12/01/19

Ex-diretor da Jordan critica a nomeação de Mattia Binotto

Gary Anderson, ex-diretor da Jordan, criticou a decisão da Ferrari de nomear Mattia Binotto como chefe da equipe, um cargo político, e diz temer que isso comprometa o desenvolvimento do carro da Scuderia. O engenheiro irlandês lembrou que o italiano é um especialista na área técnica, sua atuação é elogiável, mas poderá não ter o mesmo sucesso como político.
“Binotto é muito bom no seu posto de diretor técnico. Precisam que seja ele o diretor técnico. É um trabalho de tempo integral, sete dias da semana. Não é um trabalho de meia jornada. Isso afetará o aspecto técnico, sem dúvida. Creio que uma decisão errada. Teria que se nomear alguém diferente”, comentou Anderson ao Autosport International Show.
Mattia Binotto assumiu o comando do desenvolvimento do motor da Ferrari depois de seu péssimo desempenho no início da era turbo-híbrida da F1 em 2014. Ele foi então promovido a um cargo de diretor técnico geral em 2016, como parte de uma revisão projetada pelo então presidente e CEO Sergio Marchionne. Desde então, a Ferrari produziu dois carros capazes de lutar por vitórias, embora erros da equipe e de Sebastian Vettel na última temporada significaram que a disputa pelo título se desfez pela segunda vez consecutiva.
Por isso, Anderson classificou como erro a decisão da escuderia italiana. Ele acha que não tem sentido atribuir um cargo político a alguém que se destacou no seu posto técnico.
“Por que fazer isso, Não entendo que ponhas a tua melhor pessoa no âmbito técnico num posto político. Podes facilmente colocar em risco, alguns décimos e não chegar ao mais alto, ser competitivo e não tomar as melhores decisões.
Anderson diz que a política da Ferrari de despedir seus responsáveis máximos se as coisas não saem segundo o previsto pode fazer com que perca uma peça-chave como Binotto, se a aliança Red Bull-Honda prosperar.
“O que acontecerá se a Red Bull passar por eles e a Ferrari ficar em terceiro ou quarto no campeonato dos construtores? Pode passar e sua cabeça pode rolar. Podem perder uma peça chave, só por colocá-lo numa posição que não lhe corresponde”, concluiu o irlandês.
No ano passado, houve divergências entre Binotto e o chefe de equipe Maurizio Arrivabene, com o último não sobrevivendo até o final do ano. Acredita-se que Binotto tenha uma influência mais calma sobre os departamentos pelos quais foi responsável em Maranello, enquanto Arrivabene era acusado de criar uma cultura de apontar dedos quando as coisas deram errado. As críticas a ele durante seu mandato no comando da Scuderia muitas vezes centravam-se em sua propensão para criar uma cultura de culpa dentro do time vermelho.
Não está claro quem substituirá Binotto como diretor do departamento técnico, mas há sugestões de que a equipe possa simplesmente entregar mais responsabilidade ao chefe de aerodinâmica, Enrico Cardile, e ao chefe do departamento de motores, Corrado Iotti.