08/04/19

O motor da Ferrari desperta suspeitas das equipes rivais

O desempenho e a velocidade nas retas do SF90 da Ferrari no Bahrein geram suspeitas de rivais da Scuderia. A Mercedes e a Red Bull se perguntam qual o truque a Scuderia usa para ter um décimo vantagem consecutiva e por que não a usaram na pré-temporada e na Austrália.
De acordo com a revista alemã Auto Motor und Sport, que analisou uma comparação de GPS entre equipes na qualificação em Sakhir, a Ferrari teve uma vantagem confortável nas retas, o que não pode ser explicado apenas pela força descendente.
Nos testes de pré-temporada, após vários anúncios da FIA restringindo ainda mais o regulamento, o consenso geral indicava que os motores de ponta da Fórmula 1 estavam próximos em termos de performance. Mas no GP do Bahrain os rivais ficaram chocados ao descobrir que o motor da Ferrari é meio segundo mais rápido nas retas. Segundo uma estimativa, a diferença é de 40 hp.
O engenheiro da Red Bull, Adrian Newey, adverte que a grande vantagem da Ferrari está em seu motor de combustão e energia elétrica.
“No ano passado, eles nos derrotaram na fase de aceleração, mas na velocidade máxima nós éramos iguais. Agora eles são mais rápidos nas retas do começo ao fim e nossa velocidade na reta não chega mais a um certo ponto, porque o MGU-K não tem potência de entrega. O MGU-K da Ferrari está sempre ligado, ele não desliga “, disse Newey à Auto Motor und Sport.
“Parece que eles têm uma vantagem no motor de combustão e na energia elétrica, mas pensamos s que a FIA havia eliminado todas as possíveis lacunas legais nos regulamentos”, acrescentou Newey.
Em 2018, acreditava-se que a unidade de potência da Ferrari tinha uma vantagem significativa graças a um complexo sistema de duas baterias que levou à intriga no paddock e a um monitoramento minucioso da FIA. No entanto, de acordo com a Mercedes, o desempenho do motor da Ferrari é ainda melhor do que no ano passado.
As outras equipes também acreditam que apenas a Ferrari se beneficia de seu motor milagroso e não seus clientes, pois a Haas está seis décimos atrás do fabricante nas retas. Tanto a equipe norte-americana quanto a Alfa Romeo podem manter a velocidade do SF90 no início das retas, mas não num segundo tempo.
Uma teoria para explicar a superioridade da Ferrari é que a Shell, patrocinadora de combustível, descobriu algo revolucionariamente novo. Poderia haver alguma bebida secreta da Shell saciando a sede do motor de Maranello? Christian Horner, diretor esportivo da Red Bull, concorda com a suspeita:
“O combustível da Ferrari cheira a suco de grapefruit”, disse o chefe de equipe da Red Bull.