17/08/16

Alonso une talento natural a inteligência

alonso no heartEra uma caminhada à escola como outra qualquer. No cenário, três coisas: uma ponte, uma placa e um poste – e Fernando Alonso se cronometrando cada manhã pelas ruas de Oviedo. Ele tinha duas tarefas: melhorar seus tempos nos setores e vencer sua avó, cujo trabalho era levá-lo à escola.
“Eu tinha que vencê-la. Todos os dias! Isso não me faz parecer legal, né?, diz Alonso, em matéria especial sobre ele, no site oficial da McLaren, sob o título “Por que eu corro!”.
Isso o faz parecer muito competitivo, mas tudo é uma competição para Fernando Alonso. Ele fala abertamente sobre o egoísmo necessário para vencer na F1.
“Você não pode ter coração. Você não é inimigo dos outros pilotos, mas você tem de focar apenas em você para vencer. Se você puder ‘machucar’ alguém para se beneficiar, melhor ainda”, diz o espanhol.
Com certeza é esse amor por competição que explica porque Alonso corre na F1.
“Não, não é isso. Sou uma pessoa competitiva e competição é importante na F1, mas não corro na F1 pela competição. Posso conseguir isso em outras áreas da minha vida, como o ciclismo ou jogando tênis – ou levando minha mãe ao supermercado. A razão pela qual corro na F1 é porque os carros me dão uma sensação que não sinto em nenhum outro lugar. É único”, diz o piloto.
Esta sensação que ele descreve surgiu de pura criação de desenvolvimento. Para aqueles que não conhecem as estatísticas: o MP4-31 da McLaren Honda produz mais de 900bhp, acelera de 0 a 100 mph em menos de seis segundos e por períodos curtos exerce forças longitudinais de até 7G quando freia. Combinando tudo isso é possível entender a razão pela qual Alonso – bicampeão mundial com 32 vitórias – corre na F1.
A capacidade que Alonso tem de avaliar um carro é mais parecida com a de um menino do que a de alguém que já participou de quase 300 GPs em um período de 16 anos. Sua descrição do desempenho do carro mostra que ele ainda está perseguindo o limite dele.

“Fernando extrai o máximo de tudo que está ao seu redor”, diz seu engenheiro Mark Temple. “Ele pilota de uma maneira muito agressiva. Ele ataca as áreas de frenagem para valer e joga o carro dentro das curvas, sem perder o controle na saída da curva. Com frequência vemos pilotos agressivos perderem o controle na entrada ou na saída, mas Fernando faz de um jeito que mantém o carro no limite nas duas áreas”.

Antes da largada, Alonso é visto conversando com seus engenheiros, enquanto os demais pilotos estão meditando sozinhos, ouvindo música ou procurando por algum estímulo mental que eles precisem para se saírem bem quando as luzes se apagam.

“Ele é o piloto mais inteligente com quem já trabalhei”, diz Mark Temple. “É uma combinação de inteligência com um nível supremo de talento natural que resulta em uma combinação bem potente. Isso permite a ele fazer muito mais enquanto pilota o carro. Ele processa muitas informações e está sempre pensando na estratégia”.

Alonso impressionou bastante em Mônaco neste ano. Foi uma corrida seca-molhada e era fácil cometer erros durante as primeiras voltas, como aconteceu com Palmer, Raikkonen e Magnussen. Mas o asturiano estava constantemente falando no rádio sobre estratégia e desempenho do carro, enquanto se mantinha longe das barreiras.