David Coulthard

Perfil

Nome David Marshall Coulthard
País Escócia
Nascimento: 27/03/71
Local: Twynholm, Kirkcudbrightshiret -Escócia
Altura: 1,82 m
Peso: 72,5 kg
Residência: Mônaco (tem também casas em Londres, na Bélgica e na Suíça)
Estado civil: Casado com Karen Miner. Tem um filho; Dayton Miner Coulthard
Preferências: Chá, pasta, música de Queen, Phil Collins e rap; atores: Mel Gibson e Sylvester Stalone
Hobbies: Natação, futebol, atletismo

Desempenho

Estréia na F1 29 de maio de 1994, GP da Espanha
Equipes Williams (94-95), McLaren (96-04), Red Bull (05-08)
GPs: 247 (246 largadas)
Vitórias: 13
Pódios 62
Poles: 12
Volta + rápida 18
Pontos: 535

Carreira

2008 16º colocado, com 8 pontos
2007 10º colocado, com 14 pontos
2006 13º colocado, com 14 pontos
2005 12º colocado, com 24 pontos
2004 10 colocado, com 24 pontos
2003 7º no campeonato, com 51 pontos
2002 4º colocado, com 41 pontos, atrás de Schumacher, com 144; Montoya, 50, e Barrichello, 42.
2001  2º, com 65 pontos, contra 123 de Schumacher, e 56 de Barrichello.
2000 3º colocado, com 73 pontos, contra 89 de Mika Hakkinen e 108 de Michael Schumacher
1999 4º lugar com duas vitórias
1998 Uma vitória e seis 2ºs lugares colaboram para a McLaren ganhar o mundial de construtores
1997 As vitórias na Austrália e Itália garantem o 3º lugar na temporada (McLaren)
1996 Entra na McLaren-Mercedes e termina em 2º em Mônaco e em 7º na temporada
1995 Termina em 3º lugar na sua primeira temporada completa vencendo o GP de Portugal (Williams)
1994 Piloto de testes da Williams-Renault é promovido a piloto no GP de Mônaco, terminando a temporada em 8º
1993 Piloto de testes da Williams-Renault. Termina em 3º lugar na Fórmula 3000. Vence a classe GT nas 24 Horas de Le Mans com um Jaguar
1992 Corre na Fórmula 3000 e faz testes na Fórmula 1 com a Benetton-Ford
1991 Participa da Fórmula 3 inglesa, com cinco vitórias (mais do que qualquer outro piloto na temporada). Vence o Marlboro Master de F3 europeu e o GP de Macau
1990 Compete na Lotus Challenge inglesa e na GM Lotus Euroseries. Faz testes na McLaren-Honda de F1
1989 Vence campeonato de Fórmula Ford 1600 Júnior

História

No futebol costuma-se dizer que um jogador reserva entra “na fogueira” quando por algum motivo o craque do time não tem condições de jogar. A expressão pode-se aplicar ao escocês David Coulthard. Sua estréia na Fórmula 1 se deu quando tinha apenas 23 anos, pela Williams, com a missão nada tranqüila de substituir Ayrton Senna. Coulthard era apenas piloto de testes da equipe quando o brasileiro morreu, em Imola.

Na prova seguinte, em Mônaco, a Williams decidiu largar com um carro só. Em Barcelona, no entanto, era preciso mostrar que a vida continuava. Frank Williams fez até uma tentativa desesperada de levar Nelson Piquet de volta à F-1, mas o tricampeão recusou o convite, sabedor de suas condições físicas. Coulthard estreou no GP da Espanha no mesmo carro número 2 que era de Ayrton. Uma responsabilidade do tamanho do mundo para aquele menino nascido na pequena Twynholm, em 27 de março de 1971.

Nos dias que antecederam seu primeiro GP, David deve ter repassado mentalmente toda a carreira, iniciada no kart, em 83, ano em que Senna já se preparava para correr na F-1. Coulthard tinha 12 anos quando acelerou pela primeira vez. Correu de kart até 88, conquistando quatro títulos escoceses nas categorias Júnior e Sênior. Em 89, ao ganhar o Campeonato Inglês de F-Ford 1.600, recebeu o prêmio McLaren/Autosport de piloto revelação do ano.

Na Inglaterra, tal escolha é passaporte que garante o futuro próximo de qualquer moleque. E Coulthard não encontrou dificuldades para correr na F-Vauxhall e na F-Opel Européia em 90, terminando o primeiro torneio em quarto e o segundo na quinta colocação. Em 91, já na F-3 inglesa, teve como adversário o brasileiro Rubens Barrichello. Apesar de suas cinco vitórias, viu o título ficar com Rubinho, com quem subiu para a F-3.000, em 92.

Correndo pela Paul Stewart, Coulthard teve uma temporada discreta e ficou em nono no campeonato. Em 93, pela Pacific na mesma F-3.000, conquistou uma vitória e terminou o campeonato em terceiro. Correndo pela Jaguar nas 24 Horas de Le Mans, ganhou a prova na categoria GT. Àquela altura, David já havia começado seus testes na Williams.

Em 94, quando substituiu Senna, disputou oito provas e teve que aceitar calado os convites feitos a Nigel Mansell, que estava na Indy, para correr em Magny-Cours, Jerez, Suzuka e Adelaide. Das corridas que disputou, Coulthard terminou cinco nos pontos: foi segundo em Portugal; quarto na Bélgica; quinto no Canadá e na Inglaterra e sexto na Itália, somando 14 pontos e terminando a temporada em oitavo lugar, ainda com o registro de duas melhores voltas.

Ficou claro que ele daria trabalho a Damon Hill em 95, o que de fato aconteceu. Coulthard perdeu a inibição e marcou 49 pontos em sua primeira temporada integral, conquistando a terceira colocação no campeonato. Foram oito pódios, cinco poles (quatro consecutivas), duas melhores voltas e uma vitória, em Portugal. Ganhou sua primeira corrida na mesma pista em que, no ano anterior, subira ao pódio pela primeira vez.

Coulthard teve um início de campeonato complicado por problemas de saúde. Correu gripado muitas vezes e em outras ainda não havia se recuperado de uma operação de extração de amígdalas. Quando entrou em forma, passou a atazanar a vida de Hill. Chegou a reclamar que a equipe não lhe dava o mesmo tratamento, pois o inglês era o homem escolhido para brigar pelo título.

Quando a Williams chamou Jacques Villeneuve para testes, Coulthard percebeu que seus dias no time estavam contados. Como já tinha um pré-contrato com a McLaren, ficou tranqüilo. Só deve ter-se arrependido de ter assinado com Ron Dennis quando Schumacher anunciou publicamente que ele seria o companheiro ideal na Ferrari. Os italianos só foram buscar Eddie Irvine porque David estava comprometido com outra equipe.. Sua chance seria um improvável sim de Alain Prost a um convite da McLaren, do qual o francês delicadamente declinou.
Magro (62 kg) e alto (1,82 m) Coulthard era obrigado a usar caneleiras para evitar o choque das pernas com as paredes do carro. O escocês foi uma figura popular na F-1. Estudou economia e é amante de qualquer tipo de música, exceto rap. Elogia o Queen e Phill Collins e abomina os chamados MCs.
Na McLaren, o escocês deixou passar a grande chance de sua vida. Depois de penar com a falta de competitividade da equipe em 96, Coulthard venceu o GP de abertura da temporada seguinte, na Austrália, a primeira vitória do time de Ron Dennis desde o triunfo de Ayrton Senna no mesmo país em 93. Como nesse ano a briga pelo título ainda estava restrita a Williams e Ferrari, Coulthard cumpriu bem o papel de coadjuvante: levou também o GP da Itália e ficou em 3º no campeonato com 36 pontos, nove a mais que o companheiro de equipe Mika Hakkinen.

O genial projetista inglês Adrian Newey ingressou na McLaren no fim de 97 e criou um carro quase imbatível para 98. Coulthard caminhava para repetir a vitória em Melbourne quando, a três voltas do fim, tirou o pé e deixou o companheiro Hakkinen passar. “Ele começou a prova na frente e, como teve um problema de comunicação com os boxes, se atrasou. Ninguém me pediu para fazer isto, mas apenas cumpri o que combinamos antes da largada”, explicou. Deu-se mal. Hakkinen agradeceu e passou a humilhar o escocês durante o ano todo, ganhando o título mesmo tendo o status de segundo piloto, antes de Melbourne.
A pouca reputação de Coulthard acabou destruída após o ano de 99. Fez duas lambanças históricas, nos GPs da Áustria e da Bélgica, prejudicando Hakkinen na busca pelo bicampeonato. Acabou o ano com a fama de ser um piloto sem muita vontade de vencer. Prometeu esquecer o passado e brigar pelo título em 2000.

Mas o ano não começou bem. Abandonou a prova na Austrália, por quebra de motor, e no Brasil fez o segundo lugar, mas acabou desclassificado. Foi punido devido a uma irregularidade na asa dianteira de seu carro, que estava a 43 mm e não a 50 do nível do assoalho do chassi, como manda do Regulamento. O segundo lugar do GP do Brasil foi dado oficialmente a Giancarlo Fisichella, que chegou em terceiro.
David Coulthard recebeu a informação de que tinha sido desclassificado do GP do Brasil na noite de domingo, quando se preparava para viajar e comemorar, com a namorada Heidi e alguns amigos, o seu 29º aniversário. Ao ser informado, reagiu mais ou menos assim: “Roubaram o meu presente de aniversário!”

Apesar do mau começo, David Coulthard disse que iria lutar, junto com Mika Hakkinen, para vencer Michael Schumacher na disputa pelo título de campeão.

“Eu não vou deixar Mika sozinho nessa disputa com Schumacher. Eu quero ganhar o título também. Eu acho que tenho um carro bastante rápido e tenho uma grande chance de vencer os dois, Mika e Michael”.

Em entrevista na Associação de Imprensa, na Inglaterra, disse ter um pressentimento de que iria ganhar em Silverstone pela segunda vez consecutiva. E a previsão se confirmou. David Coulthard foi o primeiro, 1,4 segundo a frente de seu companheiro Mika Hakkinen. Na entrevista coletiva, Coulthard disse que passou Rubens Barrichello quando o brasileiro da Ferrari errou a entrada da curva Stowe e lembrou de quando Mansell passou Nelson Piquet ali mesmo em 1987, dizendo que repetiu a manobra para assumir o primeiro lugar.

Depois do GP da Inglaterra e da recuperação da McLaren, se acirrou a guerra de nervos da equipe com a Ferrari. Schumacher e David Coulthard, principalmente, bateram boca pela mídia da Europa.

No dia 2 de maio de 2000, Coulthard sobreviveu, apenas com ferimentos leves a um acidente de avião em que morreram o piloto e co-píloto do aparelho. O piloto escocês viajava para Nice, no sul da França, num Lear Jet particular que teve problemas antes de chegar ao destino. O piloto solicitou um pouso de emergência em Lyon e o avião chocou-se com o solo no aeroporto de Lion-Satolas. Heidi, a namorada de Coulthard, e um outro passageiro também se feriram no acidente.

Três dias depois, o piloto já participava da segunda sessão de treinos no circuito de Montmeló, em Barcelona e ficou em quinto lugar, à frente do companheiro de equipe, Mika Hakkinen.  Na corrida, Coulthard, com três costelas trincadas, o que só se soube depois, foi o segundo, em dobradinha com Mika Hakkinen. O resultado pos fogo no campeonato. Em seguida, o escocês foi pole e depois 3º em Nurburgring e venceu o GP de Mônaco, passando ao segundo lugar na classificação dos pilotos.

Os bons resultados sensibilizaram a McLaren que, já em junho, resolveu renovar o contrato de Coulthard até o fim da temporada. Com isso, ele completou seis anos na equipe e formou com Mika Hakkinen a dupla que ficou mais tempo junta numa mesma equipe. Coulthard teria recebido 5 milhões de libras (cerca de 7 milhões e meio de dólares, na época) por temporada, 2 milhões dos quais adiantados.

E os bons resultados continuaram. Coulthard venceu o GP da França, em Magny Cours, e esquentou a briga pelo campeonato, uma vez que Michael Schumacher abandonou. Na prova, Coulthard e Shumacher se estranharam. O escocês não se conteve e fez um gesto obsceno (indicador para cima), ao passar pelo alemão, que tentou por todos os meios evitar a ultrapassagem. David Coulthard pediu desculpas pelo gesto, mas não perdoou Michael Schumacher pela manobra que o impediu de ultrapassá-lo na volta 34. Coulthard tentou passar por fora, mas o alemão fechou a porta e quase que os dois carros se tocam. Depois de mais 5 voltas, Coulthard conseguiu ultrapassar, mas continuou bravo com o adversário, a quem acusou de não ser leal na pista.

Depois da corrida da Áustria, com Mika Hakkinen em primeiro e David Coulthard em segundo, a briga pelo campeonato ficou mais quente do que nunca. A vantagem de Schumacher para Coulthard, que era de apenas seis pontos, caiu para dois pontos (56 a 54), com a vitória de Rubinho, a saída de Schumacher e a dobradinha Hakkinen-Coulthard em 2º e 3º, no GP da Alemanha.

Para David Coulthard, Michael Schumacher estava começando a sofrer as conseqüências de suas táticas agressivas e, sob pressão, ele saiu logo na primeira curva nas duas últimas corridas e só terminou um dos cinco GPs anteriores. E Coulthard dizia não ter pena da má sorte do alemão:

“Ele teve uma série de bons resultados no início da temporada e muita sorte, quando nos estávamos lutando com problemas, mas agora as coisas mudaram. Acho que as críticas à sua ética nas últimas semanas também o afetaram. Ele não gosta dessas críticas, mas foi ele quem as provocou com suas manobras na largada, cortando outros pilotos, inclusive eu”.

De bem com a vida e descontraído, nessa mesma época, numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, Coulthard revelou a sua porção feminina. Disse que não havia nada que o agradasse mais do que passar roupa. Contou que no fim de semana em Hockenheim, estava sozinho no motorhome, porque a namorada Heid estava trabalhando, e aproveitou para lavar e passar um par de calças, enquanto via televisão, e sentiu-se bem de estar pronto para o outro dia. Na mesma entrevista, para não perder o hábito, Coulthard não deixou de dar umas estocadas em Michael Schumacher. Disse que o alemão se julgava infalível e não admitia seus erros, sempre os atribuindo aos outros.

Na Hungria, Hakkinen venceu e passou a liderar. Depois disso, Ron Dennis voltou a afirmar que Mika Hakkinen e David Coulthard estavam liberados para tentar vencer as corridas seguintes, mesmo que isso custasse o título do campeonato dos construtores. Porém, faltando apenas três corridas, o escocês estava 19 pontos atrás de Mika Hakkinen e 17 de Michael Schumacher e achava que não teria mais condições de chegar ao primeiro lugar. E as remotas chances de Coulthard de fato foram para o espaço quando teve de abandonar o GP da Itália, envolvido numa confusão com mais quatro carros.

No Japão, ele teve, mas deixou escapar, uma oportunidade de vencer Schumacher.  Estava 6s02 à frente do alemão quando, na 17ª volta, rodou e saiu da pista, e teve que parar para que fossem retirados os tufos de grama que entraram no radiador.  Schumacher assumiu a liderança e aproveitou para livrar boa vantagem, fazendo quatro vezes a melhor volta, e ainda voltar na frente depois do pit-stop na 24ª volta. O campeonato terminou com Schumacher atingindo o total de 108 pontos, contra 89 de Hakkinen e 73 de Coulthard.

Depois da corrida em Sepang, David Coulthard foi visto num longo papo com Schumacher. O escocês explicou mais tarde a razão da conversa: “Para ser honesto, eu fui pedir desculpas a Michael por este ano. Como vocês sabem, tivemos algumas diferenças e estou envergonhado de algumas vezes ter dito coisas publicamente, em vez de ir vê-lo e falar cara a cara. No final da temporada, eu quis pedir desculpas a ele por isso e dizer que ele é um grande campeão e que espero competir com ele novamente no próximo campeonato”.

Coulthard começou a temporada de 2001 com um segundo lugar na Austrália. Numa grande manobra na curva 3, ultrapassou Barrichello e terminou 8 segundos atrás de Michael Schumacher. Na Malásia, de novo brigou com a dupla da Ferrari, mas desta vez não conseguiu vencer nenhum dos dois e acabou em terceiro. A vitória, afinal, chegou no Brasil. E também foi resultado de uma brilhante manobra para ultrapassar Michael Schumacher na curva um, na volta 48. Tarso Marques ia pelo meio da pista, Schumacher escolheu a saída por fora, Coulthard saiu por dentro e ultrapassou o alemão.

Em San Marino, Coulthard fez a pole, mas na corrida Ralf Schumacher foi mais rápido. O escocês ficou em segundo lugar. Em Barcelona, Coulthard foi apenas 5º, mas na Áustria, saiu em 7º e acabou vencendo. Assumiu a ponta na volta 47 e não perdeu mais. Em Mônaco, fez a pole, mas na corrida não conseguiu mais do que um quinto lugar.

No Canadá, foi terceiro no grid, mas acabou em 12º; em Nurburgring, no GP da Europa, saiu em 5º e chegou em 3º, numa grande corrida. No GP da França, em Magny-Cours, chegou em 4º, atrás dos irmãos Ralf e Michael Schumacher e de Barrichello, depois de ter cumprido um stop&go na volta 31. Em Silverstone, uma colisão com Jarno Trulli, logo na primeira curva, o tirou da corrida. Na Alemanha, saiu em 5º e chegou em 12º.

Na Hungria, foi 2º no grid e 3º na corrida. Na Bélgica, largou em 5º e chegou em 2º. Na Itália, saiu em 6º e acabou num medíocre 20º lugar; nos EUA largou em 7º e foi 3º. No Japão, também saiu em 7º e foi 3º. Com esses resultados, terminou o campeonato em 2º, com 65 pontos, contra 123 de Schumacher, e 56 de Barrichello.

Em 2002, Coulthard voltou a ter um dos seus piores momentos no campeonato. Esteve 11 vezes na zona de pontuação, uma delas, em Mônaco, no primeiro lugar, mas não completou 4 corridas e terminou em 5º lugar na classificação dos pilotos.

A temporada começou com um abandono na Austrália. O escocês se beneficiou da carambolada de oito carros logo na primeira curva, mas na segunda largada, quando o safety car deixou a pista, rodou e teve que deixar a corrida. Na Malásia, a história de repetiu. Largou em 6º e, por perda de força do motor, teve que abandonar de novo. No Brasil, Espanha, Mônaco e Canadá, as coisas pareciam ter mudado. Em Interlagos e Barcelona foi 3º; em Mônaco foi o primeiro e em Montreal ficou em segundo. Daí até o final, só fez mais dois terceiros, em Magny-Cours e Indianápolis. Somou 41 pontos e ficou atrás de Schumacher, com 144; Montoya, 50, e Barrichello, 42.

O ano anterior terminara mal, mas a temporada de 2003 parecia prometedora para Coulthard. Ainda em dezembro de 2002, em treino, tornou-se o primeiro piloto a fazer uma volta em menos de 1min16s no Circuito da Catalunha, em Barcelona. Cravou 1min15s674, superando em 674 milésimos o tempo (1min16s348) que o austríaco Alexander Wurz, piloto de testes da equipe, havia estabelecido no início ano. Coulthard quebrou o recorde extra-oficial da pista.

O piloto dizia estar bastante otimista com o rendimento do novo carro, o MP4/18, em testes, e com as mudanças feitas no MP4/17, com que ia iniciar o ano. E fora das pistas, talvez por causa desse otimismo, o piloto escocês voltou a promover guerra de nervos contra Michael Schumacher, então o principal favorito ao título da temporada. Em entrevistas publicadas pela imprensa alemã, disse estar convencido que poderia superar o pentacampeão.

“A boa notícia é a de que se pode vencer Schumacher. Quando ele está sob pressão, comete erros e o que temos que fazer é pressioná-lo. No ano passado não conseguimos, mas neste ano, tenho certeza que vamos conseguir”, garantiu aos diários “Stuttgarter Nachrichten” e “Stuttgarter Zeitung”.

Além das provocações a Schumacher, Coulthard foi noticia no início da temporada por suas relações amorosas. Desde que apareceu, em 1994, o escocês, considerado o substituto de Eddie Irvine como o playboy da Fórmula 1, talvez tenha tido mais mulheres do que vitórias. Entre as conhecidas, estão a modelo canadense Andréa Murray; a britânica Victoria Hervey e a alemã Heidi Klum, que estava com ele quando sofreu o acidente de avião, em 2000. Em Melbourne, a noticia era a de que ele estava de casamento marcado com a modelo brasileira Simone Abdelnour, de 23 anos, com quem namorava desde julho de 2001.

O início do campeonato foi bom e confirmou o otimismo. Coulthard venceu o GP da Austrália, etapa de abertura da temporada. Completou as 58 voltas seguido pelo colombiano Juan Pablo Montoya, da Williams, e pelo finlandês Kimi Raikkonen, seu companheiro na McLaren. Foi uma surpresa, pois a equipe de Ron Dennis havia enfrentado problemas no treino de classificação, com Coulthard em 11º e Raikkonen em 15º. Coulthard comemorou muito a vitória; a 13ª como piloto. Depois da vitória, o ex-piloto de Fórmula 1 Damon Hill considerou Coulthard um dos candidatos ao título de 2003. Campeão em 1996 e companheiro de Coulthard, na Williams, em 1994 e 1995, Hill acreditava que a vitória no GP da Austrália poderia impulsionar o escocês:
“David amadureceu muito. Ele mostrou no ano passado que está muito mais sólido do que quando era mais jovem. E a McLaren se mostrou competitiva. Acredito que a Ferrari não tenha um domínio absoluto agora”.
O ex-piloto Jody Scheckter, campeão mundial de Fórmula 1, em 1979, discordava de Hill. Para ele, Coulthard não tinha a ambição necessária para conquistar um título:
“Coulthard é superestimado. Às vezes ele é rápido, mas em várias ocasiões não é. Ele nunca vai ser campeão. Não tem a ambição necessária”.

A McLaren venceu duas das quatro primeiras corridas do ano e liderava os Mundiais de Pilotos, com Kimi Raikkonen, e de Construtores, mas Coulthard estava preocupado e achava que a equipe precisava  apressar a estréia do novo carro, o MP4-18, para poder brigar pelo título mundial. Principalmente depois do anúncio de que a Ferrari iria disputar na Espanha seu primeiro GP com o novo F2003-GA.
No GP da Áustria, Coulthard foi mal no treino de classificação, ficando apenas com o 14º lugar no grid, e terminou a corrida em quinto lugar.  E teve também má notícia. O MP4-18 não poderia estrear antes do GP da Inglaterra, 11ª etapa da temporada. A equipe testou o carro em Barcelona, mas um acidente com o finlandês Kimi Raikkonen impediu a conclusão do trabalho. Com isso, ficou mais difícil fazer a estréia no dia 29 de junho, no GP da Europa, em Nurburgring.

Em agosto, porém, a McLaren informou que o MP4-18 seria apenas uma base do carro 2004 e não deveria ir para a pista nas últimas provas da temporada, como pretendia a alta cúpula. Nos testes, o modelo foi mais rápido que aquele que estava sendo usado, mas apresentou problemas crônicos em várias partes internas, desde mecânicas até elétricas.

Para compensar, Coulthard teve uma notícia boa, em agosto. A McLaren anunciou a renovação do contrato com ele por mais uma temporada, a nona com a equipe de Ron Dennis. A decisão, de novo, provocou controvérsias. Norbert Haug, diretor esportivo da Mercedes, aprovou:
“David é um excelente piloto, acho injustas as críticas que vem recebendo. Ele não está com sorte no momento, apenas isso. Na Inglaterra e na Alemanha fez ótimas corridas”.
Já  Bernie Ecclestone, o todo-poderoso dono da F1, foi contra. Para ele, o escocês deveria deixar a McLaren porque já tinha passado muito tempo na escuderia, sem ganhar um título sequer:
“Se ele se mudar, será bom para ele porque ele provavelmente já se sente muito confortável na McLaren. Isso daria uma chacoalhada nele e daria uma motivação extra. Mas se não deixar, ele terá de ser capaz de vencer e ser forte o bastante para manter o desafio de vencer um campeonato. E isso não está sendo fácil de achar”.

O novo carro afinal não estreou e nos dez GPs depois da Áustria, David Coulthard teve apenas dois resultados convincentes, um segundo na Alemanha, e um terceiro, em Suzuka, terminando o campeonato de 2003 numa modesta 7ª colocação, com 51 pontos.

A temporada de 2004 foi pior ainda. Confirmando a fama de mau “classificador” e a sua oposição declarada ao sistema de classificação, em apenas três GPs Coulthard largou nas duas primeiras filas do grid, com uma 3ª posição na França e a 4ª na Alemanha e na Bélgica. Correndo metade da temporada com o MP4-19 e outra metade com o MP4-19B, da McLaren, ambos com motor Mercedes FO110Q 3.00 V10, em apenas 9 das 18 provas do calendário chegou na zona de pontuação e o melhor resultado foi o 4º lugar no GP da Alemanha. Na Foi 8º na Austrália; 7º na Malásia; abandonou na 5ª volta no Bahrein, por problema nos pneus; foi 12º em San Marino; 10º na Espanha, abandonou em Mônaco e Nurburgring; foi sexto no Canadá; 7º nos Estados Unidos; 6º na França; 7º na Inglaterra; 9º na Hungria; 7º na Bélgica; 6º na Itália; 9º na China;não terminou no Japão e4 ficou em 11º no Brasil. Terminou o campeonato em 2º lugar, com 24 pontos.

O resultado foi a justificativa que a McLaren esperava para substituir o piloto escocês, que teve de ceder o lugar a Juan Pablo Montoya, o novo companheiro de equipe de Kimi Raikkonen. Todavia, Coulthard não ficou muito tempo desempregado e, depois de nove anos, vestiu o uniforme de uma nova escuderia, a Red Bull Cosworth. Curiosamente, os mesmos 24 pontos no que foram um mau resultado numa equipe grande como a McLaren, foram comemorados como uma boa performance numa equipe praticamente em formação, como a Red Bull. Com mais liberdade e mais experiente que os dois, Coulthard se impôs a Christien Klein e Vitantonio Liuzzi, Coulthard, os companheiros de equipe na temporada. Ficou na 12ª colocação, enquanto Klein terminava em 15º, com apenas 9 pontos, e Vitantonio, que largou em 4 GPs e completou  apenas 2, ocupava a 24ª colocação, com só um ponto.

Coulthard continuou na Red Bull em 2006, tendo de novo como segundo piloto Christien, mas com o RB2 equipado com motor Ferrari e não mais o Cosworth. O novo equipamento, todavia, não correspondeu às expectativas e a temporada foi decepcionante. O escocês foi 13º entre os pilotos, com apenas 14 pontos, e a Red Bull a 7ª, entre os construtores, com 17 pontos. O melhor resultado de Coulthard foi um pódio, pelo terceiro lugar em Mônaco. Nas demais corridas, foi 10º no Bahrein; abandonou na Malásia; foi 8º na Austrália: não terminou em San Marino e em Nurburgring; foi 14º na Espanha; 12º na Inglaterra; 8º no Canadá;7º nos Estados Unidos; 9º na França; 11º na Alemanha; 5º na Hungria; 15º na Turquia; 12º na Itália; 9º na China e abandonou no Japão e no Brasil.

Embora os resultados nas pistas não tenham sido auspiciosos, fora delas Coulthard teve alguns bons motivos para comemorar. Em 2006 ele entrou para o “Clube dos 200”, formado pelos pilotos que disputaram 200 GPs e que já incluía Ricardo Patrese, Michael Schumacher, Rubens Barrichello, Gerhard Berger, Andréa de Cesaris, Nelson Piquet e Jean Alesi.  No dia 2 de junho, deixou o chamado “rol dos homens sérios” e, depois de muitos amores e aventuras, anunciou sua união com a belga Karen Miner, correspondente na França do canal TF 1, com quem pretendia casar “num futuro próximo”. Em 21 de novembro de 2008 nasceu o primeiro filho do casal, Dayton Miner Coulthard. (com as mesmas iniciais do pai, DMC).

Antes do encerramento do campeonato, a 7 de agosto, um dia depois do GP da Hungria, no qual ele foi 5º colocado, considerando a contribuição de Coulthard para o  desenvolvimento do seu carro,   a Red Bull anunciou a prorrogação do contrato dele para a temporada de 2007.

Em 2007, além de um novo companheiro, Mark Webber, Coulthard ganhou um novo carro, o RB3, com um novo motor, o Renault RS27, 2.4 V8. Confirmando a má fama, Coulthard foi  frequentemente superado pelo companheiro nos treinos de classificação. E nas corridas teve de lutar também com a inconstância do novo motor. O inicio não poderia ser mais desanimador. O escocês não conseguiu completar as três primeiras corridas, na Austrália devido a acidente; na Malásia por quebra dos freios e no Bahrein por problemas mecânicos. O 5º lugar na Espanha deu os primeiros pontos da equipe e esperanças de recuperação a Coulthard. Mas depois disso, só em três ocasiões o piloto chegou na zona de pontuação: em Nurburgring, 5º; Japão, 4º, e China, 8º. Terminou o campeonato em 10º, com 14 pontos, e a Red Bull foi a 5ª colocada entre os construtores, com 24 pontos.

Novamente, antes do término do campeonato, ainda no dia 7 de julho, a Red Bull anunciou a prorrogação do contrato de Davi Coulthard até o fim da temporada de 2008.

O piloto escocês começou a temporada com uma desavença com o brasileiro Felipe Massa. O escocês culpou Massa pelo choque entre ambos, na largada do GP da Austrália e, em declarações ao jornal “The Sun”, lembrou que, na temporada anterior, quando se sentiu culpado por uma batida idêntica em Wurz, pediu desculpas ao austríaco. E completou com uma frase que, numa tradução livre, significa mais ou menos: “Espero que Felipe faça o mesmo. Se não fizer, vou jogar um monte de merda no pequeno bastardo”.

Mas o choque com Massa não foi o único de Coulthard durante o campeonato de 2008, devido às largadas nas últimas posições, onde as colisões e toques são mais comuns. Afora os referentes ao 3º lugar no GP do Canadá, que valeu o 62º pódio de sua carreira, e ao 7º lugar na China,  Coulthard não conseguiu nenhum outro ponto durante todo o campeonato, que completou na 16ª posição, com apenas 8 pontos.

No dia 3 de julho, antes do GP da Inglaterra, Coulthard anunciou a sua aposentadoria no fim da temporada. E a despedida do considerado “o último romântico da Fórmula 1” foi melancólica. Na largada do GP do Brasil, ele se envolveu num acidente com Nico Rosberg e Kazuki Nakajima e teve de parar na segunda curva da primeira volta, antes de completar os primeiros 400 metros da pista.

Fora das pistas, Coulthard passou a ser consultor técnico da Red Bull e comentarista da BBC. Talvez lembrando a frase de Ayrton Senna de que “o 2º colocado é o primeiro dos últimos”, disse, depois de parar, temer ser esquecido, depois de 15 anos de Fórmula 1:

“Ningém se lembra do 2º colocado”.