17/04/19

Brawn: Mercedes não repetirá Williams-92

Ross Brawn, diretor esportivo da Liberty Media, não crê que carros da Mercedes ganhem mundial facilmente como fez a Williams em 1992. Os primeiro e segundo lugares de Lewis Hamilton e de seu companheiro de equipe Valtteri Bottas na China no último final de semana deu continuidade ao grande começo de ano da Mercedes, com sua terceira dobradinha. O time é o segundo na história a iniciar uma temporada de maneira tão avassaladora, imitando a Williams em 1992, com Nigel Mansell e Riccardo Patrese, que também conseguiram três dobradinhas seguidas.
Naquele ano Adrian Newey produziu o carro de Fórmula 1 mais tecnológico de todos os tempos, o FW14B (foto). Sua superioridade foi comprovada desde a primeira corrida. A Williams competiu com Nigel Mansell e Riccardo Patrese. O primeiro levou as primeiras cinco vitórias daquela temporada, até que Ayrton Senna interrompeu sua sequência em Mônaco, e venceu outras quatro corridas. Seu companheiro de equipe venceu no Japão, o que significa que das 16 corridas realizadas naquele ano, a Williams ganhou 10. Apenas mais três pilotos venceram naquele ano: Michael Schumacher, da Benetton, na Bélgica; Senna com a McLaren no Principado, na Hungria e na Itália e Gerhard Berger, também piloto da McLaren, no Canadá e na Austrália.
Ross Brawn acredita que as razões para o sucesso da Mercedes são muito diferentes das da Williams na época. Ele acha que a Williams era muito superior frente a seus concorrentes.
Refletindo sobre a temporada dominante da Williams, Brawn disse:
“Era um pacote técnico superior, estávamos na era da suspensão ativa. Mansell ainda venceu mais duas vezes antes de Ayrton Senna ter uma de suas performances milagrosas em Mônaco, que interrompeu a série de vitórias. No entanto, apesar das estatísticas da Mercedes, não acredito que 2019 siga o mesmo roteiro de 1992. As três dobradinhas de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas estão definitivamente ligadas ao fato de que o time está operando à perfeição no momento, com um pacote técnico de primeira linha. Mas também é justo dizer que há uma oposição mais forte do que a que a Williams tinha em 92. ”
Brawn acredita que a chave para a temporada é a Ferrari conseguir um final de semana perfeito. O time chegou perto de vencer no Bahrein antes de um problema de motor atingir Charles Leclerc.
“As três primeiras corridas confirmaram que se a Ferrari quer desafiar a Mercedes, tudo tem que ser perfeito em todos os níveis: desempenho, confiabilidade e trabalho em equipe. Isso é o que Binotto e seu pessoal têm que fazer, e, conhecendo Mattia, tenho certeza que ele está ciente disso e dedicará todas as suas energias para garantir que isso aconteça”, comentou Brawn.
Mudando de assunto, Brawn acrescentou que um dos aspectos positivos que surgiram nas primeiras corridas é que a luta pela volta mais rápida está melhorando o final das corridas, graças ao ponto extra.
“A atração de um ponto extra, desde que seja estabelecido por um piloto que esteja no top-10, foi impulsionada pelo desejo de adicionar um pouco de tempero aos estágios finais da corrida, especialmente quando a ordem parece mais ou menos definida. Na China funcionou desse jeito. As seis primeiras posições mais ou menos estavam decididas, mas com Pierre Gasly um bom tempo à frente de Daniel Ricciardo da Renault, sua equipe Red Bull decidiu explorar a oportunidade que a vantagem lhe deu para um pit stop a mais. Eles colocaram o francês na pista com pneus macios e o mandaram fazer a volta mais rápida. Antes da parada de Gasly, você também podia ouvir outros pilotos discutindo suas opções estratégicas no final da prova com as equipes no pit wall, mesmo que nenhum deles tenha assumido nenhum risco estremo. Esta foi uma regra inventada para agradar aos fãs e acho que vimos que realmente funciona”.