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O início

1_1_2IA história das corridas de automóvel confunde-se com a própria história do automóvel. O esporte nasceu no final do século XIX junto com as primeiras carruagens sem cavalos e tinha como objetivo inicial  demonstrar velocidade e segurança.  As corridas de carros incentivaram, em muitos aspectos, o desenvolvimento da produção do automóvel. Muitas vezes inovações eram testadas nas pistas  e depois levadas para as ruas e estradas. Normas de segurança, por exemplo, saíram das corridas para o uso comum.

Quase todas as inovações automobilísticas vieram das corridas: espelhos retrovisores foram usados pela primeira vez numa corrida em Indianápolis, freios nas quatro rodas, freios hidráulicos, freios a disco, pneus mais largos e resistentes, suspensões independentes, direções mais seguras, motores de mais alto rendimento…

Corridas longas e cansativas marcaram o início do automobilismo esportivo. As primeiras provas eram disputadas entre cidades. O que contava, em princípio, não era a velocidade mas a habilidadee a capacidade do piloto e a resistência e segurança dos carros.

1_4_7CEm 1894 foi realizadaa primeira corrida entre Paris e Rouen. Não era uma prova de velocidade. Era uma prova de resistência para carruagens sem cavalos. A organização ficou por conta de um jornal parisiense Le Petit Journal. Dos 102 carros inscritos apenas 26 ficaram prontos a tempo e destes 7 não conseguiram passar pelos testes eliminatórios. No regulamento distribuído pelo jornal uma claúsula chamava atenção: os pilotos não poderiam ultrapassar a média de 12,5 km por hora.

O veículo que chegou em primeiro lugar, um carro rudimentar movido a motor a vapor e construído pelos franceses De Dion e Bouton, foi desclassificado. Os juízes o consideraram muito veloz.  O carro percorrera todo o percurso da prova chegando a 22 km por hora!  Assim, quem levou o prêmio de 5 mil francos foi um carro da fábrica Peugeot, dirigido pelo piloto Lemaitre.

A primeira corrida organizada aconteceu mesmo um ano depois, em 1895.  Desta vez a organização ficou a cargo do  construtor e conde De Dion e do barão Zuylent de Nyevelt. Os dois organizaram um comitê específico, que mais tarde daria origem ao Automóvel Clube da França, e promoveram a Paris-Bordeaux- Paris.

1_3_2I3Uma prova longa, de cerca de 1200 km que confirmou a superioridade do carro a gasolina. Foram inscritos para a corrida 22 carros: 15 com motor a gasolina, 6 com motor a vapor e um com motor elétrico. Apenas 8 carros concluíram todo o percurso, 7 a gasolina e apenas 1 a vapor. O vencedor foi o francês Émile Levassor, que correu com um Panhard , de 2 cilindros e 4 cavalos, produzido por sua fábrica com o tempo de 48 horas e 48 minutos. Sua média durante toda a viagem foi de 24 km por hora.

No início do automobilismo as primeiras corridas eram de estrada, geralmente com partida de Paris, que era considerada na época a capital automobilística do mundo, e chegada numa cidade francesa ou outra cidade européia.  De 1895 a 1903 pelo menos 35 corridas foram organizadas e partiram de Paris com diversos destinos: Marselha, Amsterdam, Berlim e Viena.

A velocidade dos carros de corrida começou a aumentar e, como consequência disso, o número de acidentes também subiu. Em 1896 o já denominado Automóvel Clube da França, promoveu a Paris-Marselha- Paris, com 1711 km. A prova teve 23 concorrentes que enfrentaram o mau tempo e uma série de contratempos que causaram,  entre outros acidentes, a destruição do carro de Levassor por um touro. O vencedor desta prova foi o piloto Mayade, com um Panhard  de motor de 4 cilindros e 8 cavalos que alcançou a média de 26 km por hora.

1_5_5CEntre 1897 e 1900 as provas que partiam de Paris diminuíram o percurso mas aumentaram a média de velocidade. Em 1897 foram disputadas duas pequenas corridas, a Paris-Dieppe, de 171 km, vencida pelo conde De Dion, com uma média de 39 km por hora e a Paris-Trouville, quando um Panhard dirigido por Horgieres ganhou com uma média de 40 km por hora. A primeira prova que ultrapassou os limites do território francês aconteceu em 1898. A Paris-Amsterdam-Paris tinha um percurso longo de 1400km e 23 corredores inscritos. O vencedor foi  Ferdinand Charrom ex-ciclista francês, com um carro da Panhard. A média do vencedor foi de 42 km por hora.

Foi em 1900, na realização da Paris-Tolosa- Paris, uma prova de 1300 km, que a velocidade alcançou uma média alta para a época: o carro vencedor, o Mors do piloto Levegh, chegou a 64 km por hora.

A partir de 1901 as corridas de Paris passaram a ter um novo regulamento. A novidade foi a introdução da classificação por tipo de carro. Na Paris-Berlim foram adotadas três categorias: carros com até 400 kg, carros de até 650 kg e carros com até 1000 kg. A vitória coube  a um  Mors, que manteve a média de 70 km por hora. Em 1902 os carros tiveram que limitar seu peso a um máximo de 1000 kg.

A medida que a velocidade dos carros de corrida aumentava tornava-se evidente que as provas de longa distância, entre cidades, ofereciam muitos problemas. Entre eles o policiamento do público que praticamente invadia as pistas, ou melhor, as estradas.

11_1_2GEm 1903 isto ficou ainda mais claro na corrida Paris-Madri. A prova foi organizada pelo Automóvel Clube da França, com um percurso programado de 1302 km e 172 inscritos.  A competição atraiu cerca de 3 milhões de pessoas que se amontoavam à beira das estradas para ver os carros passarem. A corrida teve um fim trágico: 5 pilotos morreram e ocorreram vários atropelamentos com vítimas fatais. Por causa dos acidentes a prova foi interrompida em Bordeaux, no fim da primeira etapa por ordem do governo francês. O vencedor foi o piloto da Mors, Gabriel que cobrira os primeiros 554 km da prova atingindo uma velocidade média de 105 km por hora.

Os acidentes aconteciam, nesta época,  principalmente por causa da precariedade dos carros.  No início do século, os veículos ainda tinham os chassis de madeira, ausência de molas e motores que aumentavam a potência todos os anos. Os pilotos tinham que lutar para dominar o carro por causa da vibração. A direçâo era pesada e sem auto-retorno, os freios quase não existiam e os pneus fracos e lisos duravam apenas alguns quilômetros. Além disso, as estradas não tinham pavimentação. Muitas vezes a poeira prejudicava a visibilidade. Os pilotos tinham que evitar bois, cavalos e espectadores que invadiam as estradas. E foi por essa razão que os dias das corridas entre cidades terminaram. Daí em diante as provas passariam a ser disputadas em circuitos fechados.