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Michael Schumacher

Perfil

 Nome Michael Schumacher (Schummy ou Schuey)
 País Alemanha
 Nascimento 03 de janeiro de 1969
Local de origem Huerth Hermüelheim
Altura: 1,74 m
Peso: 68 kg
Residência: Vufflens-le-Chateau, na Suíça
Estado civil: Casado com Corinna Betsch, desde 1º de agosto de 1995
Filhos: 2 (Gina Maria -97 e Mick -99)
Preferências Música: Rock; Cantores: Michael Jackson e Tina Turner; Bebida: suco de maçã, com água mineral; comida: italiana
Hobbies: Futebol, tênis, natação e esqui
Web site: http://www.michael-schumacher.com/

Desempenho

Estréia na F1

25 de agosto de 1991, no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, pela Jordan

Última corrida

GP da Austrália 2012 – em Melbourne pela Mercedes

1ª vitória

30 de agosto de 1992, no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps

Equipes

Jordan (91), Benetton (91-95), Ferrari (96-06), Mercedes (2010-2011)

Corridas

306

Campeonatos

7 (1994, 1995, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004)

Vitórias

91

Pódios

155

Poles

68

Pontos

1.586

Melhores voltas

77

Maior velocidade média

247,585 km/h

Recordes

2000/2005

24 dobradinhas com Rubens Barrichello

   2000/2005

de 8 de outubro de 2000 a 25 de setembro de 2005, o maior período como campeão: 4 anos, 11 meses e 17 dias

2001/2002

19 pódios seguidos

2001/2003

24 corridas seguidas na zona de pontuação

2002

campeão com seis corridas de antecedência

2002

17 pódios (todas as corridas)

2002

77 pontos, maior vantagem no campeonato

2004

 13 vitórias numa temporada

2004

7 vitórias seguidas

Carreira

2011

2010

Volta às pistas, correndo pela Mercedes e é 9º colocado no campeonato

2006

Vice-campeão, com 121 pontos, 7 vitórias, 4 poles e 7 voltas mais rápidas (Ferrari)

 2005

3º colocado, com 62 pontos, 1 vitória, 1 pole e 1 volta mais rápida (Ferrari)

 2004

Heptacampeão, com 148 pontos, 13 vitórias,8 poles e 10 voltas mais rápidas,  em 18 provas (Ferrari)

2003

Hexacampeão, com 93 pontos, completando 15 das 16 corridas: 6 vitórias; 5 poles; 8 pódios; 5 voltas mais rápidas (Ferrari).

2002

Pentacampeão, com 96 pontos: 8 vitórias; 2 segundos lugares; 1 terceiro lugar; 3 poles e 3 voltas mais rápidas (Ferrari).

2001

Conquista o tetracampeonato, com 123 pontos, 9 vitórias; 5 segundos lugares; 1 terceiro lugar; 1 1poles e 3 voltas mais rápidas (Ferrari).

2000

Com a vitória no GP do Japão, torna-se tricampeão e o primeiro piloto da Ferrari a conquistar o título de campeão, depois de 21 anos. Totalizou 109 pontos, com 9 vitórias; 2 segundos lugares; 1 terceiro lugar; 9 poles e 2 voltas mais rápidas.

1999

Num acidente no GP da Inglaterra sofre fratura da perna e fica fora de algumas corridas. Mas vitórias em San Marino e Mônaco; 3 segundos lugares; 1 terceiro lugar; 3 poles e 5 voltas mais rápidas garantem o 5º lugar na temporada, com 44 pontos (Ferrari).

1998

 Com seis vitórias, 2 segundos lugares; 2 terceiros; 3 poles e 8 voltas mais rápidas e 86 pontos quase dão o tricampeonato ao alemão, que acaba como vice (Ferrari)

1997

Termina o campeonato em 2º lugar, com 78 pontos,  mas é desclassificado pela FIA,  após colisão, considerada proposital,  com Jacques Villeneuve na última prova da temporada. Nos 17 GPs, teve 5 vitórias; 3 segundos lugares; 2 terceiros; 3 poles e 3 voltas mais rápidas (Ferrari)

1996

Vai para a Ferrari mas enfrenta vários problemas mecânicos durante a temporada. Disputa 15 GPs e totaliza b59 pontos,  com 3 vitórias, 3 segundos lugares; 2 terceiros; 4 poles e 2 voltas mais rápidas.

1995

Bicampeão da Fórmula 1 com a Benetton, com 102 pontos 9 vitórias; 1 segundo lugar; 1 terceiro; 4 poles e 8 voltas mais rápidas.

1994

Campeão da Fórmula 1, com 92 pontos, pela Benetton, causa polêmica após se envolver em acidente com Damon Hill, que ainda tinha chances, na última prova da temporada.  Conseguiu 8 vitórias; 2 segundos lugares; 6 poles e 8 voltas mais rápidas.

1993

Termina a temporada em 4º lugar,  com 52 pontos (Benetton); 1 vitória, 5 segundos lugares; 3 terceiros e 5 voltas mais rápidas.

1992

Termina em 3º lugar, com 53 pontos,  em sua primeira temporada completa, de 16 GPs, correndo pela Benetton. Vence  o GP da Bélgica; faz 3 segundos lugares; 4 terceiros e 2 voltas mais rápidas.

1991

Estréia na Fórmula 1 na Jordan. Após uma prova, vai para a Benetton, faz 5 corridas e obtém 4 pontos

1990

Campeão alemão de Fórmula 3

1989

Termina em 3º lugar o alemão de F3, atrás de Karl Wendlinger e Heinz Frentzen

História

Piloto alemão, vindo de uma família bem situada de classe média, moradora em Kerpen, cidade pequena e ordeira, Michael Schumacher (Schummy) sempre se dedicou ao automobilismo. Olhos azuis, maxilar anguloso e porte atlético miúdo, frio e calculista, arrogante, Michael foi um ídolo. Pretensioso, se considerava polido e técnico. Era vaidoso, gostava de um macacão bem ajustado ao seu físico atlético de 1,74m, adquirido com 28 horas semanais de exercícios e praticando seus esportes favoritos: futebol e esqui aquático. Corta o cabelo num discreto estilo cogumelo e só veste grifes famosas.

A primeira coisa motorizada que Schumacher pilotou foi um kart, aos 4 anos. Seu pai deu-lhe um brinquedo movido a pedaladas, mas, por farra, colocou nele um motor de cortador de grama, para ver no que dava. Michael gostou tanto que passava todo tempo dando voltas com o carrinho pelo quintal, até que, certo dia, derrubou um lampião e seu pai decidiu preservar o quintal; levou o garoto para o kartodromo de Kerpen, que ele administrava.

O mérito de sua carreira é de duas pessoas: Juergen Dilk, seu primeiro treinador, e Willi Weber, o “manager”, além do irmão Ralf, que consertava e preparava o seu kart para as corridas. Quando ele tinha seis anos, Dilk preenchia as fichas de inscrição como pai de Michael. Nessa época, o kart o conduziu ao título da categoria dos principiantes do Clube de Kart de Hurt Hermulheim,, vila onde nasceu.

Michael foi campeão alemão júnior de kart, em 84 e europeu sênior, em 87. Em 1985, campeão alemão júnior de kart Em 88, na Fórmula Koenig, ganhou dez das 11 provas do campeonato. Em 1969 já estava na F-3 alemã e em 1990 conquistou o título da categoria.

Nessa equipe Schummy e Frentzen se tornaram inimigos mortais. Michael roubou a namorada do colega, Corinne. A entrada de Schumacher na F-1, ainda em 91, foi um episódio bastante conhecido e comentado.

Todos esperavam que ele fosse entrar num carro da Mercedes, a que estava ligado, mas a escuderia anunciou que a temporada de 1991 ainda não seria o momento certo para sua promoção.

Foi quando surgiu uma vaga na equipe Jordan. Bertrand Gachot, piloto titular da Jordan, foi preso por causa de uma briga de trânsito em Londres, em que, ao ser puxado pela gravata, lançou um jato de gás num taxista e não pode correr.

A Mercedes, com intermediação de Willi Weber, o empresário de Schumacher, pagou os US$ 237 mil que Eddie Jordan pedia pela vaga. Um dos argumentos usados por Webber para convencer Jordan foi o de que seu piloto era especialista no circuito de Spa-Francorchamps, local da corrida. Alguns anos depois, Schumacher admitiu que havia dado apenas uma volta de bicicleta naquela pista.

No primeiro treino, o piloto alemão cravou o sétimo tempo e alinhou entre Senna, Proust e Mansell na segunda fila do grid. Não passou da primeira volta, mas foi o suficiente para que a Benetton o chamasse para substituir Roberto Moreno, no GP de Monza, na Itália, sempre com o dinheiro da Mercedes. Um ano após a estreia,aos 23 anos, Michael Schumacher conseguia sua primeira vitória na F1, exatamente em Spa-Francorchamps.

Em 93, nova vitória em Portugal. Em 94, Michael obteve oito vitórias e se tornou campeão mundial. Líder absoluto do campeonato com a Benetton, em julho desse ano, no GP da Inglaterra, aonde chegou em segundo lugar, foi suspenso por duas corridas pela FIA – Federação Internacional de Automobilismo, além de perder os pontos conseguidos na Inglaterra. A Benetton foi multada em US$ 500 mil. O piloto largou em segundo lugar e ultrapassou o pole-position Hill na volta de apresentação. Por essa falta, foi punido com uma parada obrigatória nos boxes (stop&go). Não cumpriu e na 22ª volta, recebeu a bandeira preta que indica desclassificação. O alemão não atendeu à bandeirada; continuou a correr, enquanto nos bastidores a equipe tentava suspender a pena. Acabou cumprindo a parada obrigatória e chegou ainda em segundo lugar.

O presidente da federação Max Mosley foi inflexível. Fez com que Schumacher perdesse os seis pontos e foi além, ao suspendê-lo por duas provas. A Benetton apelou e Schumacher correu na Alemanha, pois não houve decisão até essa prova. No julgamento, a Corte de Apelação decidiu manter a punição de Schumacher e excluí-lo dos GPs da Itália e de Portugal, ambos em setembro.

Após ter ficado 50 dias afastado, Schumacher retornou no GP da Espanha, vencendo a corrida. Chegou à Austrália apenas um ponto à frente de Damon Hill e no GP de Adelaide, quando se viu na iminência de perder o campeonato, jogou seu carro contra o do inglês e sagrou-se campeão, aos 25 anos, com apenas um ponto de vantagem sobre Damon Hill.

Michael foi marcado por uma sucessão de punições. Foi assim nos GPs da Inglaterra e da Bélgica, em 1994. Em Silverstone, foi condenado a uma parada obrigatória que lhe tirou a vitória na pista. Na Bélgica, recebeu o castigo máximo porque a prancha do fundo de seu Benetton estava 1 mm mais alto que o permitido. Em 95, em Interlagos foi a gasolina. A Elf aditivou seu combustível com uma molécula milagrosa, o que provocou a desconsideração de seu triunfo no GP Brasil. Em agosto de 95, na negociação mais cara até então na história do automobilismo mundial, Schumacher passou para a Ferrari, para correr a temporada de 96.

Sua principal promessa quando chegou à equipe italiana foi o de levá-la ao título de pilotos em dois anos. De fato, a temporada 96 foi dedicada ao desenvolvimento do carro, mas rendeu alguns bons dividendos: Foram oito pódios, em dezesseis corridas, incluindo três vitórias. O momento mágico foi seu triunfo em Monza, levando os italianos ao delírio e iniciando uma verdadeira “Schummy-mania” entre os ferraristas.

Em 97, o alemão chegou muito perto de cumprir sua palavra. Brilhou na chuva ao vencer os GPs de Mônaco e da Bélgica, além de alguns triunfos um pouco mais burocráticos no Canadá, na França e no Japão. Mas jogou no lixo sua reputação com uma manobra desastrada no último GP da temporada.

Na decisão, em Jerez de la Frontera, bastava chegar à frente de Jacques Villeneuve para levar o troféu para casa. Os dois fizeram a primeira fila, com o canadense na pole, embora os tempos de ambos e também o do alemão Heinz-Harald Frentzen, da Williams, fossem idênticos, num desses momentos de pura magia na Fórmula 1. Schumacher tomou a ponta na largada e foi administrando o assédio de Villeneuve.

O canadense tentou passá-lo uma vez, esperou mais um pouco e partiu para uma manobra decisiva na volta 48. Retardou a freada numa curva de baixa velocidade e já ia passar quando o alemão deu uma fechada clamorosa. Quis o destino que apenas a Ferrari de Schumacher acabasse na caixa de brita. Villeneuve seguiu altivo rumo ao título. Schummy procurou desesperadamente um lugar para esconder a cabeça. Acabou sendo multado e desclassificado do mundial, embora seus pontos e colocações ainda contassem para as estatísticas de sua carreira.

O alemão tentou recuperar a moral no ano seguinte, mas sucumbiu diante da imensa superioridade das McLaren. Mostrou também que podia errar quando submetido à muita pressão, no acidente bobo no GP de Mônaco e a lambança no GP do Japão, quando deixou o motor na largada e jogou fora sua última chance de roubar o troféu das mãos do finlandês Mika Hakkinen. Mas sua reputação de melhor piloto em atividade foi resgatada após exibições magistrais na Hungria e na Itália, duas vitórias para calar a boca da concorrência. Diante do vexame que deu no ano anterior, isto foi mais importante que o título.

A temporada de 99 parecia que seria sua. Conseguiu duas boas vitórias em San Marino e Mônaco e, apesar de ter errado e batido feio no GP do Canadá, contou com a má fase do rival Hakkinen, que também alternava boas corridas com apresentações medíocres. Mas Schumacher no dia 11 de julho, em Silverstone, logo na primeira volta do GP da Inglaterra, bateu feio, ficando de molho por vários meses.

O piloto recebeu dois fortes impactos na cabeça, do volante de sua Ferrari e da barreira de pneus, que não estava coberta por uma tela, e escapou por pouco de uma fratura na vértebra. Ele teve fratura da tíbia e fíbula da perna direita e ficou fora da disputa do título mundial de pilotos. Na opinião de Reginaldo Leme, Schumacher cresceu interiormente depois desse acidente, quando ficou seis corridas fora da F-1 e muito mais perto da mulher Corinne e dos filhos Gina Maria e Mick.

Para surpresa de muitos, o companheiro Eddie Irvine se mostrou um substituto à altura e se manteve na briga do título. Schummy viu ameaçada sua posição de Rei na Ferrari e se assustou com a possibilidade de não ser ele o responsável pelo fim do jejum de títulos na escuderia italiana.

Ensaiou mil retornos mas só voltou de verdade na penúltima prova do ano, no novíssimo GP da Malásia. Ali, deu show: fez o que quis dos adversários, ditou o ritmo da corrida e entregou a vitória de mãos beijadas para Irvine. Só decepcionou como escudeiro justamente na decisão do título: ficou atrás de Mika Hakkinen o tempo inteiro, sem conseguir alcançá-lo ou esboçar qualquer tentativa de obter um resultado que desse o título ao irlandês. Depois, falou calmamente: “Voltei nas duas últimas corridas com o único objetivo de dar o título de construtores à Ferrari”, o que acabou acontecendo.

Em 2000, Schumacher conseguiu, finalmente, atingir o seu grande objetivo: com 9 vitórias, em 17 corridas, deu o título de campeão dos pilotos, que a Ferrari não conquistava havia 21 anos. O último campeão pela equipe italiana fora Jody Scheckter, em 1979. Em agradecimento ao apoio, o piloto distribuiu entre a equipe relógios suíços, de uma empresa que o patrocinava e que valiam 300 mil reais. E depois aproveitou as férias para retirar os pinos da perna direita, fraturada no ano anterior.

Durante o campeonato de 2000, Schumacher usou um capacete diferente.  A partir do GP da Europa, o círculo azul, com uma estrela branca no alto, passou a ser vermelho. A bandeira branca da Marlboro, também foi pintada de vermelho. Schumacher explicou que as mudanças foram feitas para não haver confusão entre ele e Barrichello, cujo design era muito parecido.

O campeonato de 2001 foi um verdadeiro passeio para Schumacher. Das 17 etapas  venceu nove.  Ele foi campeão com quatro etapas de antecipação, com uma enorme vantagem sobre o vice (123 pontos, contra 65 de Coulthard) e detonou vários recordes da F1.

  • Antecedência: campeão (pela 4ª vez) quatro provas antes do final
  • Contagem: 123 pontos na temporada
  • Diferença: 58 pontos de vantagem sobre o vice
  • Pontuação: 801 pontos na carreira
  • Vitórias: 53 vitórias na carreira (superando Alain Prost, que teve 51)
  • Voltas: 42 voltas mais rápidas na carreira

Graças a essa performance, o alemão foi eleito “Piloto do Ano de 2001”, pela revista Motor, em votação de jornalistas de vários países.

A superioridade de Schumacher e da Ferrari sobre os adversários foi, de novo, evidente e contundente, em 2002.  O piloto igualou o pentacampeonato de Fângio; foi o primeiro a obter 11 vitórias; garantiu o título faltando seis provas para o fim da temporada e bateu o recorde de pontos. Foram 11 vitórias; 114 pontos; 17 pódios; 7 poles e 7 melhores voltas.

E foi tanta a facilidade na conquista do campeonato que Schumacher pode até demonstrar que não era tão insensível, como parecia,  e sabia ser grato. No GP da Áustria, por ordem da direção da equipe, Rubens Barrichello foi obrigado a tirar o pé e dar de graça ao alemão uma vitória que era sua. No GP dos Estados Unidos, no dia 30 de setembro, veio a recíproca. Barrichello diz ter ficado até assustado quando Schumacher, sem que ninguém tivesse ordenado, aliviou, deixou os carros se emparelharem e depois praticamente segurou a sua máquina, para que o brasileiro cruzasse a linha de chegada em primeiro, com 0s011 de vantagem, a menor diferença da história da F1.

O campeonato de 2003 foi o da consagração definitiva. Nem o regulamento, feito especialmente para tornar a sua vida e a da Ferrari mais difíceis, conseguiu segurá-lo. Não precisou mais do que um oitavo lugar e, claro, a ajuda de Rubens Barrichello, no GP do Japão, para ganhar o campeonato.

Com a mudança na pontuação, Schumacher chegou à última corrida com uma vantagem de apenas 9 pontos sobre Kimi Raikkonen. Se o finlandês vencesse a corrida e ele não fizesse nenhum ponto, perderia o título. Mas, numa corrida nervosa, na qual cometeu erros inaceitáveis, acabou chegando em oitavo lugar, ganhando o pontinho necessário e o campeonato. Mas mesmo que ele não tivesse feito isso, o título estaria garantido com a vitória de Barrichello, à frente de Raikkonen, segundo colocado.

Até a terceira prova do campeonato, parecia que finalmente, o reinado de Schumacher estava chegando ao fim. Em Melbourne e Sepang, ele não passou do 4º e do 6º lugares, respectivamente. Em Interlagos foi pior ainda; ele rodou e saiu da corrida. Em Ímola, porém, o “velho” Schumi estava de volta. Ganhou essa e mais as corridas de  Barcelona e de A1 Ring. Foi 3º  em Mônaco;  de novo 1º em Montreal; 5º em Nurburgring;  3º em Magny-Cours, e 4º em Silverstone.

Quando o circo chegou à Alemanha, a situação  de Schumacher voltou a ficar perigosa. Ele foi apenas o 7º, em Hockenheim, e o 8º na Hungria. Nesta corrida, talvez pela primeira vez em sua carreira, o alemão se viu na condição de retardatário e levou uma volta do jovem-surpresa, o espanhol Fernando Alonso, de apenas 22 anos, que se tornou o mais  novo vencedor de um GP da F1. Além disso, Schumacher viu cair para  1 ponto a sua vantagem para Montoya e para 2 pontos a diferença para o terceiro colocado, Kimi Raikkonen.  Em Monza e Indianápolis o monstro ressurgiu e com as duas vitórias, ficou a apenas um ponto do título que veio, com justiça, em Suzuka.

Nessa temporada de consagração, Michael Schumacher consolidou os recordes de vitórias, com 70, contra 51 de Prost e 41 de Senna; de voltas mais rápidas, com 56, contra 41 de Prost, e de voltas na liderança, com 3.978, contra 2.981 de Senna. Em Ímola, ele conseguiu a maior média da F1, com 247,585 km/h, e atingiu a maior velocidade num carro da categoria: 368,8km/h. Duas marcas, porém, o alemão não conseguiu superar. Uma seria possível, a de poles. Ele tinha 55 e o recorde, de Ayrton Senna, era de 65.  A outra marca ele dificilmente teria tempo para bater, o de Ricardo Patrese, que disputou 256 GPs. Schumacher, até 2003, tinha disputado 194, e para chegar lá precisaria correr, pelo menos mais, três anos. No final, não conseguiu e esse recorde foi batido em 2008, por Rubens Barrichello..

Em 2003, em duas ocasiões Michael Schumacher mostrou a frieza e o controle emocional que o diferenciavam dos demais pilotos, dentro e fora das pistas. A primeira aconteceu em Ímola, no GP de San Marino, no dia 20 de abril. Na manhã da corrida, recebeu a notícia de que sua mãe, que ele e Ralf tinham ido visitar no sábado à noite, no hospital, tinha morrido.  Com muito sangue frio, fez uma corrida brilhante e deu à Ferrari a primeira vitória da temporada.

No GP da Bélgica, em Zeltweg, um mês depois, na 23ª volta, no seu primeiro pit stop, a válvula da mangueira de reabastecimento deixou vazar gasolina sobre partes quentes do carro e houve um princípio de incêndio. Com as chamas a 30 cm de sua cabeça, e enquanto todos corriam pelo box, Schumacher manteve a calma, esperou o fogo ser apagado e voltou à pista  em terceiro. Reassumiu a ponta; bateu o recorde do autódromo na 41ª volta e cruzou a linha de chegada em primeiro.

Por tudo o que fazia nas pistas e fora dela, Schumacher era reconhecido pelo mundo inteiro como o maior piloto da época e justificava os 30 milhões de dólares anuais que recebia da Ferrari e que o faziam o mais bem pago da Fórmula 1. Somando salários, patrocínios e publicidade, Schumacher faturou 65 milhões de euros em 2003.

Talvez para não passar pelos mesmos apuros da temporada anterior, Schumacher começou o campeonato de 2004 de forma avassaladora. Ganhou as cinco primeiras corridas, fez uma pausa na sexta, em Mônaco, e venceu as outras seis de forma consecutiva, garantindo o título com quatro etapas de antecedência.

Na Austrália, ele liderou as 58 voltas da prova e terminou 13 segundos à frente de Barrichello e a mais de 34 segundos, de Fernando Alonso. Na Malásia, só deixou a liderança durante as três paradas nos boxes e voltou a chegar em primeiro, dessa vez bastante acossado por Juan Pablo Montoya, o segundo colocado, a 5,s022.

O mesmo voltou a acontecer no Bahrein, onde se alternou na liderança com Rubens Barrichello (e só numa volta com Jenson Button), mas acabou 1s367 na frente do brasileiro. Em Ímola, San Marino, Schumacher foi superado nos treinos e largou atrás de Jenson Button, mas essa situação não durou mais do que 8 voltas. Na 9ª volta, o alemão assumiu a liderança e não largou mais, até o final, chegando 9s702 à frente do piloto da Honda. Com a vitória, somou 40 pontos, 16 a mais do que o companheiro de equipe, Rubens Barrichello.

Na Espanha, mesmo com o escapamento esquerdo ameaçando quebrar e poupando o carro, refez-se da surpresa proporcionada por Jarno Trulli, que pulou do 4º lugar para a liderança, e venceu a quarta corrida consecutiva de Schumacher igualou o recorde de Nigel Mansell, de 1992, e conseguiu a quinta vitória consecutiva. Foi também a sua sexta vitória no circuito de Barcelona, a  quarta consecutiva, com pole position e melhor volta.

Em Mônaco, Juan Pablo Montoya interrompeu a série de vitórias de Schumacher. Na volta 45, quando o alemão estava na liderança, atrás do safety car, foi acertado pelo colombiano, dentro do túnel, e teve de abandonar a prova. Com isso, deu oportunidade a Jarno Trulli, que foi o pole position, de conquistar a sua primeira vitória na Fórmula 1.

Uma semana depois, no dia 30 de maio, a cavalgada (montado no “cavalinho rompante”) vitoriosa de Schumacher recomeçou em Nurburgring, no GP da Europa. Depois foram mais seis vitórias consecutivas:  Canadá (onde saiu da 6ª posição do grid para vencer),  Estados Unidos (GP marcado por uma ultrapassagem sobre Barrichello, na relargada da corria),  França (pela primeira vez chegando em primeiro com quatro paradas nos boxes),  Inglaterra (o lugar mais alto do pódio, largando na 4ª posição e depois de apenas duas paradas, contra três dos adversários), Alemanha (completando 50 GPs sem nenhuma quebra) e Hungria (onde a dobradinha com Barrichello garantiu à Ferrari  o hexacampeonato dos construtores).

Na Bélgica, Schumacher garantiu o título quatro corridas antes do fim da temporada, embora tenha tido o desprazer de chegar em segundo lugar, atrás de Kimi Raikkonen. Em Monza, na Itália, teve de se render a uma brilhante atuação de Rubens Barrichello, ficando em segundo lugar. Em Xangai, na China, por ter sido obrigado a trocar o motor, saiu dos boxes e do 12º lugar comemorou outra vitória do brasileiro. Voltou a vencer no Japão, de ponta a ponta, e em Interlagos amargou um 7º lugar, depois de perder 10 posições no grid, de novo por causa da troca de motor.

Schumacher terminou o campeonato de 2004 com o recorde de 148 pontos (34 a mais do que Barrichello, o vice); 15 pódios, 8 poles e 10 voltas mais rápidas, tornando-se o primeiro heptacampeão da Fórmula 1

Como todo reinado um dia acaba, o de Michael Schumacher também chegou ao fim na temporada de 2005, com o declínio da Ferrari e a recuperação da Renault e da McLaren, além do surgimento de dois jovens pilotos, dispostos a desbancar o rei das pistas.

Como nunca tinha acontecido antes no seu tempo de Ferrari, Schumacher não completou  6 das 19 corridas da temporada e obteve apenas uma vitória. Essa única vitória aconteceu no GP dos Estados Unidos, do qual participaram apenas seis carros, devido à retirada das equipes equipadas com pneus Michelin, por falta de segurança na curva que antecede a reta de chegada do circuito de Indianápolis. E, além dessa, foi só mais três vezes ao pódio, resultado de três segundos lugares (San Marino, Canadá e Hungria) e um terceiro (França).

Na Austrália teve de largar do final do grid, por troca de motor, e teve de abandonar, por causa dos danos no carro provocados por uma colisão com Heidfeld. Na Malásia, o alemão voltou a se dar mal na classificação. Largou da 13ª posição e não passou do 7º lugar no final da corrida.  No Bahrein, largando na 2ª posição, pela primeira vez, desde o GP da Alemanha de 2001, e depois de 59 corridas, teve de abandonar a prova, por um problema técnico, o mau funcionamento do sistema hidráulico.

Em San Marino, Schumacher largou na 13ª posição e fez uma bela corrida de recuperação. Chegou ao 4º lugar, perseguiu Jarno Trulli por 20 voltas e só conseguiu subir ao terceiro lugar quando o italiano fez seu pit stop. Passar Jenson Bhiutto e assumir a vice-liderança não foi muito difícil, mas alcançar Fernando Alonso, numa batalha que durou 12 voltas,  foi impossível e o 2º lugar no grid, nas circunstâncias, não foi um mau resultado.

Na Espanha, pela terceira vez no ano, Schumacher não completou uma corrida. Largou em 8º, porém abandonou na 46ª das 66 voltas, por estouro de um pneu. Em Nurburgring, no GP da Europa, saiu em 10º e conseguiu um 5º lugar. No Canada saiu em 2º e não conseguiu melhorar a posição, apesar do abandono pole Fernando Alonso, devido a boa atuação do  de Kimi Rainkkonen, que tinha largado na 7ª posição.

Nos Estados Unidos, como já vimos, disputando com apenas outros cinco carros e sem a presença  dos quatro primeiros colocados na fase de classificação (pela ordem Jarno Trulli, Kimi Raikkonen, Jenson Button e Giancarlo Fisichella) , Schumacher, 5º no grid, que acabou ganhando a pole, teve uma vitória tranquila.

Na corrida seguinte, na França, Schumacher, que largara em 3º, perdeu a posição para Juan Pablo Montoya, mas conseguiu recuperá-la e subir ao pódio, com o abandono do colombiano. Dai para frente, o alemão só voltou ao pódio mais uma vez, com o segundo lugar na Hungria. Foi 6º na Inglaterra; 5º na Alemanha; foi 10º na Itália; 4º no Brasil; 7º no Japão e abandonou na Turquia, Bélgica e China.

Depois de cinco anos de amplo domínio, o piloto alemão amargou um, para ele desconfortável, terceiro lugar na classificação final do campeonato, com apenas 62 pontos, contra 112 de Kimi Raikkonen e 133 de Fernando Alonso, que se tornava o mais jovem campeão da Fórmula 1de todos os tempos.

A temporada de 2006 encerrou definitivamente a que os jornalistas especializados do automobilismo chamaram de “era Schumacher”. Mas o também considerado o maior piloto da moderna Fórmula 1 não se deixou abater facilmente. Lutou até o fim e só entregou o cetro no último momento da última batalha. Só no GP do Brasil, a última corrida do calendário, Fernando Alonso conseguiu definir o campeonato e se consagrar como a estrela ascendente do automobilismo mundial.

Os dois pilotos chegaram ao Brasil, com uma diferença de 10 pontos. Alonso tinha 126 e Schumacher, 116, e ambos tinham 7 vitórias. Se o alemão vencesse e o espanhol não pontuasse (hipótese remota, mas não descartável), os dois ficariam empatados na primeira colocação e Schumacher seria o campeão, pelo maior número de vitórias.

O duelo começou com vantagem para Fernando Alonso. No Bahrein, Schumacher conquistou a pole, igulando o recorde de 65, de Ayrton Senna, e durante a corrida esteve duas vezes na liderança, mas a partir da volta 36 foi superado pelo espanhol e terminou em segundo. Na Malásia, Schumacher perdeu 10 posições no grid, por troca de motor, e teve de largar da 14ª posição. Alonso, que tinha sido apenas o 7º no grid, acabou chegando em segundo, faznedo dobradinha com o companheiro de equipe Giancarlo Fisichella.  O domínio de Alonso continuou na Austrália. Ele escapou dos vários acidentes e chegou em primeiro, enquanto Schumacher, na volta 32, foi de encontro ao muro e teve de abandonar a prova. A essa altura do campeoanto, Alonso era o primeiro na classificação, com 38 pontos, e Schumacher, o 4º, com 11.

A recuperação de Schumacher começou na 4ª  etapa da temporada, em Ímola. Mais de dez meses e 13 corridas depois, o alemão voltou a vencer. Ele fez a pole e aproveitou-se de um erro tático da Rernault, quando estava ameaçado de perder a liderança para Alonso, que  tinha largado em 5º.  Assim que o espanhol foi chamado ao box, Schumacher fez também seu pit stop e saiu ainda na frente, resistindo aos ataques do adversário nas últimas 20 voltas.

Uma nova vitória em Nurburgring colocou Schumacher de novo na luta pela liderança do campeonato. Com 31 pontos, pulou para o segundo lugar, atrás de Alonso, com 44. Alonso fez a pole e Schumacher saiu em segundo e perseguiu o espanhol desde o princípio, sem sucesso. Quando, na 38ª volta, o espanhol fez seu primeiro pit stop, Schumacher aproveitou para fazer várias voltas rápidas, livrar boa vantagem e com isso garantir o ponto mais alto do pódio.

Na Espanha, largando na pole, enquanto o concorrente saia em terceiro, Alonso não teve nenhum dificuldade e vencer, porém, Schumacher não deixou que ele se distanciasse muito, garantindo o segundo lugar. Nas três corridas seguintes, Schumacher foi apenas o 5º em Mônaco e segundo na Inglaterra e Canadá, permitindo que Alonso livrasse uma diferença de 25 pontos, 84 a 59, e desse a impressão que não mais seria alcançado.Em Mônaco, Schumacher provocou polêmica, ao parar a Ferrari na saída da curva Rascasse e prejudicar a volta rápida de Alosno no final do treino de classificação. Numa reunião que durou  quase oito horas, os comissários da corrida puniram o alemão, obrigando-o a largar da última posição do grid.

O GP dos Estados Unidos, porém, marcou o renascimento de Schumacher e reabriu a disputa pelo título. O alemão venceu não só essa, mas também as duas corridas seguintes, na França e Alemanha, e embolou de novo a classificação, com a diferença entre ele e Alonso caindo para 11 pontos: 100 a89. A partir daí, o piloto espanhol não completou a corrida da Hungria e da Itália; foi segundo na Turquia e na China. Schumacher foi 8º na Hungria; 3º na Turquia; 1º  na Itália e na China. Com esta última vitória, apontada na ocasião como “último grande show” de sua carreira, o alemão empatou no total de pontos (116 a 116) e assumiu a liderança, por ter uma viória a mais. Todavia, no GP do Japão, vencido por Alonso, uma quebra de motor, que não acontecia havia seis anos,  desde o GP da França de 2.000,  tirou Schumacher da corrida e, praticamente, da disputa do título.

Os dois chegaram ao Brasil com uma diferença de apenas 10 pontos (Alonso, 126; Schumacher, 116) e chances matemáticas para ambos. As de Schumacher, porém, começaram a se esboroar já na véspera da corrida, quando um problema na bomba de combustível o jogou para a 10ª posição no grid. O infortunio não foi suficiente para abater o animo do piloto alemão. Na pista, teve uma das suas melhores perfomances e, de novo, deu o “último grande show de sua carreira”. Como registra o anuário AutoMotor Esporte: “Foram 13 ultrapassagens sobre nove pilotos diferentes, um pneu furado, uma recuperação explendida e um lamento: Mais algumas voltas e eu passava todo mundo”. A corrida foi vencida por Felipe Massa (a primeira vitória de um brasileiro, depois de 13 anos); Schumacher terminou em 4º e, com a segunda colocação, Fernando Alonso conquistou o bicampeonato, com 14 pontos, contrra 121 do adversário.

Conforme já tinha anunciado durante o fim-de-semana do GP da Itália, no dia 10 de setembro, o GP do Brasil, no dia 22 de outubro foi a corrida de despedida das pistas de Michael Schumacher . Antes da prova, ele recebeu de Pelé um troféu pelos seus anos de dedicação ao automobilismo. Nos treinos para o GP da Itália, no dia 19 de outubro, os caros da BMW já ostentavam na traseira a inscrição: Obrigado Michael”.

No dia 29 de outubro, a Ferrari anunciou  que Schumacher continuaria a trabalhar com a equipe, como assistente de Jean Todt, principalmente na seleçao de novos pilotos. Em 2008, a Federação Suiça de Futebol  o nomeou seu embaixador para a Copa da Europa. Os dirigentes do circuito de Nurburgroing deram o nome de Schunmacher S  às curvas 8 (Audi) e 9 (Shell). Antes, entre outras várias distinções, Schumacher já tinha recebido o prêmio Laurens de esportista do ano, em 2002 e 2004. Em 2007, foi agraciado com o Prêmio Principe Asturias, da Espanha.

Como embaixador especial da UNESCO, à qual doou 1,5 milhão de euros, o piloto alemão participa de várias campanhas sociais e promove jogos de futebol entre pilotos e artistas em benefício de entidades assistenciais. Em 2004,  doou 10 milhões de dólares para ajuda às vìtimas de terremoto na Índia, durante o qual morreram seus guarda-costas Burkhard Cramer e dois filhos. No Senegal, pagou a construção de uma escola para crianças pobres. Em Sarajevo, apoia hospital para crianças vítimas de amputação por causa da guerra. Em Lima, no Peru, fundou o “Palácio para o pobres”, centro de socorro crianças moradoras de rua. Em 2008, iniciou campanha contra o álcool na direção, patrocinada pela Bacardi e que será veiculada por dois anos, em 40 países.  No mesmo ano, contribuiu com 5 mil dólares para a Fundação Clinton, dos Estados Unidos, para combate à Aids.. Em 2008, durante o Desafio das Eestrelas de Kart, promovisdo por Felipe Massa, em Florianópolis, o piloto doou uma motocicleta, leiloada por Gustavo Kuerten, em benefício das vítimas das enchentes em Santa Catarina.

Em 2005, a revista Eurobusiness apontava Schumacher como o mais rico dos esportistas. Em 2004, tinha ganho cerca de 80 milhões de euros. A revista Forbes o colocou em 17º lugar entre as celebridades mais poderosos do mundo. Em 2006, Schumacher ganhou de presente do principe de Dubai, Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, uma ilha avaliada em 7 milhões de dólares. Fontes da Fórmula 1 informam que ele deve ter recebido 26 milhõe de dólares por campanhas publicitárias em 2007 e que, nessa época, sua fortuna era avaliada em 800 milhões de dólares.

Em 2009, Michael Schumacher vivia com a mulher Corinne, os filhos e dois cachorros, perto de Gland, na Suíça, numa mansão de 650 metros quadrados, na praia particular do Lago de Geneve. Um dos cachorros é um vira-lata que Corinne levou do Brasil. O outro, um pastor australiano, que virou notícia quando chegou à família Schumacher, levado da Alemanha.. Quando foi buscá-lo, no caminho do aeroporto de Coburg, para voltar à Suíça, com medo de perder o avião, Schumacher tomou a direção do taxista e dirigiu como se estivesse na pista, disputando posição.  O taxista, além da gloria de ter atendido ao campeão, levou um cala-boca de 100 euros e mais os 60 euros da corrida. Mas tanto ele quanto Schumacher não escaparam de uma advertência das autoridades de trânsito alemãs.

Surpreendentemente, no dia 23 de novembro de 2009, a Mercedes GP, dirigida por Ross Brawn, anunciou a volta de Michael Schumacher, depois de 7 anos afastado das pistas, para correr o campeonato de 2010.  Em 2009, a Ferrari tinha pensado em chamá-lo para substituir Felipe Massa, mas ele não pode aceitar, por causa das consequências de um acidente de moto.

No retorno, o piloto alemão não foi o mesmo campeão dos tempos da Benetton e da Ferrari. A idade, as novas tecnologias, o carro não competitivo, vários fatores pesaram no desempenho de Schumacher. Ele conseguiu chegar na zona de pontuação em 12 das 19 corridas da temporada, mas nunca em posições que lhe permitissem se incluir entre os ponteiros do campeoanto. Encerrou a competição com 72 pontos, em 9º lugar, duas posições atrás do jovem companheiro de equipe, o também alemão Nico Rosberg, que foi 7º, com 142 pontos. Pela primeira vez, desde sua estreia na f1, em 1991, ele terminou um campeonato sem, vitória, sem pole e sem volta mais rápida.

Schumacher voltou às pistas no dia 2 de fevereiro de 2010, para o primeiro testes da pré-temporada, com o MGP W01, no circuito de Valência. E na primeira corrida oficial, no GP do Bahrein, no dia 14 de março, depois de chegar à Q3 e obter a 7ª colocação, ultrapassou Mark Webber e terminou em 6º, uma boa colocação para a estreia.

Na Austrália, saiu de novo da 7ª posição, mas se envolveu num choque com Fernando Alonso e Jenson Button e teve de ir ao boxe para trocar a asa dianteira. Voltou no fim do pelotão e conseguiu chegar em 10º, após ficar 20 voltas atrás de Jaime Alguersuari, da Toro Rosso. Na Malásia, abandonou logo na 9ª volta, por causa de uma porca da roda do carro que se soltou.

Na China, largou em 9º e chegou em 10º, mesmo depois de na pista molhada, ter sido ultrapassado por vários pilotos.  Na Espanha com inovações aerodinâmicas e um carro com maior distância entre os eixos, Schumacher saiu em 6º e obteve seu melhor resultado, um 4º lugar, depois de resistir a intensa pressão de Jenson Button, em seguida à bateria de pit stops. Em Mônaco, revivendo velhos tempos, o alemão foi mais uma vez punido por infração na pista, em detrimento de concorrentes. Ele largou da 7ª posição e ultrapassou Fernando Alonso na última curva da corrida, depois da saída do safety car, o que é proibido pelo regulamento da FIA. Foi punido com acréscimo de 20 segundos ao seu tempo e, do 6º lugar, caiu o 12º, fora da zona de pontuação.

Na Turquia, Schumacher voltou a ter um bom desempenho, saindo da 5ª posição e chegando no 4º lugar. E depois disso, foi 9º, em Valência, Alemanha e Itália; 7º, na Bélgica ( depois de ter largado na 21ª posição, por punição); 11º, na Hungria ( punido por direção perigosa ao defender posição contra Rubens Barrichello) e Brasil; 13º, em Singapura; 6º, no Japão.

Em Abu Dhabi, Schumacher foi obrigado ao segundo abandono da temporada (o primeiro foi na Malásia), de novo por causa de acidente iniciado por ele. Na primeira volta, rodou e ao tentar retornar à pista foi apanhado pelo carro de Vitantonio Liuzzi, num acidente que Schumacher definiu como “assustador”.

Em 2011, depois de completados 2/3 do calendário, Michael Schumacher caminhava para mais uma temporada sem vitória, sem pole e sem volta mais rápida. Das 14 provas disputadas até o final de setembro, abandonou 4 ( Austrália, Mônaco, Hungria e Singapura) e em outras 2 (Turquia [12] e Valência [17]) ficou fora da zona de pontuação. Mas nos demais 8 GPs, terminou na zona de pontuação, com 52 pontos, que lhe garantiam a 8ª colocação na classificação dos pilotos: foi 9ª, na Austrália e Inglaterra; 8º, na China e na Alemanha; 6º, na Espanha; 4º, no Canadá e 5º, na Bélgica e na Itália.

No Canadá, Schumacher fez a sua melhor corrida desde o retorno à F1. Largou em 8º, chegou a correr em 2º e, na pista molhada, foi ultrapassado por Jenson Button e Mark Webber, mas ainda terminou no 4º lugar. Na Bélgica, comemorando seus 20 anos de F1, fez o melhor tempo na primeira sessão de treinos livres; teve largar da última posição, devido à perda de uma roda, ainda na Q1, mas num desempenho excepcional, terminou em 5º, na frente de Nico Rosberg, que foi 6º.  Na Itália, onde largou em 8º e chegou em 5º, foi criticado por não dar espaço para a ultrapassagem de Lewis Hamilton, que estava com carro mais rápido e com quem sustentou uma intensa disputa pelo 4º lugar.

Das seis últimas corridas do calendário, não completou os GPs de Singapura e da Coreia; foi 6º no Japão, 5º na índia, 7º em Abu Dhabi e 15º no Brasil, resultado que o impediu de ter uma melhor colocação na classificação geral do campeonato. Com um total de 76 pontos, foi o 8º colocado entre os pilotos.

A campanha de 2012 não foi digna de um grande campeão. Das 20 corridas, Michael Schumacher não completou 8; ficou foram da zona de pontuação em 5 e a melhor colocação foi o 3º lugar no GP da Europa, e m Valência. Foi 10º na Malásia e Bahrein; 7º na Alemanha, Inglaterra, Bélgica e Brasil; 6º na Itália; 11º no Japão, 13º na Coreia; 22º na India, por ter completado 90% do percurso, e 16º nos Estados Unidos. Não completou as corridas da Austrália, China, Espanha, Mônaco, Canadá, Hungria e Cingapura. Com 29 pontos, foi o 13º colocado na classificação final dos pilotos.

Com 43 anos e 173 dias, ao obter o 3º lugar no GP da Europa, Schumacher tornou-se o piloto mais velho ao subir ao pódio, desde Jack Brabham, segundo colocado no GP da Inglaterra de 1970. No GP da Bélgica, foi o segundo piloto a chegar aos 300 GPs, igualando a marca de Rubens Barrichello.

No dia 28 de setembro, a Mercedes anunciou a substituição de Schumacher por Lewis Hamilton, para a temporada de 2013 e, depois de tentar sem êxito uma vaga em outras equipes, no dia 4 de outubro. Michael comunicou a sua saída definitiva da Fórmula 1.

Com a mesma frequencia que ganhava corridas, Michael Schumacher se envolvia em incidentes, muitos deles propositais. Em 1977, foi o único piloto da Formula 1 a ter todos seus pontos da temporada excluídos.

No GP da Europa, quando liderava o campeonato por apenas um ponto, jogou o carro contra o de Jacques Villeneuve, seu rival mais próximo. Não deu sorte. Não só teve de deixar a pista, como o adversário foi até o final, obteve o terceiro lugar e conquistou o título por uma diferença de 4 pontos. Em 1998, foi punido por direção perigosa, ao obrigar Heinz Harald Frentzen a sair da pista, quando ambos deixavam a pit lane. No mesmo ano, ele e a Ferrari se fingiram de desentendidos e deixaram de cumprir stop&go por ultrapassar Alexander Wurz com safety car na pista e ainda Schumacher invadiu a garagem da McLaren para brigar com David Coulthard, a quem acusava de ter querido matá-lo quando estava sendo ultrapassado. Em 2000, no GP da Áustria, após ser atingido na primeira curva, parou o carro na pista, no que foi interpretado como tentativa de provocar o reinicio da corrida.

Em 2006, no GP de Mônaco, parou o carro na Rascasse, prejudicando Fernando Alonso, que fazia sua volta lançada. O alemão perdeu a pole position e teve de largar da última fila. Em 2010, de novo no GP de Mônaco, Schumacher fez ultrapassagem ilegal sobre Fernando Alonso, na última volta e foi punido com a perda de 20 segundos. Ainda em 2010, no GP da Hungria, ele quase jogou contra o muro Rubens Barrichello, que tentava ultrapassá-lo. O brasileiro foi obrigado a fazer uma das manobras mais perigosas da carreira e o alemão foi punido com a perda de 10 posições na corrida seguinte.