Eddie Irvine

Perfil

Nome  Edmund  Irvine
País Irlanda
Nascimento: 10 de novembro de 1965
Local Newtownards – Irlanda do Norte
Altura: 1,78
Peso: 75 kg
Residência: Conlig (Irlanda do Norte), Dalkey, Condado de  Dublin (Irlanda do Sul)
Estado civil: Solteiro  (tem uma filha, Zoe)
Preferências: Música: Van Morrison

Desempenho

Estréia na F1 24 de outubro de 1993, no GP do Japão
Última corrida 13 de outubro de 2002, no GP do Japão
Equipes Jordan (93-94), Ferrari (95-99) Jaguar (99-02)
GPs: 147
Vitórias: 4
Pódios 26
Poles: 0
Pontos: 191
Melhores voltas: 1
Abandonos 61

Carreira

2002

Encerra a carreira, na Jaguar, obtendo a  9ª colocação, com 8 pontos

2001

Continua na Jaguar e termina em 12º, com 6 pontos

2000

Corre pela Jaguar e é 13º, com 4 pontos

1999

Vice-campeão no Mundial de Fórmula 1, com a Ferrari

1998

Termina em 4º lugar na temporada, com três 2ºs lugares e cinco 3ºs (Ferrari)

1997

Acaba o campeonato na 7ª posição com 24 pontos (Ferrari)

1996

Entra para a Ferrari e termina a temporada em 10º lugar

1995

Comemora seu primeiro pódio ao chegar em 3º no Canadá (Jordan)

1994

Em sua primeira temporada completa termina em 14º (Jordan)

1993

Estréia na Jordan terminando em 6º no Japão

1992

Termina em 4º na Fórmula 3000 do Japão

1991

Estréia na Fórmula 3000 japonesa

1990

Termina em 3º na Fórmula 3000

1989

Estréia na Fórmula 3000

História

O rapaz que tirou o sono de Rubens Barrichello em 95 não dava a mínima para a Fórmula 1. Eddie Irvine, o irlandês maluco da Jordan, foi o grande “outsider” da principal categoria do automobilismo mundial. Insolente e relaxado, Eddie era uma espécie de Nelson Piquet do Ulster, sem meias-palavras e com uma concepção bem clara de sua profissão: ela foi feita para ganhar dinheiro e nada mais. Dinheiro, aliás,  era a grande diversão de Irvine.

Enquanto Rubinho perdia o que lhe sobrava de cabelos diante dos computadores da Jordan em 95, buscando aqui e ali alguns décimos de segundo por volta, Eddie passava o tempo à frente da tela de seu PC brincando no mercado financeiro _comprando marcos, vendendo escudos, negociando café e soja, especulando com ienes e ganhando pequenas fortunas na ciranda financeira mundial.

Nascido na Irlanda do Norte, em 10 de novembro de 1965, Eddie foi chamado de “terrorista do IRA” quando apareceu na F-1, no final de 93. Convocado pela Jordan para disputar o GP do Japão, em Suzuka, cometeu a heresia de ultrapassar Ayrton Senna _líder da prova_ duas vezes. Quando o brasileiro foi tirar satisfações, Irvine respondeu com a cara mais lavada deste mundo que só passou porque o tricampeão mundial “estava lento demais”. “Mas como lento? Eu estava em primeiro!”, berrou Senna àquele sujeito esquisito de olhos injetados. “É, lento. Da próxima vez, anda mais rápido”, respondeu Eddie. Senna não teve dúvidas: acertou-lhe um sopapo na orelha, e foi advertido alguns dias depois.

Naquela corrida, Irvine foi o sexto colocado. Apesar do sucesso, disse que só ficaria na F-1 se ganhasse mais do que na F-3.000 japonesa, sua verdadeira ocupação naquela época. O mesmo aconteceu no fim de 94, quando revelou que não tinha contrato nenhum com sua equipe para 95. “Se eu quiser voltar para o Japão, tenho US$ 750 mil garantidos lá. Se a Jordan me pagar mais, eu fico na F-1.” O Japão foi descoberto por Irvine em 91. Antes, ele correu na F-Ford na Irlanda e na Inglaterra, de 83 a 87, ganhando o Festival de Brands Hatch no último ano. Foi para a F-3 em 88 e para a F-3.000 em 89. Em 90, correu para Eddie Jordan na categoria. No início da carreira, Irvine usava um capacete idêntico ao de Senna, o grande ídolo que anos mais tarde lhe daria um bofetão.

Na F-1, Eddie Irvine parecia um marciano. Vestia-se como um indigente, com as calças bem abaixo da cintura, camiseta para fora e tênis sujos e desamarrados _bem diferente do figurino almofadinha de seus colegas. Branquelo, não tinha o hábito de pentear os cabelos. Usava óculos escuros redondos, ao estilo de John Lennon. Tomava sorvete, bebia cerveja e comia chocolate à vontade, sem grandes preocupações com dieta. O gosto musical era no mínimo curioso: fã de Van Morrison, autor de trilhas sonoras, e rock irlandês. Eddie mantinha casas na Irlanda, em Londres, Tóquio e Macau, onde conheceu sua namorada Maria. Ela é descendente de portugueses e nunca ia às corridas. “Você leva sua mãe ao escritório?”, costumava dizer, quando perguntado sobre a ausência da garota. “Isso aqui é meu ambiente de trabalho”, emendava.

Em setembro de 95, Irvine deu o grande salto de sua carreira ao ser contratado pela Ferrari. Passou uma rasteira nas pretensões de Barrichello e ainda deu lucro para a Jordan, pois os italianos tiveram que pagar uma multa de US$ 5 milhões para rescindir seu contrato com o time irlandês. Na ocasião, cunhou uma frase que ficou célebre na F-1: “Não se pode dizer não à Ferrari”, falou, quando questionado sobre o papel de coadjuvante que lhe estava reservado como companheiro de Schumacher.

A insolência de Irvine não tinha limites. No seu primeiro encontro com o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, teve a coragem de dizer que achava caras demais as peças de reposição da marca italiana. “Quando meu carro quebra, eu gasto uma fortuna para arrumar”, disse ao atônito dirigente. Irvine era dono de uma Ferrari, com a qual circulava na Inglaterra. Logo depois, quando os jornalistas locais perguntaram se ele estava ansioso para comer uma autêntica macarronada italiana, Irvine respondeu que não, porque sua comida favorita é frango xadrez e rolinho primavera.

No final de 95, Eddie fincou residência em Bolonha, perto da fábrica da Ferrari. Iniciava uma nova fase de sua vida. Mas uma coisa era certa: se alguém lhe pagasse melhor para correr de patinetes na Chechênia, ele iria. Desde que pudesse levar seu computador para brincar de video-game financeiro entre uma corrida e outra.

Demorou quatro anos para Jean Todt e Michael Schumacher perceberem que ganhariam mais se tivessem na Ferrari um outro piloto menos despojado que Eddie Irvine. O irlandês nunca foi muito empolgado em testes e jamais se destacou como bom acertador de carros. Seu papel como escudeiro do alemão só foi cumprido com perfeição nas corridas. Foram incontáveis as vezes em que Irvine abriu mão de vitórias e pódios para dar passagem a seu companheiro.

Em 96, o irlandês ficou apenas em 10º lugar no campeonato, com onze pontos. No ano seguinte, subiu de produção e, apesar de ser apenas o sétimo colocado na classificação geral (24 pontos), foi fundamental para que Schumacher chegasse à última corrida do ano em condições de disputar o título. Melhorou ainda mais no ano seguinte, quando ficou em quarto no campeonato, com 47 pontos, atrás apenas de Schumacher e da dupla da McLaren.

Seu grande momento veio em 99. No GP da Austrália, se beneficiou dos problemas ocorridos com os rivais e venceu pela primeira vez na carreira. Um acidente de Schumacher, no GP da Inglaterra, jogou nas costas dele o peso de tirar a Ferrari da fila. Irvine alternou altos e baixos nessa função: venceu com brilhantismo o GP da Áustria e se aproveitou da tática da equipe para faturar os GPs da Alemanha e da Malásia. Mas teve momentos obscuros, como no GP da Europa e na prova decisiva, no Japão.

Quem pensou que estaria arrasado depois de perder a maior chance da sua vida, se surpreendeu com sua alegria no pódio em Suzuka. De casa nova, na equipe Jaguar, Irvine continuava o mesmo sujeito bem-humorado. Mudou a pintura do capacete e disse que queria transformar a escuderia em uma “Ferrari inglesa”. A experiência de quatro anos em Maranello poderiam ajudá-lo neste novo objetivo. Mas não foi o que aconteceu.

Em 2000, seu primeiro ano na Jaguar foi decepcionante. Limitado pelos problemas do carro, não conseguiu mais do que um quarto lugar em Mônaco e um sexto Na Malásia. Foi 13º, com 4 pontos.

Em 2001, as mudanças na equipe deram esperanças de melhores resultados mas estes  foram, apenas, um terceiro, em Mônaco, e um 5º, nos Estados Unidos. No final da temporada, Bobby Rahl tentou demitir Irvine, mas este, com  apoio de Niki Lauda, permaneceu na equipe e quem saiu foi o dirigente.  Irvione encerou a temporada com apenas 6 pontos, em 13º lugar.

Em 2002, com  um 4º lugar em Melbourne; 6º na Bélgica;  3º, em Monza, Irvine somou  8 pontos e encerrou o campeonato em 9º lugar. No final da temporada foi demitido pela Jaguar, mesmo tendo se oferecido para ficar, com uma redução de 7 milhões de euros em seus salários. Sem outra alternativa, Eddie Irvine decidiu encerrar a carreira.