16/03/19

Hamilton admite surpresa com desempenho

Assim como Sebastian Vettel, Lewis Hamilton se manifestou surpreso com o desempenho do W10 e a pole position para o GP da Austrália. Perguntado pelo Motorsport.com se concordava com a afirmação de Valtteri Bottas, que disse estar “perplexo” com a performance da Mercedes, Hamilton admitiu:
“Com certeza. Não havia nenhuma indicação desse resultado após os testes. Nós achávamos que tínhamos um bom pacote para trabalhar, mas estávamos cientes que poderíamos estar um pouco atrás. Estávamos honestamente achando isso depois que nos mostraram o resumo dos testes. Nós estávamos atrás da Ferrari na nossa análise. Nós pensávamos que estávamos mais perto do que achávamos depois dos testes, e de repente eles caíram um pouco no último treino livre, algo que não estávamos esperando. Foi chocante”, comentou o pentacampeão mundial.
Hamilton reconheceu que “não havia nenhuma indicação dessa performance”.
“Eu sentia que tínhamos um pacote bem decente, mas estávamos conscientes de que poderíamos também estar um pouco atrás. Honestamente, foi isso que pensamos quando terminou a pré-temporada. Na análise que fizemos, estávamos atrás da Ferrari. Mas a questão é que nós não mudamos o carro, nós entendemos o carro. Ontem, a Ferrari esteve perto de nós. Só que, de repente, eles perderam performance no TL3, o que nós não esperávamos. Foi um verdadeiro choque”, completou.
Hamilton acredita que um dos fatores para o sucesso da Mercedes é a natureza do circuito do Albert Park, mas insistiu que a Ferrari deve voltar forte no domingo. “Essa é uma pista difícil. Por isso, estou grato por ter o carro que temos, porque nos permitiu estar nessa posição hoje. Sei que a Ferrari vai se esforçar e progredir. Amanhã, eles vão lutar muito, principalmente porque são sempre muito fortes em corrida”, acrescentou.
A opinião de Hamilton foi compartilhada pelo chefe da Mercedes, Toto Wolff. “Estou chocado. Depois dos testes, realmente não parecia que seria assim. Lewis é quase imbatível por aqui”, confessou Wolff.
Ele ressalvou, todavia, que não pode julgar se a qualificação foi uma exceção ou se o W10 é realmente muito mais rápido do que o SF90 da Ferrari.
“Quando chegamos à Austrália e fomos à pista na sexta-feira, era difícil saber o que esperar. Se éramos mais rápidos ou não, ou se estaríamos muito próximos. Mas nós tivemos uma ótima sexta. Não confiamos nela completamente, mas o carro estava igualmente bom hoje. É resultado de todo o trabalho feito desde que começamos a testar”.
O chefe de equipe destacou as dificuldades na pré-temporada para ponderar o ritmo real da Mercedes: “Não foi o começo mais fácil em Barcelona e ainda não podemos julgar se foi diferente porque Melbourne é outro tipo de circuito ou se realmente temos um carro que é tão rápido quanto pareceu hoje”.
Wolff disse que o desempenho da Mercedes mostra que o novo carro está rápido, entretanto, alega que precisa entender qual foi a razão para esse ritmo repentino, pois até Hamilton e Bottas expressaram surpresa com a velocidade após a classificação.
Na temporada passada, Hamilton se classificou para a pole com uma vantagem de 0s6 sobre a Ferrari, mas Vettel venceu a corrida e passou a ter o carro mais rápido nos GPs seguintes. Indagado pelo Motorsport.com sobre as perspectivas para o mundial, Wolff disse:
“Eu gostaria de continuar com a forma de hoje, claro, mas não acho que isso é o que podemos esperar para toda a temporada. Acredito que o campeonato será disputado como no ano passado. Só porque tivemos uma sexta-feira e um sábado muito bons em Melbourne não significa que será uma corrida tranquila. Pelo contrário, vamos precisar nos esforçar ao máximo, como fizemos depois da primeira semana ruim em Barcelona”.
Na segunda semana de testes de pré-temporada, a Mercedes introduziu um novo pacote aerodinâmico. Entretanto, foi só no último dia na Espanha que Wolff viu a luz no fim do túnel:
“Nós estávamos realmente experimentando o carro. Na sexta-feira, quando começamos as primeiras simulações de baixo consumo, o carro estava bem, tão rápido quanto a Ferrari, e aí sentimos que poderia haver uma vantagem”.