Roberto Pupo Moreno

Nome completo

Roberto Pupo Moreno

Nascimento

11 de fevereiro de 1959

Local

Rio de Janeiro

Estreia  na F1

GP da Holanda de 1982

Última corrida

GP da Austrália de 1995

Equipes

Lotus. AGS, Coloni, Euro Brun, Benetton, Jordan, Minardi, Andrea Moda, Forti

Largadas

42 (em 77 corridas)

Pontos

15

Melhor resultado

2º lugar (GP do Japão 1990)

Pódios

1

Voltas+rápidas

1

2ºs lugares

1 (GP do Japão 1990)

4ºs  lugares

2

5ºs  lugares

1

6º lugares

1

Não qualificado

10

Acidentes

3

Nascido em 11 de fevereiro de 1959, Roberto Pupo Moreno, garoto miúdo e magrinho, começou a correr de kart aos 15 anos, ganhando o Campeonato Brasiliense de Novatos, de 1974, e o da categoria principal, em 1975 e 1978. Em 1976, obteve o título nacional.

Em 1979, com a cara e a coragem, seguindo os passos de seu “mentor intelectual” Nelson Piquet, embarcou para a Inglaterra, a fim de correr na Fórmula  Ford. Em 1980, conquistou o título inglês da categoria, vencendo ainda o Festival de Brands Hatch. Em 1981, foi para a Fórmula 3, ganhou corridas na Austrália e na Malásia, além do clássico GP de Macau, de 1982.

Ainda jovem, aos 23 anos, teve sua primeira chance na Fórmula 1, na Lótus, mas não conseguiu se classificar para o GP da Holanda e teve de voltar a correr categorias, equipes e autódromos de todo o mundo. Em 1983, ganhou quatro provas da Fórmula 3; foi vice-campeão norte-americano de F-Atlantic e ainda ganhou o GP da Austrália da categoria. Em 1984, disputou o campeonato europeu de Fórmula 2 e voltou a ganhar a corrida australiana.

Correndo atrás do dinheiro, em 85 participou de três categorias: Indy, F-3.000 e F2 japonesa. Um principio de estabilidade só veio em 1986, com uma temporada completa na Indy, numa época em que correr nos Estados Unidos era ainda uma ficção para pilotos brasileiros. Pode-se dizer que Moreno foi um desbravador, como Emerson Fittipaldi.

Roberto voltou à Europa em 1987 e foi correr na F-3.000, pelo time de Ron Tauranac, conseguindo a terceira colocação no campeonato. No fim da temporada conseguiu, finalmente, voltar à F1, cinco anos depois do fracasso com a Lotus. Pela minúscula AGS, disputou duas provas e conseguiu um ponto, com a sexta colocação na Austrália.

O ano de 1988 foi o mais promissor de sua carreira. Moreno já não era nenhum garoto, tinha 29 anos e havia rodado o mundo atrás de um cockpit seguro. Apostou sua capacidade e, sem um centavo de patrocínio, decidiu encarar a F-3.000novamente, com um carro totalmente braço, sem nenhuma inscrição publicitária. Contrariando todos os prognósticos, venceu quatro corridas e conquistou o título. Bancou a temporada com o salário que recebia da Ferrari, como piloto de testes, sendo o primeiro piloto brasileiro a dirigir um carro da equipe italiana como piloto oficial da F1. Não chegou a disputar nenhuma corrida, é verdade, mas foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do então revolucionário câmbio semi-automático que seria usado no Mundial pela primeira vez em 1989. O equipamento tornou-se praticamente obrigatório na F1 e esse é um dfos orgulhos de Roberto.

A escassez de recursos, porém, foi fatal na vida do piloto. Em 1989, ele foi inscrito no Mundial pela pequena Coloni e só conseguiu largar em quatro GPs. Na época, participava pavorosas treinos de classificação eliminatórios, pois o número de carros era muito grande. Em 1990, Moreno mudou de novo de endereço. Foi para outra equipe paupérrima, a Eurobrun , pela qual largou em apenas duas corridas.

Mas, finalmente, a sorte sorriu para ele. Na Itália, Alessandro Nanini sofreu um acidente de helicóptero e teve um braço arrancado pela hélice do aparelho. Ele era o companheiro de Piquet na Benetton. E Piquet indicou o amigo do peito para ocupar a vaga nas duas últimas etapas do Mundial, em Suzuka e Adelaide.

A corrida do Japão é, provavelmente,  aquela que Roberto jamais vai esquecer. Os torcedores brasileiros também não. Naquele dia, Senna conquistou o seu segundo título mundial, ao bater em Prost na primeira curva, e Piquet conquistou sua primeira vitória pela Benetton. Moreno, chegou em segundo, para completar a festa. O pódio foi um dos mais emocionantes de todos os tempos, com Roberto chorando abraçado ao companheiro de equipe e o velho Piquet com os olhos vermelhos, festejando como se aquela fosse a primeira vitória de sua vida.

Tudo levava a crer que, em 1991, Moreno, enfim, teria um ano tranqüilo, numa equipe de ponta, como sempre sonhou. Mas a temporada foi atribulada. Ele disputou as primeiras 11 etapas do Mundial pela Benetton, marcando oito pontos. Às vésperas do GP da Itália, no entanto, a equipe o substituiu pelo emergente Michael Schumacher. A alegação para romper o contrato foi “falta de condições físicas e psicológicas para dirigir um carro de F1”. Para laçar o promissor piloto alemão, o diretor Flávio Briatore não teve escrúpulos ao recorrer a essa cláusula do contrato. Moreno não pôde nem recorrer, pois, de  fato, ao longo do ano, apresentou problemas de saúde que o impediram de ter um desempenho melhor.

Houve revolta, é claro, inclusive de Piquet. Mas o fato é que Moreno voltou à estaca zero, sem dinheiro e sem equipe. Ainda arrumou uma pequena verba para disputar dois GPs pela Jordan e outro pela Minardi e o sonho acabou.

Na verdade, não acabou, virou pesadelo, em 1992, quando Moreno aventurou-se num dos seus piores equívocos, a Andréa Moda. O time, de propriedade de um italiano fabricante de sapatos, faliu antes do final da temporada. Moreno só conseguiu se classificar para um GP, o de Mônaco. Depois disso, foi correr de Turismo, na Itália, reativou seus contatos no país e arranjou um contrato para disputar o campeonato francês de Superturismo, pela Alfa Romeo, em 1993..

A sua participação foi apagada e Moreno passou o ano de 1994 sem fazer praticamente nada, exceto participar de algumas provas de kart. Venceu as 24 Horas de Itu, promovidas pela cerveja Schincariol, e só. No ano seguinte, as coisas melhoraram um pouco e ele saiu do limbo, contratado pela Forti Corse. A principio, seu contrato previa a participação em apenas duas corridas, mas Moreno foi ficando, ajudou a desenvolver um carro notoriamente  ruim e ensinou a Pedro Paulo Diniz alguns segredos da profissão. Seu melhor resultado foi o 14º lugar no GP da Bélgica e se despediu a F1 com uma batida no muro da pitlane, no GP da Austrália. Em 72 participações na F1, Moreno fez apenas 15 pontos e foi uma única vez ao pódio, mas deixou uma imagem de profissional sério e aplicado.

Roberto Pupo Moreno ainda correu a Indy norte-americana de 1996 a 2003, quando anunciou a retirada das pistas. Mas, em 2006, disputou uma corrida da StockCar, em Jacarepaguá;  participou de GP da Indy em St Petersburg, na Flórida,  e foi o primeiro piloto a testar o Panoz DP01, com o qual disputou o GP de Houston de 2007.

Nas 500 Milhas de Indianápolis de 2007, substituindo Stephan Gregoire, da Chastain  Motorsport, Roberto Pupo Moreno bateu logo no início da corrida e acabou em último lugar.