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Gerhard Berger

Nome

Gerhard Berger

Nacionalidade

Austríaco

Nascimento

27 de agosto de 1959

Local

Orgl

Carreira

1984-1997

Equipes

ATS, Arrows, Benetton, Ferrari, McLaren

Largadas

210

1ª corrida

GP d Austrália de 1984

Última corrida

GP da Europa de 1997

1ª vitória

GP do México de 1986

Última vitória

GP da Alemanha de 1997

Vitórias

10

Pontos

285

Pódios

48

Poles

12

Voltas+rápidas

21

2ºs lugares

18

3ºs lugares

21

4ºs lugares

24

5ºs lugares

8

6ºs lugares

12

 

Nelson Piquet costumava dizer que o maior mistério da F1 era Gerhard Berger, um piloto que nunca fez nada de excepcional, mas que sempre encontrava uma equipe grande disposta a lhe dar uma chance. Poderia ir além: esse austríaco de Worgl, nascido a 27 de agosto de 1959, sempre encontrava, também, um dono de equipe grande disposto a lhe pagar fortunas para correr, o que fez dele um dos pilotos mais ricos da F1.

O grandalhão Gerhard, de 1,85 m e 76,5 kg, mal cabia num cokpit. Tanto que nem passou pelo kart no início da carreira, dando suas primeiras aceleradas em 1979, na Copa Alfasud, um campeonato de marca sem grande expressão. Só em 1982 Berger caiu num monoposto para disputar o campeonato alemão da F 3. Foi 3º colocado e 8º no Europeu do ano seguinte.

Em 1984, voltou a disputar o torneio continental e acabou em 3º. No fim do ano, estreou na F1, pela ATS-BMW, em Zeltweg, p GP do seu país. Foram 4 corridas, nenhum grande papelão e um 6º lugar na Itália. A colocação, no entanto, não valeu para somar um ponto no Mundial porque o regulamento previa que as equipes deveriam inscrever dois carros por corrida, se quisessem pontuar. A ATS tinha só um.

Em 1985, pintou um contrato com a Arrows, ainda com motor BMW, e Berger fez três pontos, com um 5º lugar, na África do Sul, e um 6º, na Austrália. Na temporada seguinte, surgiu uma nova equipe na F1, a Benetton, que comprara o espólio da Toleman. Gerhard foi contratado, como apoio da BMW, e conseguiu a façanha de ganhar um GP pela equipe estreante, no México. Foi uma festa e a consagração, tanto que, em 1987, era contratado pela Ferrari. Ganhou duas provas, em Suzuka e Adelaide, marcou 36 pontos e terminou  temporada em 5º.

Berger virou ídolo da torcida italiana em 1988, com uma inesperada vitória em Monza, apena quatro semanas depois da morte do comendador Enzo Ferrari. Piloto combativo e arrojado, era a esperança da equipe de acabar com jejum de títulos que já durava 10 anos. Mas em 1989 sofre o acidente mais pavoroso de sua carreira e quase parou de correr. Aconteceu em Ímola, na mesma curva Tamburelo que matou Ayrton Senna. Berger se espatifou no muro e o carro pegou fogo com o ele dentro. Foi salvo pela rápida ação dos comissários, queimou as mãos e o pescoço e ficou abalado pelo resto da vida. Mesmo assim, ainda conseguiu uma vitória, no fim do ano, no Estoril.

Em 1990, a McLaren levou o piloto austríaco  para sei time, com o objetivo de ajudar Senna a ser bicampeão.  Gerhard não venceu nenhum GP, mas seus 43 pontos foram muito importante na luta do brasileiro com Alain Prost pelo título. Ayrton sempre foi muito amigo do austríaco, a quem, como reconhecimento pelo auxílio nas duas temporadas, presenteou com uma vitória no GP do Japão de 1991, na prova em que conquistou o tri.

Em 1992, ainda ma McLaren, Berger venceu duas etapas do Mundial, em Montreal e Adelaide. Quando a McLaren perdeu os motores Honda, foi aconselhado pelo próprio Senna a aceitar o convite para voltar à Ferrari, em 1993 e aceitou a opinião do amigo. Em 3 anos na equipe de Maranello nessa sua segunda passagem, Berger fez pouco. Em 1993, 12 pontos; em 1994, 41 e 1 vitória, no GP da Alemanha, e em 1995, 31 pontos, brigas com Jean Alesi e só.

Apesar das campanhas discretas, Berger chegou ao final de 1995 bem cotado para assumir uma vaga na Williams, na McLaren ou até como companheiro de Schumacher na Ferrari. Mas acabou na Benetton, ao lado de Alesi, com quem quase havia saído no tapa meses antes. Era o tal mistério a que se referia Piquet. Em 1996, sem se adaptar ao B196, teve uma temporada decepcionante. Quase venceu pela segunda vez o GP da Alemanha, mas seu motor explodiu no final, entregando a vitória a Damon Hill, da Williams. Terminou o campeonato em 6º, com 21 pontos. Em 1997, foi 2º no GP do Brasil, depois e ultrapassar Mika Hakkinen e Michael Schumacher e voltou a vencer, com pole e volta mais rápida,  o GP da Alemanha, mas tendo ficado fora de três corridas, por causa da morte do pai num acidente de avião, totalizou 27 pontos, ficando com a 5ª colocação. No fim da temporada, os rumores de que ele voltaria à Ferrari não se confirmaram e, recusando convite da Sauber, Gerhard Berger preferiu abandonar as pistas.

Berger é casado com a ex-modelo portuguesa Ana Corvo e tem uma filha, Christina. Sempre pilotou seu próprio avião, gosta de comida italiana e de ouvir Beatles. Na época, costumava fazer brincadeiras com Senna que deixariam os adolescentes de hoje com pinta de santinhos. Jogava sapatos  do companheiro na banheira, enchia sua valise de chantili e até trocava a foto de seu passaporte  por retratos de mulheres peladas.

Quando Ayrton morreu, Berger foi o único piloto que passou pelo hospital Maggiore, de Bolonha, na noite de 1º de maio. Viu o rosto do amigo desfigurado na UTI, imagem que nunca lhe sairá da cabeça. Veterano assumiu a liderança dos pilotos e passou a ser um dos mais preocupados com a segurança dos carros e dos circuitos.

Em 2000, Berger voltou a se envolver com a F1, como diretor da BMW Competições. Em 2003, foi o primeiro a dirigir um carro da F1 no circuito de Xangai, pilotando  a Ferrari F2003-GA. Em 25 de abril de 2004, 10 anos depois d morte de Ayrton Senna, deu três voltas no circuito de Ímola com o  97T Lotus Renault, que o brasileiro tinha guiado em 1985, antes do GP de San Marino.

Em 2006, Gerhard Berger comprou 50% da escuderia Toro Rosso, em troca de metade da empresa de transportes rodoviário  fundada por seu pai, em 1961. Em novembro de 2008, vendeu sua parte de volta a Dietrich Mateschitz, dono da fábrica de energéticos Red Bull e das equipes  Red Bull  e Toro Rosso, da F1. (Texto original de Flávio Gomes-1995, com adaptações e atualização de Ludenbergue Góes-2014).