José Carlos Pace

 

Nome

José Carlos Pace – Moco

Nacionalidade

Brasileiro

Nascimento

6/10/1944

Local

São Paulo

Morte

18/03/1977 – Mairiporã – S. Paulo

Carreira

1972-1977

Equipes

Williams,Surtees,Brabham

Largadas

72 (em 73 corridas)

1ª corrida

GP da África do Sul de 1972

1ª vitória

GP do Brasil de 1975

Última vitória

GP do Brasil de 1975

Última corrida

GP da África do Sul de 1977

Títulos

0

Pontos

58

Vitórias

1

Pódios

6

Poles

1

Voltas+rápidas

5

2ºs lugares

3

3ºs lugares

2

4ºs lugares

5

5ºs lugares

3

6ºs lugares

2

1ª fila

7

Voltas na liderança

49

Km na liderança

290

Piloto brasileiro, nascido em São Paulo – Capital, filho de Dona Amélia, casado com Helda, torcedor corintiano e pai de dois filhos: Patrícia e Rodrigo.

O amor ao esporte fora ensaiado nas piscinas do Palmeiras que testemunharam um recorde de 100m livres daquele moleque comilão, dorminho e distraído – que costumava fazer “ouvidos moucos”, donde nasceu o apelido. O menino Carlinhos foi expulso da equipe de natação, por faltar aos treinos das sete horas da manhã quando esperava a largada de um Grande Prêmio com uma boa posição de grid.

Nas entrevistas que tentavam descobrir mais do que o piloto, parava nos costumes triviais: “sou comolão, gosto de pizza. Já fui judoca, fiz halteres, agora só dou corridinhas e os exercícios para não engordar e mater o peso”.

Desde os tempos de rachas no bairro do Pacaembu em São Paulo, Moco (pequena coruja que quando não quer ver ou ouvir o que não lhe interessa, vira a cabeça, ou se faz de surda), apelido ganho pela mania de só responder as coisas que interessavam, desde cedo tinha sido encaminhado para tornar-se economista, porque a família precisava de um diretor nos negócios de tecelagem.

Pace passou por várias categorias do automobilismo brasileiro – protótipos nacionais, turismo, as maratonas de 24 horas de Interlagos e das 500 milhas. Começou com os irmãos Fittipaldi nas Fórmulas, na primeira temporada de Fórmula Ford no Brasil em 1967.

Depois de se consagrar em diveras categorias do automobilismo brasileiro, Moco vendeu tudo o que tinha e em 1970, foi tentar as pistas européias com um Lotus 59.

Foi campeão de Fórmula 3 do disputado campeonato Forward Trust Trophy. Venceu 8 das 36 corridas, classificou-se entre os 5 primeiros em 31 vezes e bateu 4 recordes de velocidade. Abriu as portas para a F – 2. Em 1971, aconteceu a vitória no GP de Ímola de F2.

 

As vitórias na F2 concederam a Moco o prazer de dirigir uma Ferrari no Mundial de Marcas de 72 e atingir a F – 1. Lá, com um March 721 da Willians, Moco mostrou seu arrojo e vontade.

Na Fórmula 2 não chegou a completar uma temporada, disputando com um velho Surtees algumas provas européias, mas venceu uma bateria no Brasil em 1972, quando já competia nos March da Willians.

Bastou uma apresentação num GP não válido em Ímola, na Itália, para que começasse o interesse da Ferrari em Pace. Do interesse passou ao convite e Moco seria um dos pilotos dos 312B nos protótipos de Marcas em 73 vencendo com Arturo Merzario e Jack Icky várias maratonas de 6horas e 1000 kms.

A estréia de Moco na Fórmula 1 foi no GP da África do Sul em 1972, com os fracos carros da Willians/Politoys. Apesar disso acabou o ano entre os 6 primeiros na Bélgica, na Inglaterra e na Áustria. Em 1973 passou para a equipe de John Surtees com um TS 16. Derrubou o recorde de 5 anos na pista de Nrburgring para ficar com o quarto lugar na Alemanha. No GP da Áustria subia pela primeira vez num pódio de F – 1 com o terceiro lugar batendo o recorde do veloz circuito de Zeltweg.

Em 73/4 na Surtees, Moco teve problemas com seu carro. No meio de 1974, Moco tomou uma decisão rápida, quando sua situação na Surtees ficou insustentável. Tinha convite para a Ferrari mas não pode esquecer os compromissos com o patrocinador Brahma que o obrigavam a participar dos Gps. Se escolhesse a Ferrari, teria de ficar fora das pistas até o fim da temporada, então optou pela Brabham.

Em 74, o calendário de Moco pode ser dividido em 2 partes. Inicialmente com o Surtees que coincidiu com a primeira fase do calendário oficial da F – 1 até o GP da Suécia. Finalmenta com a Brabham após o GP da França.

Mudou de equipe e mudou o capacete. Um pouco antes do GP dos Estados Unidos, a tradicional faixa amarela que dividia seu capacete, formando uma seta apontada para baixo na parte da frente, mudou em uma ponta de seta virada para cima. Conseguiu um segundo lugar mesmo com a costela quebrada desde as primeiras voltas. Claro que Moco não era supersticioso, nenhum piloto é, embora o número 13 esteja banido do automobilismo. Tirou a seta que tinha no capacete simplesmente porque a achava antiga, sem estética.

Pegou o Brabham todo desacertado antes do GP da França e não conseguiu fazer tempo para largar na pista de Dijon. Quebrou em Brands Hatch na Inglaterra, foi 5° em Monza – Itália quando bateu o recorde da pista, em Zeltweg – Áustria foi o 2° quando o motor quebrou, não terminou no Canadá, foi 2° nos Estados Unidos mesmo com as costelas trincadas, no GP da Argentina foi 2° lugar e em Interlagos em 1975,obteve sua primeira e única vitória na F -1.

Pace tinha predileção especial por lugares solitários e esse prazer o fazia correr para as fazendas dos amigos pilotos, como a de Paulo Gomes em Mato Grosso, seu companheiro nas corridas da Divisão 1 no campeonato brasileiro. Um prazer que acabou justamente na morte aos 32 anos e ironicamente com um amigo de pista, o ex-campeão Marivaldo Fernandes, veterano de todas as categorias do automobilismo brasileiro.

Sua última façanha também estava ligada a velocidade; seria piloto de avião e dois dias antes de sua morte no pequeno Sertanejo PT EHR tinha passado no exame teórico de brevê e acertado a compra de um modelo igual , na cidade do Rio de Janeiro.

Hoje, o antigo circuito de Interlagos, chama-se José Carlos Pace, uma homenagem ao astro que morreu num acidente de avião, no dia 18/03/75 próximo a cidade de Mairiporã.

Resultados de José Carlos Pace na F1: Primeiro lugar  – 1 vez – 1975 – Brasil; segundo lugar – 3 vezes – 1974 – Estados Unidos, 1975 – Inglaterra e 1977 – Argentina; terceiro lugar – 2 vezes – ,1973 – Áustria, 1975 – Mônaco.