21/02/19

Texas se recusa a liberar fundos para o GP

O site Motorsport.com publica que o Circuito das Américas, local do GP dos EUA de Fórmula 1, enfrenta um problema financeiro, após o governo do estado do Texas se recusar a liberar os fundos que a pista recebeu em todos os anos desde que começou a sediar a corrida.
O modelo de negócios para ter a F1 na pista é baseado no pagamento anual do Fundo de Grandes Eventos, que sempre cobriu a taxa paga à organização da Fórmula 1, e que na verdade faz do GP um evento “gratuito” para o local.
O dinheiro sempre foi pago alguns meses depois da corrida, porque deve-se mostrar que ele é proveniente da receita fiscal recebida e gerado pela audiência do evento. A pista recebeu pagamentos de mais de 20 milhões de dólares por ano desde 2012, e esperava receber 25,8 milhões para a corrida de 2018.
No entanto, diz o motorsport.com, o estado rejeitou o pedido formal do Circuito das Américas para seu pagamento de 2018, alegando que a pista não apresentou um plano de prevenção de tráfico de seres humanos antes do prazo de 19 de setembro, um mês antes da corrida. Este requisito está relacionado a uma repressão das autoridades do Texas à prostituição.
Um porta-voz do governador do Texas, Greg Abbott, disse: “neste caso, a lei é clara: se um plano de prevenção de tráfico de seres humanos não for apresentado 30 dias antes de um evento, um reembolso do Fundo de Eventos não poderá ser emitido”.
“O estado do Texas e o Circuito das Américas têm uma parceria produtiva que teve um tremendo impacto econômico na cidade de Austin e no estado como um todo, e nosso escritório já está trabalhando com o Circuito das Américas na corrida do ano que vem.”
O vice-presidente executivo do circuito, Rick Abbott, respondeu emitindo uma declaração via Twitter dizendo que um plano já havia sido implementado para a MotoGP.
“Em abril de 2018, a equipe de operações do Circuito das Américas desenvolveu um plano antitráfico de seres humanos para ser incluído no Plano de Ação de Emergência (EAP) para a corrida da MotoGP de 2018. Esse plano permaneceu em vigor durante toda a temporada de 2018.”
Ele continua otimista de que uma solução possa ser encontrada: “como o reembolso para o GP dos EUA de 2017 não foi pago até dez meses após o evento, continuamos esperançosos de que as questões de 2018 possam ser resolvidas”.
A sugestão do estado de que “já está trabalhando com o Circuito das Américas” indica que, em teoria, não deve haver nenhum problema com pagamentos para 2019 e além, se a documentação estiver em ordem.
No entanto, a perda do financiamento de 2018 será um grande golpe para uma organização que não pode se dar ao luxo de perder uma quantia tão significativa, com tanto investimento na construção da pista
No México, após os comentários do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, de que o governo não colocaria mais dinheiro no GP do México, em benefício do projeto de uma ferrovia, as autoridades da capital do país, e o promotor do evento, o CIE Group, procuram alternativas para garantir a continuidade da prova.
O GP do México retornou ao calendário da F1 em 2015, com um contrato de cinco anos que expira na edição de 2019. O CIE Group informou que 28 de fevereiro é a data final para renovar o contrato e ter uma data assegurada para o próximo calendário da F1.
Após este dia, ainda haveria uma opção, mas o México teria que competir com outras possíveis partes interessadas.
Nesta situação, o CIE Group decidiu não emitir declarações, mas sua assessoria de imprensa, disse que “manteve conversas com o governo” e que também foram “analisadas alternativas viáveis”.
O presidente do país indicou que, se o evento tivesse capital privado, não haveria problema para continuar. “Se não envolve dinheiro, eu apoio e concordo”, declarou AMLO, como é conhecido o presidente.
Por sua vez, a chefe de governo da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, disse na tarde de terça-feira que trabalha com o CIE Group para encontrar alternativas e manter a corrida.
“É algo que é benéfico para a cidade em termos de turismo, mas, ao mesmo tempo, representa algo muito oneroso.”
“Continuamos em conversas com quem dirige a Fórmula 1, para ver se através de mecanismos de financiamento de outros patrocinadores poderia ser reduzido o custo para a cidade.”
Segundo dados publicados pelo jornal Reforma, na edição de 2018 do GP do México, o governo federal contribuiu com 20 milhões de dólares.