Publicidade

Bertrand Gachot

Nome

Bertrand Jean Gachot

Nacionalidade

Belgo-francês

Nascimento

22/12/1962

Local

Luxemburgo

Carreira

1989-1992, 1994-1995

Equipes

Onyx, Rial, Coloni, Jordan, Larousse, Pacific

Largadas

47 (em 84 corridas)

1ª corrida

GP do Brasil de 1989

Última corrida

GP da Autrália de 1995

Pontos

5

Voltas+rápidas

1

5ºs lugares

1

6ºs lugares

3

 

A maior façanha de Bertrand Gachot foi ter dado chance para o surgimento de um heptacampeão da F1. Ele era piloto da Jordan, em 1991 e viajava com frequência à Inglaterra, para visitar a sede da equipe. Numa dessas viagens, envolveu-se numa discussão de trânsito e foi ameaçado por um violento taxista.  Apavorado, apesar dos seus 1,83 m, sacou de um spray, comprado num camelô qualquer, e jogou gás no rosto do agressor.

Como a Inglaterra é um país sério, Gachot foi processado, julgado, condenado e passou uma temporada na cadeia, deixando a Jordan sem piloto, às vésperas do GP da Bélgica.

Estreante na F1, Eddie Jordan colocou seu cokpit para alugar. A Jordan era a equipe revelação do ano e não faltariam candidatos dispostos a desembolsar uma pequena fortuna para usar o seu carro.  A Mercedes-Benz, de olho no futuro, resolveu pagar 300 mil dólares para testar um piloto que vinha andando bem no campeonato mundial de marcas. Seu nome: Michael Schumacher.

No primeiro treino em Spa, sem nunca ter sentado num F1 antes, o alemão deixou o mundo das corridas de boca aberta. Foi oitavo colocado no grid. Na prova, andou poucos metros e teve o câmbio quebrado.  Mas o que fez nos treinos foi bastante para arregalar os olhos das grandes equipes e o que aconteceu depois, todos sabem.

Naquele fim de semana belga, quase todos os pilotos usaram camisetas com inscrições de protesto, pedindo a liberdade de Gachot. Até no asfalto pintaram frases de apoio ao colega. O relaxamento da prisão acabou acontecendo, mas o piloto só voltou a correr em 1992, depois de gastar um bom dinheiro com advogados.

Bertrand Gachot nasceu em Luxemburgo, no dia 23 de dezembro de 1962. Como a mãe nasceu na França e o pai na Alemanha, ele tem a nacionalidade francesa e era sob essa bandeira que corria.  No início, ele se declarava belga, porque o pai trabalhou em Bruxelas, no Parlamento Europeu, e Bertrand viveu um bom tempo no país, obtendo também a cidadania da Bélgica, numa verdadeira salada no passaporte. Para complicar ainda mais, ele não usava nenhuma bandeira no capacete e sim a bandeira azul com estrelas amarelas, em círculos, representando a União Europeia. “Eu, realmente, não tenho nacionalidade. Me sinto, acima de tudo, um europeu”, costumava dizer.

Diplomacia à parte, Bertrand sempre foi um homem politizado e critico em relação à F1. Em 1994, resolveu entrar de sócio na Pacific e a equipe faliu no final do ano seguinte. Passou a temporada inteira falando mal do mercantilismo da categoria, da hegemonia das grandes (e ricas) equipes e dos dirigentes em geral.

Na pista, Gachot até que teve um começo promissor. Fez pouco no kart, de 70 a 82, mas, depois que passou a correr de carros, conquistou muitas vitórias e títulos. Primeiro, disputou o campeonato da Fórmula Ford, da Benelux (região e organização econômica formada por Bélgica, Holanda e Luxemburgo, precursora da União Europeia), em 1984, e em 1985 foi correr na Inglaterra, na mesma categoria, com carros de 1.600 cilindradas. Foi campeão inglês, num feito notável, vencendo sua primeira corrida no circuito de Oulton Park. Repetiu a dose em 1986, ganhando a Fórmula Ford 2.000, ainda na Inglaterra. Em 1987, conseguiu o vice-campeonato na prestigiosa F3 inglesa. Em 1988, disputou a F 3.000, pela Spirit e terminou o campeonato no 5º lugar.

A F1 era o caminho natural, mas Bertrand acabou pela porta errada, em 1989. Assinou contrato coma estreante Onyx, equipe que não durou um ano. Ainda fez muito, largando em 5 corridas. Em 1990, piorou: foi para a Coloni e não se classificou para nenhum GP. A sorte veio em 1991 com outra estreante, a já citada Jordan. Em dez corridas, antes de ser preso, marcou 4 pontos (5º no Canadá e 6º na Inglaterra e na Alemanha) e ainda teve a honra de escrever em seu currículo uma melhor volta, no GP da Hungria. Foi mesmo sua melhor temporada: em junho, ainda conseguiu vencer as 24 horas de Le Mans, experiência que considerava a mais bela da sua vida.

A confusão em Londres acabou com a carreira de Gachot. Ele voltou em 1992, pela Larousse, carregando o estigma de ex-presidiário (ninguém levava isso muito a sério, mas ele se sentiu abalado).  Marcou um ponto, com o 6º lugar em Mônaco. Em 1993, desempregado, fez uma prova da Indy, em Toronto, e correu com carros de turismo. Só voltou à F1 em 1994, pela Pacific-Ilmor, classificando-se para apenas 5 provas.

No papel de dirigente-piloto, foi obrigado a ceder seu lugar, em 1995, a mediocridades como Giovanni Lavaggi e Jean-Denis Deletraz, em busca de dinheiro para salvar a sua pobre equipe. Não conseguiu. Economista de profissão, Gachot percebeu que quando a despesa é maior do que a receita é melhor fechar as portas

(texto de Flávio Gomes).

Nos últimos anos, Bertrand Gachot se concentra em seus interesses comerciais, que incluem o marketing da Hype, bebida energética, mantém contato com a F1 e é dono de um site sobre a categoria.