29/01/19

Promotores de corridas protestam e ameaçam deixar a F 1

Um grupo de promotores de corridas de F1 está se preparando para enfrentar o proprietário do esporte, a Liberty Media e, liderados por Silverstone, ameaça deixar o calendário, segundo o jornal inglês Daily Mail. O jornal disse que os promotores estão descontentes com o tratamento da empresa e se reuniram em Londres para discutir a situação.
“Todos estão descontentes. As ideias de Liberty são desconexas”, disse Stuart Pringle, chefe de Silverstone e chefe do grupo de promotores de F1.
“Todos nós temos sido complacentes e tranquilos até agora, mas temos grandes preocupações sobre a saúde futura do esporte sob as pessoas que o administram agora”, acrescentou Pringle.
Ele admitiu que está particularmente irritado com a forma como Liberty lida com uma potencial corrida em Miami, apesar de não ter sido feito um acordo.
“Miami está aparentemente fazendo um acordo”, disse Pringle. “Isso não caiu bem com ninguém, nem mesmo com os caras de Austin, Texas, que estão trabalhando duro para fazer sua corrida se pagar. Se isso continuar, a Fórmula 1 estará competindo em circuitos de segunda categoria”.
Em meio às incertezas quanto ao destino de cinco corridas cujos contratos se encerram neste ano (Grã-Bretanha, Itália, Espanha, Alemanha e México), o encontro da Associação de Promotores da F1 (FOPA, da sigla em inglês), contou com representantes da maioria das provas do calendário.
Em particular, eles alertaram para a mudança da F1 em relação à televisão paga, o que irá reduzir drasticamente o número de espectadores – e, consequentemente, afetar os interessados em comprar ingressos –, além de dúvidas sobre por que alguns eventos receberam ofertas financeiras mais favoráveis.
Em um comunicado da FOPA, foram listados três pontos fundamentais:
o Não é do interesse do esporte em longo prazo que os fãs percam acesso gratuito ao conteúdo e às transmissões;
o Há uma falta de clareza sobre as novas iniciativas da F1 e uma falta de engajamento com os promotores em suas implementações;
o Novas corridas não deveriam ser introduzidas em detrimento aos eventos existentes, apesar de a Associação se encorajar com os moldes de negócios alternativos que estão sendo oferecidos a possíveis novos eventos
O comunicado acrescenta
“Ao entrar em uma nova temporada da categoria que promovemos há muitas décadas, os promotores querem uma abordagem mais colaborativa pelo desenvolvimento da categoria e a oportunidade de oferecer a experiência e conhecimento em um espírito de parceria com a F1 e a FIA.”
Entende-se que a declaração sobre os “moldes de negócios alternativos” seja uma referência à tentativa de incluir uma corrida de rua em Miami ao calendário. Durante as discussões, veio à tona que os promotores americanos tiveram uma oferta de divisão de lucros em vez de um molde mais tradicional em que a corrida paga dezenas de milhões de dólares pelo direito a sediar o evento.
A associação critica a estratégia dos chefes de Fórmula 1 da Liberty Media, desde que assumiu o cetro de Bernie Ecclestone. Estão sendo expressas preocupações de que transmissões ao vivo estão se movendo cada vez mais para a TV por assinatura e, portanto, o alcance geral está caindo. Em vez disso, os organizadores estão pedindo acesso livre ao conteúdo e transmissões para todos os fãs.
Sergey Vorobyey, vice-diretor da empresa promotora do GP da Rússia, que não faz parte da Associação dos Promotores, discorda do grupo e defende a gestão da Liberty.
“O comunicado é ineficaz porque todos os problemas que indicam estão sendo resolvidos de uma forma ou de outra no formato atual de comunicação com a Liberty. Foi uma iniciativa da Liberty que todos os promotores se reunissem em Londres para tratar de assuntos comuns, com a participação da empresa. Não vejo necessidade de uma assembleia independente de alguns promotores. Não compartilho com a posição do atual presidente da Associação dos Promotores, Stuart Pringle. Em seu comentários, frequentemente tem criticado pessoalmente a liderança da Liberty e nosso esporte. Não creio que sua forma de fazer as coisas seja construtiva e espero que nos próximos dias, semanas ou meses se unam mais países à decisão de deixar a Associação”, discursou Vorobyey ao portal Motorsport.com.
Depois de outras considerações sobre o estado do esporte, o dirigente russo conclui dizendo:
“Minha opinião pessoal é que a F1 deveria ser mais real, deveria haver menos regras e menos influência dos comissários de corridas. Os motores deveriam ser menos híbridos, menos bons com o Planeta. A F1 deveria, de algum modo, voltar a ser mais pura e as corridas mais duras, mas não sei se a Liberty, a FIA e equipes concordam com essa posição. Nos próximos dias vamos ter oportunidade de falar desses temas”.

Os promotores criaram a associação quem os representa em 2012, quando começaram a notar um aumento das exigências para organizar uma corrida. A maior parte do dinheiro das televisões e da publicidade ia para a FOM e os organizadores passaram a temer que o esporte perderia aficionados. E os promotores temem que as novas corridas tirem público das que estão no calendário há anos, como aconteceu com Austin e México e pode acontecer com Miami.