01/05/19

Há 25 anos, morria o ídolo, nascia um mito: Ayrton Senna

Hoje faz exatamente 25 anos da morte de um dos maiores ídolos do esporte de todo o mundo. Foi no dia 1º de maio de 1994, num acidente horrível na 7ª volta do GP de San Marino, que morreu Ayrton Senna, um mito do Brasil e uma legenda do automobilismo mundial. Um choque contra o muro de concreto, a 190km/h, encerrou a carreira do tricampeão mundial da F1, que conquistou 41 vitórias e 65 poles positions e é considerado, pela maioria, o melhor piloto de todos os tempos.
Na data de sua morte, o piloto brasileiro é reverenciado em todo o mundo. Os jornais, emissoras de TV e principalmente os sites de esportes a motor destacam a vida e a carreira do ídolo. Pilotos, dirigentes do automobilismo, atletas e representantes de outros esportes falam dele com admiração e saudade.
Gerard Berger, um dos melhores amigos de Senna na F1, rememora:
“Lembro-me como se fosse ontem. No almoço, Ayrton e eu saímos da pista dos boxes e descemos para a curva Tamburello. Nós olhamos por cima do muro e atrás dele há um rio. Nós nos entreolhamos e dissemos que não havia nada que podíamos fazer. Não havia espaço atrás do muro, não pensamos em fazer uma chicane para desacelerar os carros, e apenas aceitamos o que era. Então, voltamos e não fizemos nada. Esse era o lugar onde ele morreria alguns anos depois. Depois da morte de Roland nas eliminatórias, saímos do briefing dos pilotos no domingo de manhã antes da corrida e Ayrton disse-me que na próxima semana precisaríamos fazer mais para tornar esse esporte seguro. Fomos para o grid e Ayrton estava na pole. Eu estava dirigindo para a Ferrari e recebendo muito apoio do tifosi. Eu estava fora do carro, ele estava em sua Williams. Eu lembro de olhar para ele e ele estava rindo por baixo do capacete. Ele sempre ficava feliz quando algo bom estava acontecendo comigo. Esse foi meu último contato visual com ele. Nós começamos a corrida e Michael Schumacher estava atrás do Ayrton, e eu estava atrás do Michael. Eu lembro exatamente quando Ayrton começou a sair da pista. Ele caiu, e eu pensei que ele tinha batido na parede em um bom ângulo e não haveria problema. Eles pararam a corrida e eu vi Bernie Ecclestone dizer que Ayrton estava fora do carro. Eu pensei que isso significava que ele estava bem, então eu não perguntei nada sobre e reiniciei a corrida como de costume. “Na volta 16, abandonei com uma falha mecânica. Lembro-me de estar sentado na garagem da Ferrari e alguém veio até mim e me disse que Ayrton estava lutando por sua vida. ”
Frank Williams estava orgulhoso por finalmente assinar com Ayrton Senna em 1994. Mas o casamento não terminou feliz.
“Muitos nos culparam por isso. Como se tivéssemos roubado uma pintura de Michelangelo do mundo. Ayrton foi um superstar internacional. Isso ficou claro para nós no funeral. Lá, também, esse sentimento de culpa surgiu novamente. A pressão cresceu lentamente neste fim de semana de imola. Não só por causa dos acidentes na sexta e no sábado. Todo mundo sabia que imola era uma pista perigosa. Se algo desse errado nas passagens de alta velocidade, o resultado sempre era um grande acidente. Quando eu vi as fotos na TV, eu imediatamente tive um mau pressentimento. Todos os sinais indicavam que precisávamos nos preparar para o pior. Foi uma queda maciça em alta velocidade, ele não se mexeu “.
Claire Williams reviveu a tragédia do dia mais sombrio da Fórmula 1.
“Cerca de um ano depois, lembro-me de estar em um pub, eu não sei como ele sabia quem eu era, mas um completo estranho veio até mim e disse: ‘Seu pai é um assassino’. Não tinha realmente pensado sobre como as pessoas poderiam se sentir sobre o acidente. Isso não foi o que aconteceu, mas eu acho que algumas pessoas são ignorantes.”
A BBC registra que aquele dia fatal mudou a F1 para sempre, pois controles de segurança maiores e mais rigorosos se tornaram obrigatórios. “
O piloto tinha ido embora e o mito nasceu, porque com seus três títulos ele já havia deixado sua marca em crianças como Fernando Alonso ou Lewis Hamilton, que viram suas carreiras e sonharam em imitar um ídolo com um incomparável carisma”, registra a emissora inglesa.
De fato, o atual campeão mundial Lewis Hamilton, que idolatrava Senna continua a honrar seu legado, incorporando o capacete do brasileiro em seu próprio equipamento.
Recentemente, o britânico postou uma foto de Senna, junto com a mensagem comovente: “Eu me lembro de estar sentada ao lado do meu pai e assistindo você na TV a partir dos 4 ou 5 anos de idade. Ayrton, o jeito que você correu me cativou desde o começo e me aproximou desse esporte. Você é um piloto puro, um verdadeiro mestre, um herói. Você viverá pela eternidade.
Depois do GP de Azerbaijão, Hamilton voltou a falara do seu ídolo:
“Para mim, Ayrton está sempre à sua própria luz, e ele está sempre em seu próprio nível que, como piloto, você apenas deseja imitar ou ser. Eu cresci assistindo vídeos. Ele é o piloto mais icônico. Ele era um indivíduo icônico, um verdadeiro líder e um mestre de sua arte. Ele foi o piloto que me inspirou quando criança. Ainda é um herói hoje e sempre será”.

A morte ao vivo, épica e repentina
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