonato de 1986 e as 500 Milhas de 1986 e 1987.

Ainda em 1987, o projetista teve uma breve passagem pela Force F1; foi engenheiro de corrida de Mário Andretti, na CART, e, em agosto, voltou à March, como desenhista chefe da equipe que retornava à F1.

Com a introdução de avanços aerodinâmicos, Newey criou o March-Judd 881, que, pilotado por Ivan Capelli e Maurício Gugelmin, foi um sucesso, obtendo 22 pontos (17 de Capelli e 5, de Gugelmin) e a 6ª colocação entre os construtores, no campeonato de 1988. O modelo foi copiado por outras equipes no ano seguinte e Newey incluiu-se na lista de grandes projetistas ingleses, ao lado de John Cooper, Colin Chapman, Patrick Head, John Barnard e Ross Brawn.

No ano seguinte, promovido a diretor técnico, o projetista inglês não teve o mesmo sucesso e, no meio da temporada da 1990, foi demitido pela Leyton House, equipe com capital japonês, mas com sede na Inglaterra, que havia comprado a March. Ainda no mesmo ano, Newey foi chamado por Patrick Head para desenhar os carros da Williams e os dois projetaram modelos que dominaram as pistas no início da década.

O primeiro deles, o FW14, com motor Renault RS3 3.5m pilotado por Nigel Mansell e Ricardo Patrese, a partir da metade da temporada, venceu 7 dos 16 GPs, totalizando 125 pontos, contra 139 da McLaren, e colocando os dois pilotos nas 2ª (Mansell) e 3ª (Patrese) colocações do campeonato dos pilotos. O campeão foi o brasileiro Ayrton Senna, com 96 pontos, 24 a mais do que Mansell.

O segundo modelo projetado por Newey para a Williams, o FW 14B, com os motores RS3C e RS4, de 3.5, V10, com suspensão ativa bastante desenvolvida, o consagrou como um dos melhores projetistas da Fórmula 1. Com ele, Nigel Mansell conquistou 14 poles positions (as outras duas foram obtidas por Ricardo Patrese e Ayrton Senna) e venceu 10 das 16 provas da temporada, sagrando-se campeão com 5 etapas de antecipação. Mansell somou 96 pontos, contra 56 do companheiro Ricardo Patrese, vice-campeão, e 53 de Michael Schumacher, 3º colocado.

Em 1993, a Williams trocou a dupla de pilotos, contratando Damon Hill e Alain Prost, mas os carros de Newey continuaram mandando nas pistas. Com o FW15C, com o motor RS5 3.5. V10, Prost fez duas séries de 7 e 5 poles consecutivas, totalizando 13 no final; venceu 7 corridas e subiu ao pódio 12 vezes e conquistou o campeonato com 99 pontos, contra 73 de Ayrton Senna.  Damon Hill foi o terceiro colocado no campeonato, 3 vitórias; 1 pole e 10 pódios, num total de 69 pontos.

Em 1994, porém, Newey e a Williams viveram um período amargo. Os carros, os FW16 e FW16B, com motor RS6, 3.5, V10, sem o controle de tração, suspensão ativa e outros elementos eletrônicos proibidos pela FIA, não tiveram a mesma performance dos anteriores. A temporada começou mal. No Brasil, Ayrton Senna, pole position, rodou e abandonou; no GP do Pacífico, no circuito de Ainda, no Japão, outra vez pole, bateu na largada e teve de sair, e na 3ª corrida do campeonato, no GP de San Marino, em Ímola, aconteceu o acidente a ser lamentado sempre, que provocou a morte do brasileiro. Apesar do choque e da instabilidade dos carros, a Williams se manteve na luta pelo título, só perdido na última corrida por Damon Hill para Michael Schumacher, com o B194, com motor Ford ECA Zetec-R, 3.5 V8, da Benetton, desenhado por Rory Byrne, a única ameaça aos modelos projetados por Newey.

A perda do tricampeonato e o acidente com Ayrton Senna abalaram as relações entre Newey e a Williams, mas ele ainda participou com Patrick Head, da criação dos modelos F18, com motor RS8, 3.0 V10, com o qual a equipe, ganhou os títulos dos pilotos (Damon Hill) e de construtores de 1996, e do F19, com motor RS9, 3.0 V10, que conquistou o bicampeonato nas duas classificações, em 1997.

Ainda durante a temporada de 1997, Newey se transferiu para a McLaren e se dedicou a incrementar o modelo do MP4/12, com motores Mercedes FO110E 3.0 V10 e FO110F 3.0 V10, criado por Neil Oatley, visando a temporada de 1998. Desse trabalho resultou o MP4/13, com motor Mercedes FO110G, que proporcionou à equipe inglesa novos títulos em1998 e 1999. Em 1998, Mika Hakkinen foi o campeão, com 100 pontos, contra 86 de Michael Schumacher e a McLaren somou 156 pontos, contra 103, da Ferrari. Em 1999, Hakkinen repetiu a conquista, fazendo 76 pontos, contra 74 de Eddie Irvine, da Ferrari, mas a equipe perdeu para a Ferrari, por 4 pontos (128 a 124), o título dos construtores.

Até o fim dos anos 1990, Adrian Newey dominava o cenário dos projetistas, com 6 títulos de construtores em 10 disputados e 67 vitórias. Nesse período, sobrepujava, com folga o seu mais direto concorrente entre os desenhistas, o ferrarista Rory Byrne. A partir de 2000, entretanto, com a chegada de Michael Schumacher, as posições se inverteram. Até 2004, com as conquistas de 1996, com Schumacher, na Benetton; de 1999, com Eddie Irvine/Schumacher/Mika Salo, na Ferrari, e de 2000 a 2004, com Schumacher, também na Ferrari, Byrne somou 7 vitórias entre os construtores, contra as 6 de Newey. Esse ranking mudou, depois de 2010.

Em 2001, Newey esteve perto de trocar a McLaren pela Jaguar, a convite de Bobby Rahal, mas Ron Denis o convenceu a ficar. Em 2004, voltaram a circular boatos sobre a sua saída, até que, em 8 de novembro de 2005, a Red Bull anunciou a sua contratação, com salários anuais de 20 milhões de dólares, para começar a trabalhar na nova equipe em fevereiro de 2006.

Na primeira temporada na nova equipe, com o RB2, com motor Ferrari 056,2. 4 V8, tendo como pilotos David Coulthard, Christian Klien e Robert Doornbos, Newey teve como melhor resultado o 3º lugar no GP de Mônaco, obtido por Coulthard, e depois de uma série de 12 abandonos e apenas mais 6 chegadas na zona de pontuação, a Red Bull somou apenas 16 pontos e terminou em 7º lugar entre os construtores.

Em 2007, a Red Bull passou a ser equipada com os motores RS27, da Renault, e o RB3, primeiro carro projetado por Newey para o novo motor, semelhante aos que já desenhara para a McLaren, mostrou-se razoavelmente rápido, porém, pouco confiável. Das 17 corridas, Mark Webber e David Coulthard não concluíram 7 cada um, quase sempre por problemas nos freios, no sistema de abastecimento e na caixa de câmbio. Apesar de tudo, com o 3º lugar em Mônaco e o 7°, nos Estados Unidos e na Bélgica, conquistados por Mark Webber, e dois 5ºs lugares, na Espanha e no GP da Europa; um 4º lugar na China e 8º no Japão, de David Coulthard, a Red Bull totalizou 24 pontos, subindo para a 5ª colocação entre as construtoras. Nesse ano, Newey também foi para a pista como piloto, participando das 24 horas de Le Mans, com um carro da Ferrari, ao lado de Bem Aucott e Joe Macari. Eles terminaram a prova no 22º lugar da classificação geral em 4º na sua categoria.

Para 2008, Adrian Newey e Geoff Willis projetaram o chassi mais complexo até então produzido na fábrica da Red Bull, na cidade inglesa de Milton Keynes, o RB4, ainda com o motor RS27. O novo carro começou bem a temporada. Mark Webber marcou pontos em 5 das 6 primeiras corridas; David Coulthard foi ao pódio com o 3º lugar, no Canadá, e a equipe terminou a primeira fase do campeonato com 24 pontos, disputando a 4ª colocação com a Renault e a Toyota. No final da temporada, porém, obteve apenas 5 pontos em 9 corridas (três 8ºs lugares de Webber e um 7º de Coulthard) e chegou ao fim do campeonato com 29 pontos, em 7º lugar, uma posição atrás da co-irmã Toro Rosso.

Com o RB5, ainda com o motor RS27, certamente o melhor carro por ele desenhado até então, e o surgimento de uma nova revelação alemã, o jovem piloto Sebastian Vettel, em 2009, a Red Bull assomou novo patamar, incluindo-se entre as principais construtoras da Fórmula 1. A equipe deixou de ser coadjuvante, para se tornar protagonista. Vettel venceu 4 GPs (com direito a hat-trick, na Alemanha); foi 7 vezes ao pódio; fez 4 poles e 3 voltas mais rápidas e, com 84 pontos, foi o vice-campeão da temporada. Com 2 vitórias, quatro 2ºs lugares (fazendo dobradinha com Vettel na China e Abu Dhabi), dois 3ºs e pontuação em mais 2 corridas, Mark Webber contribuiu com 69,5 pontos para o total de 153,5, que deram à Red Bull o vice-campeonato das construtoras. Só não foi campeã devido ao surgimento do surpreendente BGP001, com motor Mercedes-Benz FO109W, 2.4 e o inovador Difusor-duplo, projetado por Ross Brawn, para a sua Brawn GP, que conquistou o título das construtoras, com 172 pontos, e o dos pilotos, com Jenson Button, que totalizou 95 pontos.

Em 2010, Newey completou sua escalada rumo ao topo da galeria dos projetistas de carros de corrida, levando a Red Bull ao seu primeiro título entre as construtoras e Sebastian Vettel a se tornar o mais jovem campeão da Fórmula 1. Com o modelo RB6, equipado com uma versão atualizada do motor RS27, Vettel venceu 5 GPs; foi ao pódio 10 vezes; fez 15 poles, em 19 corridas, e 3 voltas mais rápidas e somou 256 pontos, contra 252, de Fernando Alonso, da Ferrari. Mark Webber, só não pontuou em duas corridas nas quais teve de abandonar a pista; ganhou 4 GPs; foi ao pódio também 10 vezes; fez 5 poles e 3 voltas mais rápidas, ficando em 3º lugar no campeonato, com 242 pontos. Com um total de 498 pontos, a Red Bull conquistou o campeonato com vantagem de 34 pontos sobre a Ferrari.

Adrian Newey, que já em julho tinha sido presenteado pela Red Bull com o RB5, com o qual participou do Festival de Velocidade Goodwood, em West Sussex, na Inglaterra, em 14 de novembro foi apontado como o projetista de maior sucesso de todos os tempos da Fórmula 1. Mas o ano não teve só bons momentos, para Newey. No dia 8 de agosto, quando participava, como piloto convidado, da Copa Ginetta G50, comemorativa do cinquentenário da fábrica de carros esportivos e de corridas inglesa, rodou e bateu o carro. Por precaução, foi hospitalizado, mas logo liberado, sem nenhum ferimento sério.

A Red Bull manteve a supremacia no campeonato de 2011. Para a nova temporada Newey fez várias alterações no RB7, equipado com o motor RS 27, versão 2011, dando-lhe aerodinâmica mais arrojada, e fazendo modificações, como a introdução do difusor e a troca do assoalho. Para o projetista, o grande desafio do novo modelo foi a introdução do KERS e ele chegou a confessar que preferia não ter usado o sistema de recuperação de energia. No início da temporada, a inovação criou problemas. Interferiu na colocação de vários elementos ao lado da caixa de câmbio; provocou a redução do tamanho do tanque de combustível; sofreu vibrações, aquecimento de baterias e falhas do programa de computador. Mas os problemas foram superados e a Red Bull só não completou um GP em toda a temporada, o da Itália, assim mesmo por acidente de Mark Webber, não por problema mecânico.

Com essa máquina quase perfeita, Sebastian Vettel dominou de forma avassaladora todo o campeonato, sagrando-se bicampeão no GP do Japão, restando ainda 4 provas para o fim da temporada.

Antes do encerramento do campeonato de 2010, Adrian Newey já trabalhava, em segredo, no carro para 2012. Só revelava que testava “2012” peças para o novo modelo. E anunciava que a Red Bull seria sua última equipe na Fórmula 1 e sua única dúvida era sobre quando parar: “eu não me vejo continuando aqui nos meus 60 anos, mas não consigo me ver deitado numa praia”.

Mas na temporada de 2012 ele ainda continuou na bancada de direção da equipe em todas as corridas e, ao final, festejou a conquista de Sebastian Vettel, que, com o RB8, motor Renault RS27 VB, fez 271 pontos e tornou-se tricampeão mundial. Mark Webber foi só o 6º colocado, mas com seus 179 pontos, ajudou a equipe a totalizar 460 pontos e voltar a vencer o campeonato dos construtores.