08/09/19

Leclerc resiste à pressão das Mercedes e vence em Monza

Charles Leclerc, da Ferrari, resistiu a pressão de Lewis Hamilton e depois de Valtteri Bottas e, beneficiado por erros dos dois pilotos da Mercedes, ganhou, em 1h15m26s665, o GP da Itália de 2019, disputado hoje no circuito de Monza. Foi a 2ª vitória do jovem monegasco na Fórmula 1 e a primeira da Ferrari em Monza, desde 2010, com Fernando Alonso. O vencedor, na sua segunda temporada na principal categoria do automobilismo mundial, mostrou maturidade e muita técnica para conter os ataques dos rivais durante toda a corrida.

Lewis Hamilton, que durante mais da metade da corrida manteve menos de um segundo de diferença, podendo abrir a asa, não conseguiu superar o líder, que era mais rápido nas retas. A perseguição de Hamilton acabou na 42ª volta, quando ele errou na freada da chicane, saiu da pista e teve de passar pelos obstáculos para voltar. A partir daí, coube a Bottas tentar superar Leclerc, mas o finlandês também cometeu um erro na volta 51 e cruzou a linha 0s835 atrás de Leclerc. Com o 3º lugar garantido com uma vantagem de 35 segundos sobre Ricciardo, Hamilton parou na volta 50, colocou pneus macios para tentar a volta mais rápida, o que conseguiu no giro seguinte, com 1m21s779.

A surpresa da corrida foi o desempenho da Renault, com Daniel Ricciardo terminando em 4º e Nico Hulkenberg, em 5º. A decepção foi Sebastian Vettel, que, na 6ª volta, rodou e atingiu o carro de Stroll, na curva Ascari, levou duas punições de stop&go e terminou no 13º lugar. Max Verstappen, que saiu da 19ª posição, fazia uma boa corrida de recuperação, quando, teve de sair da pista para não bater em Sergio Perez, acabando no 8º lugar.

Lando Norris, Pierre Gasly e Max Verstappen largaram das últimas posições, nessa ordem, punidos por troca de elementos do motor; Sergio Perez também perdeu posições por exceder o limite de motores e Kimi Raikkonen largou da pit lane, por mudar especificação do motor de combustão no parque fechado e substituir a caixa de câmbio.

Na largada, Leclerc tracionou bem e resistiu ao ataque de Hamilton, que, por sua vez teve de se defender da pressão de Botas, para manter a segunda posição. Vettel perdeu a 4ª posição para Hulkenberg, mas conseguiu se recuperar, até a volta 6, quando rodou, saiu a pista e voltou em condições perigosas, tirou Stroll da pista e sofreu uma punição de stop&go. O alemão teve de parar para trocar o bico do carro e, depois de cumprir as punições, caiu para o 19° lugar. Ricciardo, que tinha perdido o 5º lugar para Hulkenberg na saída, recuperou a posição na volta 5.

Na volta 10, Leclerc tinha vantagem de 1s4 sobre Hamilton e 2s8 sobre Bottas, e garantia a posição, apesar da ausência de Vettel, que o obrigava a se defender sozinho das Mercedes. Na volta 15, Sainz, em 7º, era ameaçado por Alexander Albon até o tailandês da Red Bull ser punido com 5 segundos, por ultrapassar Kevin Magnussen por fora da pista.

Na volta 17, a Mercedes simulou uma troca de pneus para induzir a Ferrari a antecipar sua troca, mas a equipe italiana dessa vez não entrou no golpe. Leclerc só parou no final da volta 20, colocando pneus duros, depois de Hamilton, no começo da mesma volta, ter trocado os pneus macios pelos duros também. Leclerc voltou em 4º e Hamilton em 5º e os dois retomaram o duelo inicial, atrás de Bottas, Ricciardo e Hulkenberg.

Na volta 23, Leclerc passou por Hulkenberg no interior da Parabólica e depois de passar também pelo piloto da Renault, Hamilton voltou a pressioná-lo, baixando a diferença para menos de um segundo e usando a asa aberta. Todavia, o motor da Ferrari falava mais alto nas retas e nas curvas Leclerc não abria espaço para ultrapassagem. Na Grande Curva, Hamilton aproveitava o vácuo do rival, mas foi fechado e teve de sair pela zona de escape. A ação irregular valeu uma bandeira branco e preta, de advertência, mas Leclerc não perdeu a posição. Com o uso da DRS, o piloto da Ferrari passou por Hulkenberg na volta 25, Hamilton fez o mesmo na 26 e os dois ocuparam, respectivamente, as segunda e terceira colocações, atrás de Bottas, que tinha 15 segundos de vantagem.

Charles Leclerc voltou à liderança na volta 28, com a parada de Bottas, para colocar pneus médios e voltar em 3º. Na volta seguinte, Sainz teve de parar no fim da pit lane, abandonando a corrida, devido a erro da equipe na colocação do pneu dianteiro direito. Na volta 30, a direção da prova impôs segurança virtual, devido a parada de Kvyat em lugar perigoso, na saída da Variante dela Roggia, e na retomada da corrida Hamilton intensificou a caçada Leclerc, usando sempre o DRS. Na volta 36, Leclerc errou e saiu pela área de escape na Variante de Rettifilo, Hamilton aproveitou para entrar no vácuo, mas não conseguiu uma chance de ultrapassar. A luta entre os dois durou até a volta 42, quando, pressionado por Bottas, Hamilton errou na freada na chicane e teve de passar pelos obstáculos para voltar a pista em 3º.

A partir dessa volta 42, coube a Bottas manter a pressão sobre Leclerc, incentivado pela sua equipe, para a qual ele podia vencer a corrida. O finlandês chegou a baixar a diferença para menos de um segundo, porém na volta 46 Leclerc recuperou a vantagem para 1s6. A esperança do pessoal da Mercedes se evaporou na volta 51, quando Bottas também, como Hamilton, cometeu um erro na Rettifilo e mesmo usando o DRS na última volta, não conseguiu alcançar e ultrapassar Charles Leclerc.

A classificação final da corrida foi a seguinte:

Posição Piloto Equipe Tempos
Charles Leclerc Ferrari 1h15m26a665
Valtteri Bottas Mercedes a 0s835
Lewis Hamilton Mercedes 35s199
Daniel Ricciardo Renault 45s515
Nico Hulkenberg Renault 58s165
Alexander Albon Red Bull 59s315
Sergio Perez Racing Point 1m13s802
Max Verstappen Red Bull 1m14s492
Antonio Giovinazzi Alfa Romeo 1 volta
10º Lando Norris McLaren 1 volta
11º Pierre Gasly Toro Rosso 1 volta
12º Lance Stroll Racing Point 1volta
13º Sebastian Vettel Ferrari 1 volta
14º George Russell Williams 1 volta
15º Kimi Raikkonen Alfa Romeo 1 volta
16º Romain Grosjean Haas 1 volta
17º Robert Kubica Williams 2 voltas
Não completaram
Kevin Magnussen Haas
Daniil Kvyat Toro Rosso
Carlos Sainz Mclaren

A vitória foi o ponto culminante das comemorações dos 90 anos da Ferrari, iniciada na véspera na praça do Domo, em Milão, com a presença de Vettel, Leclerc, Alain Prost, Jean Alesi, Gerard Berger, Eddie Irvine, Luca Badoer, Ivan Capelli, Giancarlo Fisichella, Kimi Raikkonen, Felipe Massa e Antonio Giovinazzi, além de antigos e novos dirigentes da Scuderia, A Ferrari disse ter convidado Fernando Alonso, mas ele negou ter recebido convite.