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05/08/14

A importância da telemetria na Fórmula 1

Ferrari telemetria

 O que é e qual a importância da telemetria na Fórmula 1 foi o tema do dia do site oficial da Ferrari, nesta segunda-feira. Apesar do texto fraco e às vezes confuso, a entrevista do engenheiro ferrarista traz informações interessantes sobre o assunto.

Na Fórmula 1, se fala muito de telemetria, do quão sofisticada e indispensável que ela é. Realmente, trata-se de um tema muito complexo. Para tentar entendê-lo, falamos com Andrea Beneventi, diretor de Gestão de Produtos Eletrônicos da Escuderia Ferrari. Andrea, de 47 anos, está na Ferrari desde 2000 e é um autentico especialista na matéria.

Mil parâmetros – “Geralmente se pensa que a telemetria é um sistema que coleta informações e parâmetros vinculados ao funcionamento do carro e que permitem o seu funcionamento”, explica no www.ferrari.com. Acompanha-se de perto cada componente. É fundamental para os engenheiros e pilotos, porque permite detectar problemas e solucioná-los com mais facilidade.  Mas alguém tem de tomar decisões. Obviamente, é impossível monitorar continuamente todos os dados do carro, porque se limitam a mil os canais de monitoramento, mas se podem montar o dobro de parâmetros e sensores na unidade. Portanto, deve-se encontrar muito rapidamente a informação útil. Por exemplo, um piloto pode queixar-se de que o carro tem uma movimentação estranha. Neste caso, os engenheiros tentam descobrir qual a causa, selecionando informações dos componentes que podem ser os causadores da falha. Quanto mais rápidos e hábeis forem os engenheiros, mais rápido se resolverá o problema.

Cifras impressionantes – telemetria avançou muitíssimo. Há vinte anos, os dados de um Grande Prêmio inteiro cabiam num disquete, enquanto, agora, é preciso um HD. Em média, em cada volta, um carro da F1 produz 35 megabytes de informação e ao longo de um fim de semana de corrida, com dois carros acumulam-se cerca de 30 gigabytes. Nenhum outro tipo de automobilismo usa a telemetria tão eficientemente como a Fórmula 1, assegura Beneventi. “Por exemplo, na GP2, provavelmente, monitoram 35-40% menos parâmetros, porque a complexidade da telemetria está ligada à do carro. Hoje, os carros que competem nas 24 horas de Le Mans têm um sistema muito sofisticado de telemetria.

Ferramenta fundamental – Ao longo e um fim de semana de corrida, há pelo menos cinco pessoas no circuito e na garagem de Maranello estudando os dados das unidades de controle eletrônico dos carros e a análise continua na semana seguinte à corrida. A informação chega via rádio em tempo real, com o atraso de 2 a 4 segundos. O elevado número de engenheiros que monitoram os dados oferecem aos pilotos as respostas mais precisas as suas perguntas. Portanto, é fundamental que o piloto saiba ler a telemetria. Para ajudá-lo nessa tarefa estão o engenheiro de pista e o engenheiro de rendimento, que num período muito curto de tempo e com exatidão devem ter habilidade para interpretar os dados mais importantes para marcar um bom tempo de volta. Durante os treinos e na classificação, os engenheiros mostram ao piloto os dados das voltas anteriores, indicando onde poderia ganhar uns centésimos de segundos. Para isso, se desenvolve uma relação quase simbólica entre o engenheiro de pista e o piloto, sendo fundamental a confiança de um no outro.

Um especialista em telemetria – Dominar a telemetria não é fácil. A quantidade de dados, sua complexidade, o ritmo frenético em que funciona, a habilidade para reagir ante as adversidades que surgem, fazem que isso seja uma verdadeira arte e não é nada fácil dominá-la antes de começar a trabalhar nesse campo. “Normalmente, a gente que faz isso são engenheiros de informática ou especialistas em sistemas de controle . Na Escuderia Ferrari, realizamos muitas provas, em salas específicas, onde simulamos situações diferentes. Utilizamos para quem trabalha nessa área, mas também para toda a equipe, porque ninguém deveria ser afetado por problema real. Normalmente, um engenheiro deve completar pelo menos seis meses de treino, mas eles podem chegar a durar um ano. Além disso, não existe nenhuma garantia de que todos acabem o curso. Nessa frente também é importante a personalidade da pessoa”, opina Beneventi. “É muito complexo e os rapazes da telemetria são os primeiros a chegar ao circuito,  ajudam a montar a garagem e instalar todos os cabos. Vivem o fim de semana ao lado dos pilotos e para eles a corrida também é uma maratona, passando 90 minutos sem um respiro”.

Mais informações sobre telemetria você pode acessar:

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